Brasil produz maquiagens orgânicas

País tem empresas dedicadas à fabricação sustentável de cosméticos. Empresárias que estão à frente das marcas falaram sobre esse mercado na feira Bio Brazil – Biofach América Latina.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – As empresas da área não são responsáveis por parte expressiva da produção de cosméticos no Brasil, mas o País tem fabricação de artigos para cuidados pessoais e de beleza orgânicos. Uma demonstração disso pode ser vista na feira Bio Brazil – Biofach América Latina, que começou na quarta-feira (5) e ocorre até este sábado (8) no Anhembi, na capital paulista, e que tem como expositoras marcas brasileiras de produtos de beleza orgânicos como Cativa Natureza, Almanati, Souvie, Bioart, Care Natural Beauty, entre outras.

Grande parte das indústrias de produtos de beleza orgânicos é liderada por mulheres e elas falaram sobre seus negócios e sobre esse mercado em painéis da Bio Brazil na quinta-feira (6). O que define um cosmético orgânico é o fato de ele ser composto por ativos naturais vindos da produção sem agrotóxicos, hormônios, adubos químicos, drogas veterinárias, antibióticos ou transgênicos, e que preze a sustentabilidade social, ambiental e econômica. Tanto os insumos quanto a fabricação do cosmético devem observar essas questões.

Zezé falou sobre como nasceu a Almanati

A criadora da marca Almanati, Zezé Ferri Viesi, contou um pouco do que a moveu a fundar a empresa, que é produtora de artigos como creme hidratante, gel esfoliante, protetor labial, xampu, sabonetes e muitos outros de cuidados com o corpo e rosto. “Começou com minha história de vida de querer saber de onde vinham as coisas na minha cidade”, contou ela, que é da cidade paulista de Campinas. “De onde vem o que consumo? O que são alimentos orgânicos? Por consequência, eu entendi o que acontecia na cidade em relação ao lixo, em relação a de onde vem os alimentos e esses foram elementos para me ajudar a desenvolver a Almanati”, diz.

Outra empresária que deu um panorama sobre sua história foi Luciana Navarro Vieira, uma das fundadoras da Care Natural Beauty, que começou a comercializar seus produtos em janeiro deste ano. Luciana era dona de uma produtora de eventos e sua sócia, Patricia Camargo de Divitiis, trabalhava em uma grande multinacional.  A fundação da Care teve relação com a busca das duas por trabalhar em algo que tivesse um propósito por trás. A marca produz batons, blush, máscaras para cílios, iluminadores, entre outros.

Luciana criou Care em busca de propósito

Além de fabricar os produtos orgânicos, a empresa apoia uma séria de outros projetos sustentáveis. As necessaires da marca são de tecidos de descarte feitas por mulheres de uma organização chamada OrientaVida, que reinsere na sociedade mulheres que passaram por situação de vulnerabilidade. A empresa também dá bolsas de estudo para maquiadores pensando em fazer com que esses profissionais cheguem ao mercado com mais noções de sustentabilidade, entre outros projetos e iniciativas nessa linha.

As empreendedoras falaram sobre os desafios de produzir e vender cosméticos orgânicos no Brasil, desde o cuidado para que todo o processo seja sustentável, no fornecimento de insumos até o uso de embalagens recicláveis e a garantia do descarte delas, até a conscientização do consumidor quanto aos preços. Em função de envolver matérias-primas sustentáveis e todas as certificações, os cosméticos orgânicos acabam sendo mais caros que os convencionais.

“Não há uma logística que ajude na reciclagem ou fornecedores de embalagens que ofereçam o que realmente gostaríamos”, afirmou no painel a fundadora da marca Bee Basics Cosméticos Naturais, Patricia Wulkan Dale, diante da vontade ter no mercado brasileiro frascos que se decomponham rapidamente. Não ter esse tipo de embalagem no mercado brasileiro implica em necessidade de importação e impacta nos custos, segundo ela.  A Bee Basics produz linhas de protetores labiais, manteigas corporais, óleos corporais e esfoliantes a partir de ingredientes como óleo de semente de girassol, semente de uva, abacate, amêndoa doce e cera de carnaúba, entre outros.

As empresas brasileiras estão focadas principalmente no mercado interno e uma das dificuldades de exportar é a certificação para as matérias-primas usadas na produção, o que é exigido na maioria dos países consumidores de orgânicos. “É uma cultura que temos que formar para termos todos os ativos brasileiros certificados”, disse Luciana Navarro Vieira. Segundo ela, o Brasil é muito rico em produtos, mas ainda existe um caminho longo para ser percorrido na cadeia como um todo. “A gente tem um trabalho de desenvolver fornecedores locais para que eles possam atender a indústria, mas isso ainda é um processo de maturação”, disse.

Também falaram em painéis sobre cosméticos orgânicos no espaço Arena Inspiração as empresárias Roise Bezecry, da Cativa Natureza; Caroline Villar, da Souvie Cosméticos Orgânicos; Soraia Zonta, da Bioart Biocosmetics, Evelyn Steiner, da Ikove, Ananda Boschilia e Santos, da importadora BScomBrasil (que importa cosméticos naturais), a executiva Maria Cláudia Pontes, presidente da Weleda do Brasil, além de jornalistas, consultoras e blogueiras.

Isaura Daniel/ANBA
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