Demanda externa por carne impulsiona desempenho da Minerva

As exportações das unidades brasileiras da Minerva responderam por 72% da receita bruta da companhia no segundo trimestre do ano. A Ásia passou de uma participação de 25% para 50%, enquanto o Oriente Médio caiu de 27% para 9%.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – A forte demanda internacional por carne bovina foi um dos fatores que impulsionou o bom desempenho da brasileira Minerva Foods, a maior exportadora de carnes da América do Sul, no começo deste ano. As exportações responderam por 72% da receita bruta da empresa no segundo trimestre e cresceram 16% sobre o mesmo período do ano passado, segundo informações divulgadas e comentadas por executivos da companhia em conferência online a investidores nesta quarta-feira (29) pela manhã.

As compras da Ásia influenciaram o aumento das vendas. O continente respondeu por 50% da receita de exportação das unidades da Minerva no Brasil no segundo trimestre, bem acima dos 25% do mesmo período de 2019. Em contrapartida, outras regiões do mundo caíram em participação. Foi o caso do Oriente Médio, que saiu de uma fatia de 27% de abril a junho do ano passado para 9% em iguais meses deste ano. Américas, União Europeia e África também recuaram em participação e Comunidade dos Estados Independentes (CEI) – os países da antiga União Soviética – cresceu. O Nafta, que não era destino em 2019, passou a comprar, com 1%.

“O volume anteriormente destinado à região foi absorvido em sua grande parte pela demanda do mercado asiático”, informou a empresa em seu relatório do segundo trimestre sobre a queda na participação do Oriente Médio de exportação da Minerva no Brasil. Na Ásia, a China é o grande destino das vendas da Minerva, mas não apenas ela apresenta demanda expressiva.

“A performance das exportações deixa cada vez mais evidente a crescente demanda da Ásia por carne bovina, em especial da China, mas também de outros mercados como Indonésia e Malásia, um movimento que deve se acentuar ainda mais nos próximos períodos”, disse na conferência o presidente da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz. Nas unidades da empresa no Uruguai, Paraguai, Argentina e Colômbia, chamadas de Athena Foods, a Ásia também foi o maior mercado, com 42%, mas houve pequena queda na participação, de um ponto percentual, na mesma comparação. A fatia do Oriente Médio subiu de 5% para 7%.

De acordo com Queiroz, as perspectivas no mercado externo seguem bastante favoráveis. Ele citou a peste suína africana que atinge a produção de porco na China, abrindo mais espaço para a carne bovina brasileira, a mudança de hábitos de consumo no Sudeste Asiático como efeito da maior urbanização e expansão da renda e da classe média, os problemas com a oferta de carne na Austrália, concorrente do Brasil na área, e o impacto da pandemia na produção dos Estados Unidos. “E agora mais recentemente os problemas vividos pela Índia na exportação de carne de búfalo, abrindo oportunidades em diversos mercados da Ásia e Oriente Médio”, disse.

Segundo o presidente da Minerva, esse cenário reflete uma maior abertura dos mercados para países exportadores da América do Sul como Brasil, Argentina, Paraguai, Colômbia e Uruguai. “Novos mercados e novas habilitações para esses países já são uma realidade”, disse Queiroz. Ele citou a reabertura do mercado de carne dos Estados Unidos para o Brasil, a habilitação da Rússia para as carnes bovinas da Colômbia, a abertura da Arábia Saudita para Paraguai, Uruguai e Colômbia e da Tailândia para as carnes do Brasil.

Além do fator externo, Queiroz falou do trabalho da empresa para o bom desempenho. “Nossa performance operacional no segundo trimestre reflete não somente o bom momento das exportações e a forte demanda internacional por carne bovina, mas também a excelência da Minerva na gestão das suas operações”, disse. A empresa encerrou o segundo trimestre com uma posição de caixa de R$ 6,8 bilhões. “O que nos garante tranquilidade frente aos desafios do momento e em linha com nossa gestão conservadora de caixa”.

No segundo trimestre do ano, a Minerva teve taxa de utilização da capacidade de 63% no Brasil e de 76% nas unidades Athena Foods. De acordo com o diretor de Relações com Investidores da companhia, Edison Ticle, a utilização da capacidade consolidada (todas as operações) ficou ao redor de 70%, o que se aproxima muito do que deve ser o novo normal enquanto a pandemia de covid-19 perdurar.

Para auxiliar os pequenos e médios negócios do setor de carnes que são clientes da Minerva no enfrentamento ao período de crise causado pela pandemia da covid-19, a empresa criou um fundo emergencial de alívio no valor R$ 32 milhões. O recurso será disponibilizado como forma de empréstimo com um ano de carência, juros baixos e prazos alongados para pagamento.

A Minerva anunciou na conferência também a criação de uma área de inovação, que terá três focos de atuação. Um deles será  o desenvolvimento e gerenciamento de dados estatísticos e ferramentas de inteligência artificial para ajudar nas tomadas de decisões da empresa. Outro foco será em e-commerce e marketplace, com a criação de iniciativas para aproveitar oportunidades na área, inicialmente no Brasil, Argentina e Paraguai. O terceiro foco é o investimento em startups da cadeia de valor na qual a Minerva atua, como proteínas alternativas, logística, pecuária, agritech e varejo. Serão destinados até US$ 30 milhões para até 10 empresas.

Jia Minste/AFP

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