Tânger – Em poucos lugares do mundo é possível contemplar o encontro de um mar com um oceano. Um deles é o Marrocos, país árabe do Norte da África. Na zona costeira de uma das mais belas cidades marroquinas, Tânger, fica um ponto alto e rochoso, o cabo Spartel, de onde se avista a união entre o Mar Mediterrâneo e o Oceano Atlântico. As massas de águas salgadas se fundem num vasto azul, impossibilitando dizer com exatidão onde um termina e o outro começa.

O que se tem diante dos olhos estando naquela porção de terra que avança sobre as águas, o cabo, é o Estreito de Gibraltar, passagem que, além de abrigar a confluência entre o Mar Mediterrâneo e o Oceano Atlântico, separa os continentes africano e europeu. Dizer separa é até contraditório porque naquele ponto Europa e África ficam muito próximas, com pouco mais de dez quilômetros de águas como fenda. De Spartel dá para ver o território europeu em contornos.
País muito voltado ao turismo, o Marrocos preparou esse seu trecho de beira-mar para receber os viajantes. No complexo turístico do cabo, caminhos de pedra e escadas levam a bons pontos para a vista, em um ambiente que parece um grande jardim verde e florido, de costas montanhosas e salpicado por palmeiras. O farol que fica em um dos extremos de Spartel, fundado em 1864, completa o ambiente, encravado em uma casa de arquitetura típica da região, feita de cores claras, torre, janelas finas e longas, vitrais coloridos.

Antiga residência do faroleiro, a casa hoje abriga um museu no térreo e demais pavimentos. No último andar fica o mirante do farol. O cabo está a cerca de 300 metros de altitude, o que já privilegia o cenário, mas no mirante os turistas podem ver as águas ainda mais do alto. Uma escada caracol estreita, de dentro do museu, dá acesso ao espaço externo no topo, de ambiente desafiador se o dia for de muito vento, mas de paisagem espetacular. Do terraço panorâmico se tem a impressão que mar e céu se juntam num só, como as águas lá embaixo, apenas em tons diferentes de azul.
No museu, um texto de apresentação informa que ali estão registrados momentos-chave das relações do Marrocos com potências estrangeiras, a história do comércio marítimo e da navegação. Cercadas por rochas, as águas próximas ao cabo eram consideradas perigosas, o que fez do museu um narrador de tragédias e glórias que de alguma forma tiveram relação com o Estreito de Gibraltar. O museu traz, inclusive, o registro de uma grande catástrofe brasileira, o naufrágio do navio Dona Isabel, em 1860, naquela costa.

Quadros na parede trazem enredos sobre as embarcações, também sobre o próprio farol, seus dados mais técnicos, a arquitetura assinada pelo francês François Léonce Reynaud. Também há acesso à história ali registrada por meio de vídeos, mapas, maquetes, esculturas, imagens. No meio da edificação, um pátio central aberto transforma o museu em um riad, com direito ao sol do meio-dia e a algumas folhagens verdes que tornam o espaço bem convidativo. O cabo Spartel tem em seu complexo ainda espaços gastronômicos, de comércio e exposições, entre outros atrativos para turistas. No site oficial, saiba mais sobre como visitar o Cabo Spartel.
Ali na medina
O cabo Spartel não está longe da medina de Tânger. Por isso, se o roteiro turístico não abrange vários dias nessa cidade marroquina, vale pelo menos dar uma circulada por sua área histórica e percorrer sua costa. Da cidade velha de Tânger é possível se deparar com vários ângulos do mar, como cenário de fundo para áreas altas e rochosas, para as escadarias da medina ou mesmo aparecendo lá mais atrás das construções antigas das vielas. Andar pelas ruas da medina é se deparar com história, artesanato, aromas, gente estrangeira e nativa que vem e vai. A cor branca que predomina em Tânger é um refresco para o espírito.
Leia abaixo as demais reportagens da série sobre turismo no Marrocos:
A jornalista viajou a convite da Royal Air Maroc, Dar Ba Sidi & Spa e agência Alizés


