ONG facilita revalidação de diplomas para refugiados

A Compassiva, em parceria com a ONU, trabalha no projeto de revalidação de diplomas desde 2015. Até hoje foram atendidos 160 casos, com 18 diplomas entregues, e 48 processos estão em andamento.

Bruna Garcia Fonseca
bruna.garcia@anba.com.br

São Paulo – A ONG Compassiva está facilitando a revalidação de diplomas para refugiados em São Paulo. O projeto começou em 2016, ajudando pessoas com qualificação de graduação, mestrado e doutorado em seus países de origem. A ONG já atendeu 160 casos, entregou 18 diplomas e tem 48 processos em andamento.

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“O processo pode reintroduzir o refugiado à sociedade e fazer com que ele possa atuar em sua área de especialização, ganhando um salário melhor, além de somar ao mercado e à economia brasileira”, disse o presidente executivo da Compassiva, André Leitão.

Os beneficiados de origem árabe vêm principalmente da Síria (cerca de 50% do total), e de países como Iêmen, Sudão, Iraque, Líbia, Tunísia e Egito. Existem processos de revalidação para refugiados de outras nacionalidades como Congo, Irã, Gana, Angola, Cuba, Camarões e Paquistão. Os principais cursos são Engenharia (diversos), Farmácia e Ciências (da Tecnologia, Contábeis e da Informação).

A Compassiva foi criada em 2014 e começou oferecendo aulas de português para refugiados de língua árabe (sírios, iraquianos, palestinos, egípcios, entre outros). A partir daí, foi conhecendo e entendendo as necessidades de cada um deles, e criou o projeto dos diplomas, com o apoio financeiro do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), em 2016. A entidade ajuda também com a burocracia e se preocupa em humanizar o processo.

Para Leitão, a revalidação “é mais que um papel, é um resgate da dignidade e da identidade da pessoa, além de ser uma forma de ela obter uma integração permanente e uma independência mais rápida”.

Processo

Para revalidar o diploma, é preciso ter em mãos o diploma original, o histórico escolar e o conteúdo programático. Qualquer pessoa pode dar entrada no processo. Na Compassiva, a advogada Camila Suemi é a responsável pelo projeto. Os documentos são enviados a uma universidade pública (estadual ou federal) junto com a tradução juramentada, que pode chegar a custar R$ 10 mil. As universidades cobram ainda uma taxa que pode chegar a R$ 3.200.

A ONG arca com todas as despesas para a revalidação, porém, não tem o poder de reduzir o tempo de espera para a entrega do documento. “Por lei, a universidade tem até 180 dias para devolver, mas tivemos casos de entrega entre um mês e um ano”, contou Leitão. Ele informou que um projeto de lei foi aprovado no ano passado para isentar de taxas a revalidação nas universidades do estado de São Paulo, e está aguardando a sanção do governador.

Serviço

Revalidação de Diplomas para Refugiados
ONG Compassiva
revalidacao@compassiva.org.br
(11) 2537-3449

Arquivo/Compassiva

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