São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, com sua política externa, as bases de uma nova etapa do relacionamento entre árabes e brasileiros. E com sua política interna gerou distribuição de renda que beneficiou os menos favorecidos no país. Com essas e outras afirmações o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Schahin, fez sua homenagem a Lula no Dia da Comunidade Árabe no Brasil, nesta quinta-feira (25), no Clube Monte Líbano, na capital paulista. Ouvindo o presidente da entidade – e também o presidente do país – estavam cerca de mil pessoas, a maioria integrante da colônia árabe no Brasil.
“A instituição de uma série de políticas de geração e distribuição de renda beneficiou os cidadãos menos favorecidos e fez com que a classe média passasse a representar quase 50% da nossa população”, disse Schahin, lembrando que a inserção destas pessoas no mercado consumidor, gerada pelo governo Lula, foi importante para que o Brasil tivesse uma situação mais tranqüila do que a média mundial na crise de 2009. E afirmou ainda que estes consumidores colaboraram para o desempenho da rua de comércio mais popular do Brasil, a rua 25 de Março, formada justamente por imigrantes árabes e seus descendentes.
O dia de homenagem à comunidade árabe, aliás, foi escolhido em função da rua. “O dia 25 de março, como todos sabem, dá nome à rua de comércio mais famosa do Brasil, adotada por árabes e seus descendentes como centro de seus negócios no país”, disse Schahin. De acordo com ele, a ascensão social da nova classe média, que compra na rua, traduz também a história da vida de Lula. “O Brasil tem hoje um presidente que soube extrair da adversidade a força de sua vitória pessoal”, afirmou Schahin. Ele ressaltou que também fora do Brasil Lula conduziu uma linha diplomática de inclusão e diversidade.
Isso, segundo Schahin, influenciou no aumento das relações com o mundo árabe. Ele contou que a Câmara Árabe entregou a Lula, no começo do seu mandato, um documento sobre o potencial do comércio do Brasil com a região. "Estimávamos que as exportações brasileiras para as nações árabes tinham potencial para crescer 270% em quatro anos, saltando dos US$ 2,6 bilhões em 2002 para US$ 7 bilhões em 2006", disse. Já em 2008, no entanto, o comércio entre árabes e brasileiros chegou a US$ 9,8 bilhões. Em 2009, ano de crise, as exportações brasileiras para a região caíram apenas 4,6%, abaixo da média.
Mas, segundo Schahin, a Câmara Árabe ainda quer mais das relações com os árabes, tanto no comércio e investimentos, como turismo e cultura. A entidade criou, contou o seu presidente, comitês para trabalhar pelo aumento do fluxo de turismo e investimentos com a região. Também tem dos planos de criar a Federação das Câmaras Árabes Sul-Americanas e quer abrir a Casa da Cultura Árabe no Brasil. Segundo ele, o objetivo é ter o projeto da Federação pronto até a próxima Cúpula América do Sul-Países Árabes, em 2011, no Peru. A coordenação da iniciativa foi solicitada à Câmara Árabe na Cúpula de Países Árabes –Sul-Americanos (ASPA), em Doha, no Catar.
A colônia entre Lula
Schahin ainda ressaltou a importância da colônia árabe no Brasil. "Somos em torno de 12 milhões de árabes e seus descendentes. Nós, brasileiros árabes, influenciamos a formação do Brasil em áreas como indústria, comércio, artes, arquitetura, medicina, língua, gastronomia", disse Schahin. Essa influência pôde ser constatada, aliás, no próprio jantar, em função da presença de políticos e ministros com sobrenomes árabes.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, descendente, esteve no encontro e falou sobre o tema. “São Paulo tem a maior presença da comunidade árabe fora do mundo árabe”, lembrou o prefeito. A importância desta colônia foi ressaltada, em discurso, também pelo governador José Serra, que é de origem italiana e fez várias piadas sobre o assunto. Segundo Serra, essa foi a terceira comunidade com a qual ele se integrou em sua vida, depois da italiana e da espanhola. "Eu já comia esfiha e quibe antes de saber do que se tratava a comunidade estrangeira", disse, arrancando risos do público presente.
O governador fez suas contas e disse que os árabes são cerca de seis por cento na população brasileira. E lembrou da quantidade de descendentes que há no governo, como os presentes na própria cerimônia, como o ministro da Educação, Fernando Haddad, de origem árabe. Além de Haddad participaram do jantar outras autoridades de origem árabe, de fora do governo, como Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), os deputados federais Beto Mansur, Jorginho Maluf e Paulo Maluf, o senador Romeu Tuma, autor do projeto da criação do Dia Nacional da Comunidade Árabe.
O agradecimento
O decano do Conselho dos Embaixadores Árabes, Yousuf Al-Usaimi, também falou sobre os laços que unem brasileiros e árabes. E elogiou os esforços que o governo federal tem feito para tornar o Brasil mais próximo do mundo árabe, não só pelos laços sanguíneos, mas em outras esferas, como a diplomática, econômica e política. "Graças à Vossa Excelência foi realizada a primeira Cúpula de Países Árabes e Sul-Americanos em 2005", disse Al-Usaimi. O decano afirmou que o mundo árabe reconhece a posição de Lula em favor das nações árabes e seu trabalho como presidente. "O mundo olha com respeito e admiração suas ações para que o Brasil alcance progresso", disse.
O decano falou que a comunidade árabe no Brasil se orgulha de tê-lo como presidente e que o Conselho dos Embaixadores Árabes também se orgulha de atuar em um “país amigo como o Brasil”. Os elogios, feitos tanto por Schahin quanto pelo decano, ao presidente Lula foram aplaudidos pela comunidade presente na cerimônia.

