Brasil tem na comunidade árabe melhor embaixador

A afirmação foi feita pelo subsecretário-geral Político do Itamaraty, Paulo Cordeiro, em homenagem que ele recebeu da Câmara Árabe no Jockey Club de São Paulo. Evento comemorou Dia da Comunidade Árabe.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – A política externa do Brasil em relação ao mundo árabe encontrou na comunidade árabe que vive no Brasil o seu melhor embaixador. A afirmação foi feita nesta segunda-feira (31) pelo subsecretário-geral Político do Itamaraty, responsável por Oriente Médio e África, Paulo Cordeiro de Andrade Pinto, no Jockey Club de São Paulo, na capital paulista. O embaixador foi escolhido como Personalidade Câmara Árabe 2014 e recebeu a Ordem do Mérito da entidade como comendador. O evento também comemorou o Dia da Comunidade Árabe no Brasil, celebrado oficialmente em 25 de março.

Na homenagem, falando diante dos convidados, Cordeiro lembrou das relações entre o mundo árabe e o Brasil e a importância que uma região tem para a economia da outra. "Os empresários brasileiros levaram obras de infraestrutura que revolucionaram estes países", afirmou o embaixador, citando a participação do Brasil na construção do metrô de Argel e na implantação da cotonicultura no Sudão. Na outra mão, ele falou dos fundos do Golfo que têm investimentos no Brasil. Na área humanitária, Cordeiro lembrou da recepção que há no País de refugiados sírios e palestinos.

Ele citou ainda outras ações que aproximam brasileiros e árabes e são frutos da cooperação, como o curso de Introdução ao Islamismo que foi incluído no Instituto Rio Branco, organismo voltado para formação de diplomatas, o trabalho de levar conhecimento médico brasileiro a países árabes, como a Argélia, e o centro esportivo que o País ajudou a criar na Palestina. 

O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Marcelo Sallum, também falando ao público presente no Jockey Club, lembrou do papel do próprio Cordeiro nestas relações de brasileiros e árabes. "É um representante da diplomacia brasileira que muito tem contribuído para o estreitamento dos laços entre o Brasil e os países árabes", disse.

O decano do Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil e embaixador da Palestina, Ibrahim Alzeben, afirmou que o subsecretário elevou o nível da relação das duas regiões. "Um homem que trabalha naquilo que crê. Um árduo defensor da dignidade e da liberdade do ser humano. Um fiel amigo da nação árabe", disse Alzeben sobre o homenageado. "Cordeiro é um conjunto de ética, de bondade e de humildade", falou ainda o decano.

Cordeiro deu demonstração desta modéstia ao afirmar que achava desmerecida a sua condecoração e queria creditá-la à instituição que serve, o Itamaraty. O subsecretário ressaltou que as ações feitas pelo Brasil no mundo árabe projetam o País no cenário internacional e robustecem a política externa brasileira. "É uma política voltada para a projeção da paz e da concórdia", afirmou Cordeiro.

Paulo Cordeiro

O homenageado ocupa seu atual posto de trabalho há três anos. Natural de Salvador, da Bahia, e formado em História, ele afirmou, diante do público presente no Jockey, que deve a condecoração à sua mulher, Vera Estrela. "Um dia ela me disse: vá ganhar mais dinheiro", contou Cordeiro, em sorrisos. Segundo o diplomata, diante da ordem de Vera ele foi fazer o concurso para o Itamaraty. 

O presidente da Câmara Árabe ressaltou a trajetória do diplomata homenageado em seu discurso. Lembrou do trabalho que Cordeiro fez como embaixador do Brasil no Haiti e da importância que seu trabalho teve na missão das Nações Unidas para estabilização do país, além das medalhas que recebeu, entre elas a Grã Cruz da Ordem do Rio Branco e a Medalha do Pacificador, ambas em 2006.

Dia dos árabes

Referindo-se ao Dia da Comunidade Árabe, Sallum lembrou aos convidados quão presente estão os árabes no dia a dia do Brasil, com sua influência no vocabulário, matemática e música, entre outros. Segundo ele, atualmente a comunidade árabe é formada por 12 milhões de descententes no Brasil. "Aqui convivemos em total harmonia com as mais diferentes nacionalidades e religiões", disse.

 Sallum falou também sobre os laços comerciais do mundo árabe e do Brasil e sobre o trabalho que a Câmara Árabe faz, há mais de 60 anos, em prol disto. "Ajudamos a construir e reconstruir cidades, integrar regiões através da construção de ferrovias, rodovias, portos e aeroportos", afirmou, referindo-se a algumas das áreas para as quais brasileiros contribuíram com o mundo árabe. Ele citou também o compromisso da Câmara Árabe com a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) no desenvolvimento de campanhas para ajudar aquelas pessoas.

Sobre a situação da Palestina, aliás, também falou o decano Alzeben. Ele lembrou de como os árabes são bem recebidos no Brasil, mas pediu que ninguém esquecesse da pátria mãe, das casas que deixaram na infância. E disse que tinha, ao celebrar a festa da coletividade árabe, sensação de desgosto por dois motivos. "A primeira sensação de desgosto é provocada pela permanência da Palestina sob ocupação e pela morte que ronda meus irmãos todos os dias", disse. A segunda sensação de desgosto vem da situação na Síria. "O que acontece na Síria atualmente represente um crime contra a humanidade", falou.

Cavalos árabes

Os convidados foram recebidos com um coquetel no Jockey Club de São Paulo e também puderam acompanhar uma corrida de cavalos Puro Sangue Árabe. A competição fez parte da comemoração promovida pela Câmara Árabe e dela participaram sete cavalos.

O vencedor, que levou R$ 20.196,00, foi o cavalo Atentaddo VE, montado por José Ventura, de propriedade de José Luiz Aranha. Em segundo lugar ficou o animal All Pol Rach, montado por Antônio Queiroz, de propriedade de Lucas Quintana, e em terceiro ficou o cavalo Mahogany HVP, com o jockey Gelson Ribeiro, e com Eduardo Garcia como dono. A arrecadação das apostas foi de R$ 18 mil.

No início da corrida houve um desfile de três cavalos ornamentados com coloridos panos árabes. Os jockeys que os montavam também estavam vestidos com roupas típicas do mundo árabe.  

Fernando Godoy

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