São Paulo – Fundada em setembro de 1996 pelo paulistano Adriano Lucchesi e dois amigos de juventude, Carlos Tadao Kawamoto e Guilherme Spina, logo após uma expedição de quase um ano pela Ásia e Europa, a Atlantic Connection Travel (ACT) completou 30 anos no mercado tendo como base o turismo de brasileiros a países africanos.
“Desde adolescente eu tinha o sonho de viajar pelo mundo só com a mochila nas costas. Por isso, assim que me formei em 1995, fui com meus dois amigos para destinos poucos conhecidos dos brasileiros naquele momento. Só na Ásia ficamos por seis meses. Voltei tão impactado por essa experiência, que resolvi tirar do papel meu sonho de criar uma empresa, e ao lado deles, fundei a Atlantic, aos 24 anos”, conta Lucchesi, administrador graduado pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Diferente do modelo tradicional das agências de viagens, que trabalham com destinos mais clássicos, como Europa e América do Norte, e que revendem pacotes de terceiros, a operadora brasileira trilhou um caminho oposto, ao se especializar integralmente no continente africano com operações próprias.
A atuação, que hoje se estende por metade dos países africanos, abrange desde as nações árabes do Norte do continente, como Egito, Marrocos e Tunísia, até circuitos de safári e praias no Leste e Sul do continente.
“A ideia de criar uma empresa voltada para turismo veio para atender um público brasileiro que ainda não estava preparado para viajar sozinho. Quando pensávamos no destino escolhido para nossas viagens, a gente queria escolher um local que tivesse um volume mínimo de procura”, diz Lucchesi.

A indecisão de onde focar as viagens da empresa não durou muito tempo. A escolha foi feita depois do retorno da viagem de quase um ano dos fundadores, quando Adriano e os sócios foram em uma feira em Johannesburgo, na África do Sul.
“Naquela época o estado africano estava se redemocratizando e voltando a atuar internacionalmente no turismo, e isso nos chamou muita a atenção. Voltamos maravilhados com o destino e cogitamos começar a fazer viagens para lá. Depois que a gente calculou o tempo de distância do voo, a decisão foi tomada e apostamos no local como primeiro destino da nossa empresa”, afirma Lucchesi, que tem MBA em Economia do Turismo pela Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (USP), mestrado em Sustentabilidade no Turismo na África do Sul também pela USP e é o único sócio à frente dos negócios no momento.
“Além disso, a outra razão pela qual escolhemos a África como foco principal não foi apenas amor ou paixão, mas uma leitura estratégica de mercado. A África, além de ser um continente ainda pouco explorado pelos turistas, é um lugar onde as pessoas sentem mais dificuldade em fazer uma viagem independente, por isso, procuram o auxílio de uma operadora especialista.”
Viajando ao Norte da África
Entre os destinos árabes da África, Egito e Marrocos despontam como mercados consolidados, mas com perfis de consumo bem distintos.

“O Egito sempre foi um dos destinos clássicos mundiais, muito concentrado nas pirâmides, em cidades históricas como Luxor e Assuã e nos cruzeiros pelo Rio Nilo. Já é um público mais tradicional. O Marrocos, por outro lado, cresceu forte com a retomada dos voos diretos e atrai um viajante mais jovem e aventureiro, no qual conseguimos aplicar até viagens no formato self-drive, com o cliente dirigindo seu próprio carro alugado”, pontua Lucchesi.
Segundo Adriano, apesar de estar nos roteiros oferecidos pela empresa, a Tunísia ainda não é muito procurada por seus clientes.
Personalização, natureza e três gerações
Comercializando pacotes completos, que englobam voos internacionais e domésticos, reservas em lodges de safári, guias locais credenciados e transfers, a empresa faz roteiros customizados para pessoas viajando sozinhas, casais e famílias.

“O grande motor da empresa hoje são as viagens familiares. Atendemos desde pequenos grupos a famílias inteiras com 35 pessoas reunidas”, diz Lucchesi. “Temos casos de passageiros que fizeram a lua de mel conosco há 20 ou 25 anos e que hoje retornam levando os netos, reunindo três gerações na mesma viagem. Essa fidelidade de quem viajou lá atrás e nunca esqueceu a qualidade do atendimento é a maior recompensa do nosso trabalho.”
Em fluxo absoluto de passageiros, o destino mais procurado na operadora segue sendo a África do Sul, seguida pela Tanzânia — que lidera o faturamento total da companhia —, Quênia, o circuito regional do sul (abrangendo Botsuana, Namíbia, Zimbábue e Moçambique) e as ilhas do Oceano Índico.
Duas frentes e distribuição global
Para gerenciar a complexidade logística do continente e o crescimento exponencial que a empresa estava conquistando com o passar dos anos, a marca decidiu adotar um modelo binacional dividido em duas frentes complementares.
No Brasil, a empresa mãe, Atlantic Connection Travel, é responsável por captar clientes e prestar atendimento exclusivo aos viajantes que moram nas Américas.
Já na Cidade do Cabo, na África do Sul, onde Lucchesi mora atualmente, a ACT Afrika Tours & Safaris, fundada em 2009, fica responsável pela coordenação das operações na África, além das vendas de pacotes para viajantes da Europa, Ásia e Oceania.
A operação é impulsionada desde o início por uma sólida parceria com a South African Airways, uma companhia aérea especializada em voos para o continente africano.
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Reportagem de Rebecca Vettore, em colaboração com a ANBA


