São Paulo – O conflito que ocorre desde fevereiro deste ano entre Estados Unidos e Israel com o Irã segue impondo custos econômicos elevados em toda a região do Oriente Médio, Norte da África, Afeganistão e Paquistão (Menaap), com um maior peso nos países do Golfo exportadores de petróleo. É o que aponta o Banco Mundial em uma atualização econômica regional divulgada nesta terça-feira (6).
Segundo o banco, com o fechamento do Estreito de Ormuz, o efeito na região é diferente de choques energéticos anteriores, que beneficiavam os exportadores de petróleo. O Banco Mundial projeta contração média de 2,1% na produção regional da Menaap neste ano, após expansão de 3,3% em 2025. Nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, na sigla em inglês, bloco formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã), a redução estimada é de 4,3%.
Mas, segundo a instituição financeira, as repercussões econômicas na região da Menaap vão além da questão da energia, afetando também turismo, aviação e logística, e com a incerteza elevada pressionando os mercados financeiros e o sentimento empresarial local. Entre os países exportadores de petróleo, a redução dos volumes de exportação da commodity gera, além de perdas substanciais de produção em si, também queda de receitas governamentais, de acordo com o Banco Mundial.
O banco afirma que a pressão inflacionária está aumentando em grande parte da região da Menaap, impulsionada principalmente pela alta nos preços dos alimentos. As interrupções no transporte elevam os custos de importação e sobrecarregam as cadeias de suprimentos, segundo o relatório. Nas economias frágeis e já afetadas por conflitos, o choque agrava vulnerabilidades existentes.
A análise aponta que, se o conflito diminuir até o final deste ano, o crescimento regional (exceto do Irã) pode retomar ao patamar de 7,8% em 2027, impulsionado em grande parte pela recuperação da produção e da exportação de hidrocarbonetos. Entre as boas notícias, o Banco Mundial também diz que os países importadores de petróleo da região se mantêm comparativamente resilientes, com previsão de crescimento econômico de 4,3% em 2026, maior do que os 3,9% de 2025.
O relatório, intitulado “Da Divisão à Oportunidade: IA, Empregos e Crescimento”, informa que, embora o conflito desacelere o crescimento da Menaap, novas oportunidades estão surgindo, particularmente na área de inteligência artificial, que tem o potencial de aumentar a produtividade de até 20% dos empregos na região. O vice-presidente do Banco Mundial para a Menaap, Ousmane Dione, afirma que a região deve se preparar para uma segunda transformação de longo prazo: a ascensão da inteligência artificial.
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