Presidente do BNDES apresenta oportunidades aos árabes

Gustavo Montezano falou em webinar promovido pela Câmara Árabe em parceria com o BNDES, que reuniu empresários e autoridades árabes.

Bruna Garcia Fonseca
bruna.garcia@anba.com.br

São Paulo – O presidente do BNDES, Gustavo Montezano (foto acima), apresentou oportunidades de investimento no Brasil a autoridades e empresários árabes nesta quinta-feira (25) em um webinar promovido pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, empresa pública federal que tem por objetivo o financiamento de longo prazo e investimento em todos os segmentos da economia brasileira.

No evento virtual “Brasil – Panorama e Oportunidades para Investimento”, Montezano apresentou o trabalho do banco aos árabes por cerca de 40 minutos, e em seguida respondeu algumas perguntas de partes interessadas. Em sua exposição, Montezano contou que o BNDES é um banco estatal e um braço do Ministério da Economia. Ele afirmou que estamos vivendo um momento delicado, que a pandemia é algo novo para o Brasil e para o mundo, e uma variável econômica difícil de prever e precificar.

O presidente do banco traçou um panorama geral da economia brasileira, dizendo que o governo do início do século 21 conseguiu controlar a inflação, e que há cerca de quatro anos o Brasil vem passando por um ajuste fiscal e por várias reformas estruturais profundas, e afirmou que há uma série de outras “microrreformas” muito importantes a serem feitas no Brasil, principalmente no que diz respeito a concessões e privatizações.

Segundo Montezano, as agendas prioritárias para o BNDES ao longo dos próximos anos estão concentradas nos setores de infraestrutura; cadeia produtiva; educação, saúde e segurança pública; difusão e inovação tecnológica; crédito e mercados de capitais; sustentabilidade, modernização estatal e desenvolvimento regional; privatizações; e papel contracíclico.

“Concedemos empréstimos que podem ser pagos em até 35 anos. A participação do BNDES é fundamental para o desenvolvimento do País”, afirmou Montezano. Ele informou ainda que o BNDES não é um banco aberto ao público, mas um banco voltado a empresas. “Se eu fosse resumir a nossa missão, somos um banco de investimentos para o estado brasileiro”, disse.

Ele informou ainda sobre a agenda de desinvestimento e concessões, e disse que o banco está aberto a colaboração com terceiros. Ele afirmou que o BNDES pretende desinvestir em empresas estatais como a Petrobras, a Vale e a Eletrobras, entre outras, vendendo sua participação para investidores privados.

O presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun

Ele contou que o banco lançou em 2019 uma plataforma digital chamada Fábrica de Projetos, para facilitar a conexão entre os investidores de capital de longo prazo nacionais e internacionais e dar acesso direto a informações sobre os projetos conduzidos pelo banco.

Montezano disse que atualmente há 122 projetos em vigor financiados pelo banco em 18 setores, envolvendo R$ 228 bilhões em despesas de capital. Os maiores leilões de concessão previstos são os de rodovias, saneamento e portos, além da privatização da Eletrobras e dos Correios. O governo tem ainda o projeto para o que ele chama de “concessões de sustentabilidade” para 36 parques estaduais e um parque federal, visando o ecoturismo, além de cinco áreas de floresta na Amazônia e três áreas de floresta nacional no Sul do Brasil, que poderão ser exploradas e desmatadas para a produção de produtos de madeira.

Ele afirmou ainda que o BNDES tem diversas ações de sustentabilidade, com energias renováveis, saneamento, investimento social, recuperação e preservação de biomas e desenvolvimento urbano.

Perguntas e respostas

O secretário-geral e CEO da Câmara Árabe, Tamer Mansour, e o Chefe de Relações com Investidores do BNDES, Gabriel Ervilha, conduziram as perguntas e respostas do webinar. Ervilha se colocou à disposição para tirar dúvidas e conversar com potenciais investidores.

A CEO da Dima, Luana Ozemela

O diretor-geral do banco de desenvolvimento islâmico ITFC Sovereign Energy Fund (Isef), dos Emirados Árabes, Anisse Terai, perguntou sobre os investimentos na cadeia de suprimentos. “Desempenhamos um papel importante na cadeia de suprimentos, nossa principal posição é através de empréstimo aos bancos, que por sua vez emprestam para os compradores. Temos um portfólio extenso nesse sentido. Quando olhamos para a exposição das nossas instituições financeiras, é agronegócio e cadeia de suprimentos”, disse o presidente do BNDES.

