São Paulo – O Egito está enfrentando os desafios econômicos da turbulência que atinge o Oriente Médio de forma mais resiliente e melhor do que em outras situações semelhantes no passado. Na avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI), o país adotou respostas políticas rápidas diante dos desafios econômicos, o que resultou em inflação controlada, amplas reservas internacionais e crescimento.
Em relatório divulgado na noite de segunda-feira (21), o fundo afirma que o Egito fez reformas nos últimos meses que prepararam o país para suportar choques externos. Houve desvalorização da moeda, o que resultou em inflação, porém com um aumento de preços menor do que o esperado.
O crescimento do país no acumulado de 12 meses, ao final do terceiro trimestre fiscal de 2025/2026, chegou a 5% e, na avaliação do fundo, as reservas se mantiveram “confortavelmente acima dos níveis adequados, apesar das saídas de capital”. O Canal de Suez, por onde passam embarcações com destino à Europa e África, retomou suas atividades gradualmente, após uma interrupção temporária em razão das instabilidades regionais.
Mesmo assim, há desafios para o país. “O choque mais recente demonstrou a resiliência aprimorada do Egito, mas vulnerabilidades significativas permanecem. A dívida pública e as necessidades brutas de financiamento ainda são elevadas, o financiamento depende fortemente de prazos curtos e a exposição dos bancos ao governo permanece alta”, afirma o documento, que é assinado pelo chefe da missão do FMI no Egito e diretor-adjunto do Departamento de Oriente Médio e Ásia Central do FMI, Amine Mati, e pela economista sênior do FMI para Oriente Médio e Ásia Central, Yevgeniya Korniyenko.
O FMI estima que as necessidades de financiamento permaneçam em torno de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) no curto prazo e se reduzam gradualmente para menos de 30% até 2030. O FMI afirma que, para consolidar os progressos já alcançados pela economia, o Egito precisará conservar a estabilidade macroeconômica por meio da flexibilidade cambial, de uma política monetária adequadamente restritiva e prudência fiscal ao mesmo tempo em que se realizam reformas.
O FMI recomenda uma governança mais forte de empresas estatais e maior concorrência na economia de forma a reduzir a presença do Estado e criar condições para um crescimento liderado pelo setor privado.


