São Paulo – Criada em 2016 pela alagoana Alina Amaral, a marca de roupas homônima, que produz peças contemporâneas e autorais feitas com técnicas artesanais, chega a Dubai (Emirados Árabes Unidos), Portugal, Milão (Itália), Johannesburgo (África do Sul) e Nova Iorque (Estados Unidos).

Brasil e no exterior
“Nos últimos anos, fiz pelo menos quatro vendas para pessoas que moram em Dubai, Emirados Árabes Unidos. Eu lembro que duas dessas comercializações particulares aconteceram por meio da página da minha marca no Instagram. Uma delas era uma norte-americana que vivia em Dubai. Ela encomendou um quimono todo bordado com uma música de Toquinho”, conta a estilista e jornalista de 56 anos.
“Além dessas vendas, eu lembro de outra comercialização que aconteceu no Brasil. No ano passado, uma moradora do emirado estava passando as férias em um hotel de luxo em Salvador, encontrou e comprou uma peça minha, que estava à venda em um evento que ocorria no Palacete Tirachapéu.”
Únicas e carregadas de significado, segundo Alina, as roupas chamam a atenção de quem mora no país árabe porque eles têm muita percepção e interesse pelas cores, tecidos e manualidades brasileiras.
“Eles têm muito acesso a tudo que é luxuoso, mas a gente sabe que a cada dia o luxo está se aproximando do que é humano, do que é manual e exclusivo. Por isso, creio que esse pensamento vai fazer os árabes se aproximarem da minha marca. Mas do meu lado, preciso de ajuda de parceiros comerciais, porque não sei muito bem como chegar até esses consumidores”, explica a alagoana.
Outras vendas internacionais
Além de Dubai, a marca brasileira já marcou presença em países da Europa e da África.
“Minha primeira ação internacional aconteceu em 2023 quando fiz uma coleção especial para uma loja em Johannesburgo, na África do Sul. Depois disso, participei de um evento em Nova Iorque [Estados Unidos] durante a Semana de Moda da cidade e em 2024 estive em Milão pela primeira vez a convite da ApexBrasil [Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos]. Naquele ano, expus minhas peças em um showroom”, conta Alina.

Em Portugal, a brasileira já produziu uma coleção de verão para a loja Caju Comporta. “Essa cliente portuguesa é dona dessa loja sofisticada que trabalha com moda artesanal do mundo inteiro, e ela conheceu o meu trabalho no showroom de Milão. E este ano, estamos desenvolvendo outra coleção para ela, que será vendida no verão europeu”, relembra a empresária.
Em 2025, a marca de roupas foi selecionada para participar de um desfile de modas em Milão e recebeu a certificação internacional Friend of the Earth (FOE), um selo de sustentabilidade concedido pela World Sustainability Organization (WSO).
“É um privilégio ter esse selo internacional, porque ele reconhece as marcas sustentáveis que utilizam materiais rastreáveis, que possuem responsabilidade social e fazem manutenção de saberes através das manualidades.”
Foi graças a essa certificação que a empresa brasileira participou do Milan Fashion Week 2026. Ela foi uma das 13 marcas selecionadas pela WSO para apresentar suas novas coleções Primavera/Verão 2026.
Realizado em setembro de 2025, a ação esteve sob a chancela da certificação FOE, que estabelece rigorosos padrões de sustentabilidade para a indústria da moda.
A participação da Alina Amaral no desfile também contou com o apoio do Programa de Internacionalização da Indústria Têxtil e de Moda Brasileira, resultado da parceria entre a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e a ApexBrasil.
Para o futuro, a empresária quer cada vez mais aumentar a presença internacional da sua marca.
“Em novembro vou participar do Micsul [Mercado das Indústrias Culturais do Sul], uma rodada de negócios internacional que acontece no Paraguai. Neste evento, para o qual fui selecionada pelo Ministério da Cultura [do Brasil], vou participar de conversas com pessoas do mundo inteiro, inclusive da China, Dubai, Estados Unidos e Europa. Para o ano que vem, tenho a intenção de abrir um ponto de venda em São Paulo e outro em Portugal.”
História da marca
Formada em Jornalismo com especialização em Moda, o interesse veio no momento em que o país não tinha tantas vozes na área.
“Sou pioneira nessa área no estado de Alagoas. Passei seis anos cobrindo temporadas nacionais e internacionais de moda para várias revistas. Depois disso, passei outros nove anos fazendo produção de moda e cuidando do figurino de show de artistas, como Daniela Mercury e Carlinhos Brown. Nesse período, a trabalho, morei em Salvador, São Paulo e Nova Iorque”, conta Alina.

Em 2016, ao voltar para seu estado de origem, a alagoana resolveu colocar em prática seu sonho de fazer peças de roupas autorais.
“Como o mercado do show business em Alagoas é muito pequeno, ao voltar decidi que queria trazer os figurinos do universo que eu trabalhava para as roupas comuns. Nesse mesmo ano, fui chamada pela presidente de uma ONG para desenvolver um projeto de inclusão, onde eu precisava ensinar uma atividade produtiva às mães nordestinas. E foi essa ação que trouxe as minhas futuras funcionárias.”
Enquanto pensava o que poderia ensinar para essas mulheres, Alina se lembrou de suas origens. Nascida no sertão do Alagoas, a empresária cresceu no armarinho das tias onde acompanhava a tradição artesanal das mulheres da sua cidade.
“O fato de a região do Nordeste ter sido industrializada tardiamente, boa parte dos saberes foram preservados, e por isso temos uma riqueza muito grande do universo do que é feito à mão. Crescendo nessa região, aprendi a bordar desde criança e resolvi passar esse conhecimento adiante. Em 10 anos, criei o coletivo de mulheres Aarteando e já ajudei a capacitar mais de 600 mulheres na área do bordado livre”, relembra Alina.
Parte dessas mulheres, hoje, é responsável pela produção de blusas, quimonos, croppeds e camisas, feitas pela marca alagoana.
Leia mais:
Moda infantil da Camu Camu ganha o mundo
Reportagem de Rebecca Vettore, em colaboração com a ANBA.