Ele falou, porém, que o banco fará um anúncio na área de financiamentos em alguns meses, que vai impactar principalmente o setor de produtos industrializados e defesa. “Nos últimos dezoito meses, temos trabalhado com o ministro da Economia, o Ministério de Relações Exteriores e o ministro da Defesa para reformarmos totalmente a nossa área de financiamentos”, afirmou Montezano. Ele mencionou ainda que é provável que o BNDES tenha o que ele chamou de “EX-IM Bank” para a sociedade brasileira, se valendo da abreviatura do Banco de Exportação-Importação dos Estados Unidos. “Não está concluído ainda, estamos conversando com os ministérios”, disse.

Presidente executiva da Development Impact Managers & Advisors (Dima) em Doha, no Catar, a brasileira Luana Ozemela perguntou sobre formas de implementar maneiras mais eficazes de materializar oportunidades do ponto de vista prático.

“Nós acreditamos que o primeiro passo para os investidores que não estejam familiarizados com o Brasil deva ser feito em parceria com um banco como o BNDES. Também é importante fazer isso com um gestor local de fundos em vez de ter uma exposição direta aos investimentos financeiros. Estamos propondo uma família de fundos com créditos e com private equity para que o BNDES possa fazer talvez o financiamento de 20% ou 30% daquele fundo e possa contar com os outros 70% vindo de diferentes investidores que façam um co-investimento conosco. Mas sempre com a gestão de um grande fundo gestor de investimento que faça parte da comunidade financeira brasileira. Essa é uma ideia que estamos avançando para os investidores financeiros”, disse Montezano. Para indústrias específicas ou para acordos de colaboração, ele afirmou que é necessário conversar caso a caso.

Radouane Adamou, gerente geral do MOBH Group

O gerente geral da divisão de agricultura e alimentos do Mohammad Omar Bin Haider Holding Group (MOBH) Group de Dubai, Radouane Adamou, perguntou sobre as possibilidade na agricultura e área florestal.

“Na área de agricultura o BNDES é o principal financiador do Plano Safra, temos um agente passando linhas subsidiadas do governo para os agricultores no Brasil. Temos essa operação por meio de um agente de empréstimo indireto. Também estamos tentando encontrar novas formas de oferecer garantias aos agricultores brasileiros. Quem tiver interesse em participar de algumas atividades financeiras ou de áreas especificas da produção agrícola, podemos trabalhar juntos oferecendo garantias ou atuando como intermediários para alguma parte do suprimento local. Podemos dar apoio às operações financeiras e a parte do capital de giro da produção”, disse Montezano.

“Temos também uma segunda linha de atuação, o banco de investimento com a Fábrica de Projetos. Na Fábrica de Projetos, estamos fazendo modelagem de projetos para a concessão de florestas naturais. Nesse caso, é possível explorar essa madeira natural usando-a para construções ou móveis, por exemplo, de uma forma 100% legal, trabalhando com a regulamentação e mantendo a saúde da floresta. Estamos trabalhando com isso para o ano que vem ou talvez para o começo de 2023″, disse o presidente do BNDES.

Abdullah Alrabiah, diretor geral executivo para a Autoridade de Segurança Alimentar da Arábia Saudita

Abdullah Alrabiah, diretor geral executivo para a Autoridade de Segurança Alimentar da Arábia Saudita, afirmou que vê muito potencial para colaborar em conjunto com o BNDES, principalmente nas áreas de agricultura e energias renováveis.

Na abertura, o presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun, afirmou que temas como segurança alimentar, logística, sustentabilidade, meio ambiente e tecnologia são pautas estratégicas e complementares para ambas as regiões, com muitas oportunidades de investimentos, e que embora relevante, o investimento dos árabes ainda tem alto potencial de crescimento.

“Sabemos que precisamos trabalhar pontos importantes no Brasil para nos tornarmos mais atrativos para receber esses investimentos. Informações e aparatos legais claros, o fim da bitributação, criação de facilidades, apoio aos investidores árabes, são alguns pontos primordiais para o futuro dessas parcerias, assim como a discussão e elaboração de leis que favoreçam investimentos diretos privados. A Câmara árabe se coloca à disposição para apoiar o estreitamento dessas relações”, disse Hannun.

Tamer Mansour informou que este foi o primeiro webinar que a Câmara Árabe promoveu em parceria com o BNDES e que acredita que devem fazer em conjunto mais dois ou três eventos virtuais de outros setores.

Reprodução
Reprodução
Reprodução
Reprodução
Reprodução

Publicações relacionadas