São Paulo – Em 2019, os irmãos e sócios Jaime e Marcos Venturin, paranaenses que atuavam no setor madeireiro, decidiram iniciar um hobby: produzir mel. Com o intuito de dar um destino sustentável às sobras de madeira da marcenaria na confecção das colmeias, e aproveitando a estrutura da propriedade para implantação do apiário, os Venturin começaram com 25 colmeias, voltadas ao consumo familiar.

“Como temos esse perfil empreendedor e um planejamento estruturado, identificamos rapidamente o potencial de mercado dos produtos apícolas. Investimos fortemente na expansão da atividade, ampliando o número de colmeias para aproximadamente mil unidades, distribuídas em 15 propriedades parceiras, alcançando uma produção média anual de 20 toneladas de mel”, conta Jaime.
Hoje, a Venturin Apicultura tem oito produtos em catálogo, incluindo o Mel de Melato da Bracatinga, que diferentemente dos méis florais, não é originado do néctar das flores, mas do melato, substância açucarada excretada por insetos que se alimentam da seiva da bracatinga (Mimosa scabrella), árvore típica do Planalto Sul Brasileiro.
“Esse fenômeno ocorre de forma cíclica e natural, dependente de condições climáticas específicas, o que torna a produção limitada e altamente valorizada”, explica o produtor. O mel de coloração escura intensa tem uma baixa tendência à cristalização e é menos doce que os méis florais. Outro diferencial é que ele só é colhido de dois em dois anos, e somente em anos pares.

“Além de sua singularidade sensorial, o Mel de Melato da Bracatinga possui Indicação Geográfica (IG), reconhecendo sua origem exclusiva no Planalto Sul Brasileiro e assegurando autenticidade, rastreabilidade e identidade territorial.” Por tudo isso, o Mel de Melato da Bracatinga já recebeu importantes reconhecimentos, como Medalha de Prata (categoria Mel Escuro) no Concurso Sul-Brasileiro de Méis 2023; Top 10 no Prêmio Bom Gourmet Paraná 2025 e quarto lugar no Prêmio CNA Brasil 2024.
Olhar para o pequeno
Foi também em 2019 que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) criou o Programa de Alimentos Artesanais, que entre muitas frentes realiza o Prêmio CNA Brasil, este no qual os irmãos Venturin ficaram em quarto lugar. Fernanda Regina Silva, assessora técnica da confederação à frente do programa, conta que ele foi pensando para justamente para contemplar os pequenos e médios produtores.

Distribuído em cinco eixos, o programa auxilia os produtores de alimentos artesanais em frentes como regularização e regulamentação, tributação e linhas de crédito, organizações coletivas, treinamento e capacitação (em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR) e comercialização e marketing. Neste último, há ações como convidar um chef de renome para cozinhar com um dos produtos selecionados nas premiações. Neste ano, estão abertas as inscrições para o Prêmio nas categorias Azeite de Oliva, Cachaça e Doce de leite (saiba mais aqui).
Em quase sete anos de projeto, o programa se popularizou no Brasil todo. “Antes eu tinha que ficar atrás de jurados técnicos para os concursos, hoje estamos tão conhecidos que eles que vêm nos procurar”, celebra Fernanda. Graças a um banco de dados criado pela equipe dela, é possível mapear muito do que vem sendo feito nessa área no Brasil.
Azeite brasileiro
Outra premiada no CNA Brasil é a gaúcha Capolivo, criada em 2018, então com uma produção simbólica de apenas 300 litros de azeite. A empresa é sediada em Canguçu, no Rio Grande do Sul. “Em 2019, a produção passou a ser em escala comercial”, conta Carolina Capoani, uma das sócias da Capolivo. “Desde o início, o projeto já nasceu com foco na produção do azeite próprio: as azeitonas sempre foram cultivadas para a elaboração do produto final da marca, e não para venda a terceiros”.

A empresa é familiar e, no primeiro ano de vendas, as três netas do idealizador, Carolina inclusa, saíram de porta em porta apresentando o Capolivo a potenciais clientes, levando ao mercado um produto totalmente novo. O nome, inclusive, une o sobrenome Capoani e Olivo.
A marca trabalha com variedades de azeitonas de origens espanhola, grega e italiana. Segundo Carolina, as que melhor se adaptaram ao solo e ao clima local foram Arbequina, Koroneiki, Picual e Coratina. A escolha por trabalhar com azeites monovarietais, de uma só variedade, foi estratégica, buscando preservar as características sensoriais próprias de cada variedade e valorizar a identidade de cada uma delas.
Em pouco tempo a Capolivo já conquistou mais de 40 premiações. Entre os principais reconhecimentos estão o prêmio de Melhor Azeite do Brasil Monovarietal pela CNA, Melhor Azeite do Brasil e do Hemisfério Sul pela Brazil International Olive Oil Competition e Melhor Azeite do Brasil pela Olivinus. “A qualidade reconhecida é atribuída ao terroir, ao clima e ao solo especiais para a produção, além do forte envolvimento familiar em todas as etapas do processo”, afirma a produtora.

Durante o período de colheita, a operação chega a empregar 28 pessoas na fazenda, sendo 10 funcionários fixos. A área comercial é conduzida internamente pela família: são três irmãs à frente da comercialização, com o apoio do tio. O pai, engenheiro agrônomo, atua mais diretamente na fazenda, junto a um técnico responsável pela gestão da propriedade. O avô, aos 90 anos, permanece como figura central da empresa. Somente na área de marketing é que eles contam com uma empresa terceirizada.
Vendas e exportação
Hoje, a Capolivo vende para todo o Brasil por meio da loja online e atende empórios, delicatessens, lojas de produtos naturais e algumas redes de supermercados premium. Os principais mercados estão no Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Brasília, mas o alcance é nacional. “Atualmente, a empresa ainda não exporta, mas há interesse em expandir para o mercado internacional e levar o azeite a novos paladares ao redor do mundo”, anuncia Carolina.
A Venturin Apicultura segue na mesma linha: tem sua própria loja online que vende para todo o país. O principal mercado está concentrado nas regiões Sul e Sudeste, com envios para todo o território nacional. “Somos empresa habilitada à exportação, possuímos certificação orgânica e participamos do projeto Net Zero Brasil, em parceria com o Sebrae, integrando iniciativas voltadas à descarbonização e à sustentabilidade empresarial — alinhados à estratégia de inserção no mercado internacional”, diz Jaime, com a certeza de que seu mel ainda irá adoçar paladares internacionais.
Saiba mais:
https://www.venturinapicultura.com/
https://www.capolivo.com.br/
@azeitecapolivo
@venturinapicultura
Reportagem de Débora Rubin, em colaboração com a ANBA


