São Paulo – Talvez você não saiba, mas pode ser que a batata frita que você faz na sua Air Fryer venha do Egito. É que além das produzidas em solo brasileiro e das importadas de países como Bélgica e Argentina, tem entrado no mercado nacional a batata frita (sim, ela já vem pré-frita e congelada) egípcia. A empresa brasileira 52W, que já trazia laranja e morango congelado do país árabe, começou a intermediar a venda de batata pronta. “Em um momento de hiperinflação alimentícia, o produto egípcio entra como uma opção mais barata no mercado brasileiro”, explica um dos sócios da 52W, Gustavo Fávero. Isso mesmo com os altos custos de importação, incluindo o frete.

Uma das marcas trazidas se chama Frizzles, mas ele também importa a batata frita congelada para fábricas brasileiras que depois só fazem o envase com sua marca própria. Hoje, Gustavo trabalha com três empresas egípcias. A exportação de batatas vem crescendo no país árabe, assim como a de produtos agrícolas como um todo. Em 2025, as exportações de produtos agrícolas do Egito contabilizaram 9,5 milhões de toneladas, um aumento de 800 mil toneladas em comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo uma receita recorde de US$ 11,5 bilhões (R$ 60,8 bi). Os cítricos lideraram a lista, seguidos pelas batatas.

Em dezembro, Gustavo Fávero foi convidado para participar da feira Food Africa, no Egito, e aproveitou para conhecer plantações de batata e laranja e a produção de batatas em fábricas com as quais ele já trabalhava e outras novas. “A questão da segurança alimentar é um tema muito sério, então poder conhecer os locais onde os alimentos que importamos são produzidos é importante para sabermos se, de fato, atendem aos padrões brasileiros exigidos”, conta. “Consegui ver de perto o que é bom e o que é ruim e selecionar com mais critério.”
Na peneira entre as batatas fritas de qualidade, Gustavo destaca que o seu preço não é dos mais baratos. Por outro lado, o que ele traz ajuda a posicionar o Egito como um país que tem produtos alimentícios de qualidade. O mesmo acontece com o morango congelado que ele importa de lá há mais tempo (no formato de purê, 100% fruta, e polpa, que tem água junto).
Segundo o importador, o consumo de batata frita tem aumentado entre os brasileiros. “Na minha opinião, pode ter a ver com a praticidade do produto – como é pré-frito, pode simplesmente ser colocado no forno, mas também é muito usado no Air Fryer, item que tem aparecido cada vez mais nos lares brasileiros –, mas também com o alto custo de comer fora. E a batata frita era uma coisa que se comia muito fora”, acredita ele. “São tendências que a gente observa, e nas quais a gente presta muita atenção porque é o que nos faz buscar oportunidades boas e mais baratas fora.”
A 52W foi criada há quatro anos. No nome, o significado do slogan deles, que é o de atender seus clientes 52 semanas (W de Week, semana) por ano, com os mesmos produtos. Um ano tem 52 semanas. Para isso dar certo, eles trazem frutas e congelados do mundo todo, de modo que quando a produção do hemisfério sul se esgota, eles começam a importar do hemisfério norte.
Tour de um dia
Durante os 35 dias em que ficou no Egito, apenas no último ele conseguiu ver as famosas pirâmides. Também conheceu, no Cairo, o Grande Museu Egípcio (The Grand Egyptian Museum). “Ele tinha acabado de ser inaugurado, estava fresquinho, e certamente foi um dos museus mais lindos que eu já conheci”, conta. “Já estou ansioso para voltar neste final de ano.”
Saiba mais sobre a 52W.
Reportagem de Débora Rubin, em colaboração com a ANBA.


