São Paulo – A MBRF, dona das empresas de proteína BRF e Marfrig, tem fluxo de embarques para o Oriente Médio perfeitamente funcionando e ativo, de acordo com declaração dada pelo diretor-presidente da companhia, Miguel Gularte, em divulgação de resultados nesta quinta-feira (19) pela manhã. O Oriente Médio tem vários países com acesso marítimo apenas pelo Golfo Arábico, onde fica o Estreito de Ormuz, atualmente fechado por causa da guerra de Estados Unidos e Israel com o Irã.
Gularte descreveu mudanças nas operações para as entregas, mas normalidade no abastecimento. Segundo o executivo, desde 2024, por questão estratégica do ponto de vista sanitário, primeiro pelo Newcastle e depois pela gripe aviária (o Brasil registrou focos em 2024 e 2025, respectivamente), a companhia tomou decisão estratégica de manter estoques operacionais nos países de destino.
“Nós tomamos essa medida e agora, quando nós temos que viver essa situação de conflito bélico, a medida tomada por razões sanitárias acaba prevalecendo e nós temos possibilidade de, quando esse fato da guerra ocorre, nós estarmos com os nossos estoques posicionados nos países de destino”, afirmou ele. A medida, inclusive, gerou incremento nos custos de estocagem para a empresa.
Destacando que a BRF tem operações no Oriente Médio desde a década de 1970, Gularte lembrou que a companhia possui distribuição própria na região e que desenvolveu toda uma expertise logística, que a permitiu não só fazer o atendimento com o estoque já posicionado, mas realizar redirecionamentos.
“As cargas que estavam em águas foram deslocadas para portos que estão e que estavam operacionais e uma vez chegando nesses portos operacionais, nós distribuímos, de forma interna, através seja de frete marítimo via feeder ou frete terrestre via caminhão, nas diferentes regiões de todo o Oriente Médio”, disse.
Países árabes do Oriente Médio como Iraque, Kuwait, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos dependem da passagem pelo Estreito de Ormuz para receber navios em seus portos (os Emirados têm pequena parte do território antes do estreito). Outros, no entanto, como Arábia Saudita, Iêmen e Omã, não são dependentes de Ormuz. A Arábia Saudita, além de costa no Golfo Arábico, é banhada pelo Mar Vermelho.
“Os redirecionamentos que nós fizemos, se valendo da malha logística local que nós possuímos, e nós conseguimos atender a todas as regiões sem nenhum tipo de ruptura para os nossos clientes e para o mercado nos diferentes países. Ou seja, nesse momento a gente está conseguindo, sem nenhum problema, atingir o nosso objetivo que é suprir a demanda”, disse Gularte.
O CEO citou ainda a absorção de custos, com a taxa de frete de guerra, pelos preços na região. “Esse mercado já vinha mostrando uma demanda maior e um preço em ascensão. Isso, evidentemente, quando acontece o evento da guerra, isso se intensifica”, disse ele. “Quanto ao aspecto de custos, não está havendo nenhum problema. Essa taxa de frete de guerra que as companhias marítimas estão exercendo hoje, ela foi absolutamente absorvida pelo mercado e inclusive nesse momento até acima disso”, falou o CEO.
Na apresentação de resultados, a MBRF apresentou vários projetos de investimentos feitos no Golfo em 2025, como a construção da fábrica de processados em Jeddah, na Arábia Saudita, com previsão de inauguração no segundo semestre de 2026, a expansão da linha de empanados em Kezad, nos Emirados Árabes Unidos, expansão da linha de shawarma na cidade saudita de Dammam e a entrada no segmento de frango resfriado, com início do abate local na Arábia Saudita, através da Addoha Poultry Company.
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