Uma fotógrafa entre a Jordânia e o Brasil

A brasileira Dani Sandrini prepara a exposição ‘Souvenir Poético’, na qual as fotos responderão a perguntas de brasileiros sobre a Jordânia. Ela morou em Amã e construiu sua carreira no Brasil e no país árabe.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – A fotógrafa brasileira Dani Sandrini está finalizando os preparativos para a exposição “Terra Terreno Território”, que retrata indígenas da cidade de São Paulo, mas também trabalha na organização de imagens que fez na Jordânia e que pretende transformar em mostra fotográfica no ano que vem. Dani Sandrini mora na capital paulista, mas desde o início dos anos 2000, quando passou uma temporada em Amã, onde também morou anos depois, a sua história com a fotografia é assim: entre o Brasil e a Jordânia.

Ela se formou em Comunicação, mas construiu sua carreira unindo foto, arte e educação – e mais recentemente psicanálise. Os primeiros anos de fotógrafa foram voltados ao teatro e cinema, tanto clicando espetáculos como compondo cenários, cuidando de direção de arte e de fotografia. Logo depois vieram os projetos educacionais, a maioria desenvolvidos em parceria com organizações sociais, e nos quais ela usou a fotografia para trabalhar assuntos como a cidadania, o pertencimento a um local, entre outras temáticas.

“Nunca fiquei em uma área só”, afirmou a fotógrafa para a ANBA, relatando também seu trabalho com fotos comerciais, para eventos corporativos, casamentos, retratos em estúdio, imagens para revistas. Paralelamente, ela foi desenvolvendo os projetos autorais, que são as fotos para exposições, dentro dos seus temas de interesse. Um dos primeiros mostrou o que há de bonito no Glicério, bairro do centro de São Paulo, conhecido por seus problemas.

Na Jordânia, fotos com interferências da cidade

Os laços com a Jordânia surgiram no ano 2000, quando Dani Sandrini resolveu viajar de mochila pelo Oriente Médio. O primeiro destino foi Israel, depois Egito e Jordânia, este último onde ela ficou por um tempo. “Senti uma ligação importante com a Jordânia”, afirma. Entre idas e vindas da Europa à Jordânia foi um ano e meio, até o casamento com um jordaniano e a volta ao Brasil. “Mas sempre íamos para a Jordânia”, conta.

Em 2010 o casal foi morar em Amã e lá a fotógrafa começou a estabelecer a sua carreira local. Dani trabalhou para uma revista de arquitetura e decoração, fez retratos de família, books, deu cursos de fotografia. Mas ficou viúva e voltou para o Brasil em 2012. Foi o Festival da Imagem de Amã que a chamou de volta, quando deu ao seu trabalho fotográfico o prêmio de primeiro lugar na edição de 2015. O tema era “Together” e Dani fez imagens de uma brasileira no trem, sozinha, mas supostamente esperando, se despedindo ou indo encontrar alguém.

A seleção para o festival também previa o desenvolvimento de um trabalho na Jordânia e ela criou o “Fragmentos de um retorno”. Fotografou lugares que tivessem relação com sua memória afetiva no país e, depois de reveladas as fotos, as pendurou em muros de Amã. Depois de um tempo, clicou essas mesmas fotos penduradas, com as interferências que haviam sofrido. A exposição, no festival, ganhou imagens das fotos de Dani com areia, café respingado, rasgos e outras intervenções. As fotos foram expostas depois em duas oportunidades no Brasil.

Foi na viagem para a Jordânia em 2015 que a fotógrafa alinhavou outro projeto, que deve ser transformado em exposição no ano que vem. Dani Sandrini o chamou de “Souvenir Poético” porque levou na mala 37 pedidos de conhecidos do Brasil sobre o que gostariam de saber a respeito da Jordânia. Se a curiosidade era sobre as famílias, ela fotografou, se era sobre as luzes, ela também fotografou, se era sobre os escritos, fotografou. Ruas e souks? Fotografou. Esse material será agora organizado para virar exposição, possivelmente na capital paulista, em 2020.

Fotógrafa clicou indígenas em São Paulo

A mostra sobre a Jordânia deverá ganhar prioridade na agenda da fotógrafa assim que ela estrear a exposição “Terra Terreno Território”, que traz imagens de aldeias guaranis que sobrevivem nas zonas sul e oeste da capital paulista. A exposição será aberta no dia 5 de outubro, na Biblioteca Mario de Andrade, em São Paulo. A impressão das fotos foi feita em papeis sensibilizados com o pigmento extraído do jenipapo, o mesmo que os indígenas usam em suas pinturas corporais, e sobre plantas. A mostra fica aberta até 13 de dezembro.

Nos últimos seis anos, a dedicação de Dani Sandrini tem ficado voltada principalmente aos projetos autorais, apesar de ela seguir fazendo fotos comerciais e dando cursos. À carreira foi agregada ainda a formação em Psicanálise. Ela faz acompanhamento terapêutico a pacientes. Ocasionalmente, Dani usa a fotografia como recurso para o trabalho. “Muitas vezes, na psicanálise dizemos de algo que não é propriamente dito. Dizemos sem dizer. O mesmo acontece com a fotografia. Além do óbvio que mostramos na fotografia, ela também diz de algo que não está lá explícito, mas está lá de muitas formas”, afirma.

Dani Sandrini ainda não sabe quando voltará à Jordânia, com a qual cultiva ligação especial. “Mas toda vez que eu penso em cruzar o oceano, eu penso: vou dar um pulo na Jordânia”, diz. A exposição de 2020 sobre o país árabe, a “Souvernir Poético” ainda não tem local definido ou patrocínio.

Contato:
Fotógrafa Dani Sandrini
Site aqui – Telefone: (11) 99432-7933

Joana Senger
Dani Sandrini
Dani Sandrini

Publicações relacionadas