Jantar de Bolsonaro com diplomatas islâmicos abriu diálogo

Avaliação é do presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun, que participou do encontro em Brasília na noite de quarta-feira. Aproximação do Brasil com Israel causou mal-estar.

Da Redação
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São Paulo e Brasília – O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun, disse nesta quinta-feira (11) que o jantar de 37 embaixadores de países islâmicos, incluindo árabes, com o presidente Jair Bolsonaro, realizado na quarta-feira (10), em Brasília, foi positivo. “O jantar quebrou uma ‘não conversa’, todo mundo estava sem conversar, abriu um diálogo”, afirmou Hannun, que participou do evento.

O encontro ocorreu após visita de Bolsonaro a Israel e o anúncio da abertura de um escritório comercial em Jerusalém. A aproximação do governo brasileiro com Israel e a promessa de Bolsonaro de transferir a embaixada do País de Tel Aviv para Jerusalém gerou mal-estar com países árabes e islâmicos, pois a cidade é reivindicada também pelos palestinos como capital de seu futuro estado.

Bolsonaro (dir.) cumprimenta o embaixador do Marrocos, com Hannun ao fundo

De acordo com a Agência Brasil, Bolsonaro afirmou que as relações comerciais dessas nações com o Brasil devem se traduzir cada vez mais em laços de amizade e respeito. Em discurso, Bolsonaro acrescentou que o governo federal está “de braços abertos” a todos os países. “Que esses laços comerciais cada vez mais se transformem em laços de amizade, de respeito e de fraternidade”, afirmou o presidente.

Nenhuma iniciativa oficial foi apresentada, mas Hannun destacou que o jantar permitiu que as autoridades brasileiras e os diplomatas conversassem entre si. “Estes contatos iniciaram uma conversa e deixaram as portas abertas para mais diálogo mais para frente”, observou.

Ele ressaltou, porém, que a questão não está resolvida, pois ainda há um “mal-estar”, um “ruído”. Os países árabes são grandes importadores de produtos brasileiros, principalmente alimentos, e quem atua no setor receia que as sinalizações de Bolsonaro para Israel possam atrapalhar este comércio.

Agronegócio

O jantar foi organizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e contou também com as presenças dos ministros da Agricultura, Tereza Cristina (ao centro na foto do alto), e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do presidente da CNA, João Martins.

Cristina ressaltou que o governo está determinado a construir relações com todos os países, valorizando o papel do agronegócio no comércio exterior. “O Brasil continuará cada vez mais firme nessa determinação de ser um país amigo de todos os países e o nosso papel da agricultura é cada vez mais fortalecer, além da amizade, o negócio da agropecuária brasileira com esses grandes países que são os países da Liga Árabe”, afirmou ela, de acordo com a Agência Brasil.

Hannun destacou que a ministra está ciente da importância dos países árabes e islâmicos, da relevância das relações destas nações com o Brasil e do longo histórico da imigração árabe no País. Ele elogiou a atuação de Cristina na busca de diálogo com os embaixadores. “Este acesso permite possibilidades muito interessantes, de ver as coisas andando, para ver se ultrapassamos este mal-estar”, comentou o presidente da Câmara Árabe.

Quebrar o gelo

Segundo a Agência Brasil, o embaixador da Palestina e decano do Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil, Ibrahim Alzeben (esq. na foto do alto), disse que o encontro serviu para “quebrar o gelo” na relação diplomática. Para ele, o conflito entre Israel e palestinos é tema de política regional.

“Esse conflito não é do Brasil. Vamos manter as boas relações com o Brasil e desejamos ao Brasil o melhor”, afirmou o embaixador, que classificou o jantar como “ameno”. “Esta foi uma oportunidade única para quebrar o gelo depois de uma série de notícias que não fizeram bem para as nossas relações bilaterais”, acrescentou.

Alan Santos/PR
Alan Santos/PR

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