São Paulo – As exportações do Brasil aos países árabes cresceram 0,7%, para US$ 1,4 bilhão, em maio deste ano sobre o mesmo período do ano passado. De acordo os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) organizados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, as importações no período, porém, estão em queda: retração de 21,5%, para US$ 731 milhões. A corrente comercial foi de US$ 2,2 bilhões, com retração de 8%, e a o saldo comercial foi positivo para o Brasil em US$ 738 milhões, em alta de 39,8%.
Ainda segundo o levantamento, no acumulado do ano as exportações somam US$ 7,8 bilhões, em alta de 2,4% sobre o período entre janeiro e maio de 2025. As importações também estão em alta: de 1,9%, para um total de US$ 3,9 bilhões no período.
O vice-presidente de Relações Internacionais e secretário-geral da Câmara Árabe, Mohamad Orra Mourad, observou que, apesar do avanço geral nas vendas para os árabes, ainda há uma queda acentuada para os países do Golfo. As nações da região têm sido alvo de ataques retaliatórios do Irã, país em guerra contra Israel e Estados Unidos desde 28 de fevereiro. Mesmo a redução nas trocas comerciais com o Golfo, avalia Mourad, apresenta uma tendência de desaceleração: as vendas caíram 30,7% em março, 24% em abril e 19,8% em maio sempre na comparação anual.
“Acredito que não exista uma única razão que explique essa tendência, porém os estoques estratégicos de alimentos devem estar diminuindo; a segunda razão (para uma redução na queda de vendas) é que as rotas marítimas alternativas estão funcionando”, disse Mourad. As exportações para os países árabes do Golfo caíram 19,8%, para US$ 615,2 milhões em maio, mês em que as importações caíram 33,8%, para US$ 303,4 milhões na comparação com o mesmo período de 2025.
Além dos ataques, o conflito se refletiu no fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam embarcações com origem e destino aos países do Golfo. Todos os portos do Kuwait, do Bahrein e do Catar, e a maior parte dos portos dos Emirados Árabes Unidos e parte dos portos sauditas é afetada pelo bloqueio. Omã está fora do Estreito de Ormuz. A Arábia Saudita, porém, tem uma ampla costa ocidental, por onde chegam encomendas que depois são transportadas por terra aos países do Golfo.
“No caso das importações, há uma dificuldade maior de se conseguir rotas marítimas alternativas, porque a maior parte das importações são formadas por petróleo e fertilizantes, produtos mais difíceis de serem manipulados em portos alternativos”, disse Mourad.
As vendas dos árabes ao Brasil foram afetadas, avaliou Mourad, pela queda nas compras desses produtos. Em maio, as importações de petróleo bruto caíram 2,4% (US$ para 233,3 milhões), as de petróleo refinado tiveram queda de 67,1% (somaram US$ 64,2 milhões), as de fertilizantes mistos foram 70,9% menores (US$49,5 milhões) e as de nitrogenados sofreram retração de 43,8% (US$ 24,8 milhões). Já as importações de fertilizantes fosfatados subiram 111,4%, para US$ 265,8 milhões, em maio sobre o mesmo período do ano passado.
No ano, até maio, os principais destinos das exportações brasileiras aos países árabes foram Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Argélia e Iraque. Entre eles, os principais fornecedores ao Brasil são Arábia Saudita, Marrocos, Egito, Emirados Árabes Unidos e Argélia. Os principais produtos exportados pelo Brasil foram açúcar, carne de frango e minério de ferro. Os principais produtos importados foram petróleo bruto, petróleo refinado e fertilizantes fosfatados.
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