São Paulo – As exportações brasileiras de biscoitos e derivados para o Oriente Médio registram expansão de 73% em valores e de 38% em volumes no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) compartilhados com a ANBA. Até junho, foram exportados US$ 2,3 milhões em valores e 815 toneladas em volume.
Em divisas, o desempenho registrado nos seis primeiros meses de 2026 se aproxima de todo o ano de 2025 e supera quase todos os períodos anteriores nos últimos dez anos. De acordo com o diretor Internacional da Abimapi, Rodrigo Iglesias, o aumento dos valores decorre do aumento do custo do produto com frete e seguro internacional. A região atravessa um conflito que impacta o transporte e eleva seus custos, o que, por outro lado, não tem afetado as perspectivas do setor.
“Ainda que o cenário seja incerto, a expectativa é que novos embarques de biscoitos brasileiros cheguem à região, potencialmente provocando o maior registro histórico das exportações do setor para o Oriente Médio até o final de 2026”, afirma Iglesias.
Ele atribuiu o desempenho ao trabalho realizado pela instituição e por empresas do setor, desenvolvimento de parcerias locais, adequação de produtos e certificações internacionais. Ele cita as empresas Bauducco e M. Dias Branco como duas companhias que participam do projeto setorial Amazing Foods Brazil e são responsáveis por impulsionar as exportações do setor no Oriente Médio. O projeto setorial é uma parceria entre a Abimapi e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para promover os produtos do setor no exterior. As duas empresas participam da feira Gulfood, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, todos os anos.
“Ano após ano, o evento tem dado oportunidade às empresas e às suas marcas de se estabelecerem em todo o Oriente Médio, ainda que exista forte concorrência com marcas globais provenientes da Europa, além de concorrentes bastante competitivos em preços, a exemplo de empresas asiáticas, em particular da Índia”, afirma Iglesias, sobre a Gulfood e o mercado do Oriente Médio.
Integram a região de Oriente Médio no mapa da Abimapi as nações árabes Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Iraque, Jordânia, Líbano, Omã, Palestina e Síria, e as que não são árabes Irã e Israel. Quase a totalidade exportada ao Oriente Médio é formada por biscoitos, especialmente waffles e wafers.
O diretor de Negócios Internacionais da M. Dias Branco, César Reis, afirma que o desempenho da empresa na região é resultado de um trabalho “de longo prazo”, realizado no decorrer dos últimos dez anos.
“Trata-se de um mercado bastante atrativo, porém que exige uma série de adaptações não só nos produtos, mas também na gestão operacional e comercial, tais como inclusão do idioma árabe nas embalagens, certificação Halal, desenvolvimento de formatos e sabores adaptados à demanda local, dentre outras iniciativas”, explica Reis. Halal são produtos feitos de acordo com as normas do Islã e que podem ser consumidos pelos seus seguidores.
“Desta forma, mesmo diante de todas as restrições relacionadas a temas logísticos e à alta competitividade, acumulamos crescimentos de duplo dígito em anos consecutivos, conquistando gradativamente a confiança dos clientes e consumidores da região”, afirma Reis.
Desempenho das vendas do Brasil no ano
Na terça-feira (11), a Abimapi divulgou os resultados consolidados do primeiro semestre deste ano. No total, a receita de exportação do segmento foi de US$ 137,2 milhões, um crescimento de 14% sobre o mesmo período do ano passado. As importações atingiram US$ 108,9 milhões, em alta de 10%, e o superávit do setor chegou a US$ 21,1 milhões, em alta de 34% sobre o primeiro semestre do ano passado.
A instituição afirmou que as exportações continuam a crescer mesmo como as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Os biscoitos brasileiros chegam a 115 países e têm na América do Sul seu principal destino: 58% das exportações seguem para a região. A América do Norte é o segundo maior comprador, com 21% das compras, seguida por América Central e Caribe (7,6%), África (7,5%) e Oriente Médio (3%).
Leia também:
Setor de rochas investe no mercado saudita


