São Paulo – Nascido em São Bento do Una, Pernambuco, Diógenes Braga já contava com mais de 20 anos de experiência como fornecedor de agroindústrias quando decidiu criar a DEP Export. Focada na exportação de produtos avícolas, depois de dois anos em busca de um destino internacional ideal, a empresa apostou na Mauritânia. Segundo a DEP Export, foi a primeira exportação de ovos do Nordeste para o país árabe.
“Criei a empresa junto com dois sócios no início de 2024. Naquele momento, queríamos vender frango e ovos, mas, estudando o mercado local, entendemos o potencial que Pernambuco, o estado onde está localizada a nossa empresa, tinha para a comercialização de ovos. Resolvemos começar com essa área primeiro”, conta Diógenes Braga, que é diretor-executivo da DEP Export.

“Inicialmente, quando a companhia estava fazendo a prospecção de países que tinham potencial de compradores, os Estados Unidos foram a primeira opção, mas, com o tarifaço, desistimos, continuamos a prospectar e nos deparamos com países da África Ocidental, como Serra Leoa e Mauritânia.”
Apesar de estar na 23ª posição no ranking dos principais destinos das exportações brasileiras de ovos, de acordo com o último relatório anual da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Diógenes afirma que o país árabe apresenta muito potencial.
“Como eles tinham comprado ovos brasileiros vindos das regiões Sul e Sudeste do País, já existia um caminho aberto para a nossa empresa. Além disso, eles tinham bastante demanda”, diz o empresário.
“Mesmo Pernambuco sendo o quarto maior plantel do Brasil, era pouco explorado no quesito exportação de ovos e tinha tudo para competir com produtos nacionais de outras regiões, inclusive na Mauritânia”, relembra o empresário.
Foi apostando em preços competitivos e investindo em qualidade sanitária, de estrutura das empresas e de plantéis que três granjas, junto com a DEP Export, conseguiram exportar seus ovos pela primeira vez para o país localizado no noroeste da África.
“No mês passado, a companhia estava mandando dois, três contêineres de ovos por semana para Serra Leoa e Mauritânia, sendo que 70% disso ia para Serra Leoa, mas, em abril, essa quantidade mudou. Neste mês, fechamos a venda mensal de apenas um contêiner para Serra Leoa e oito contêineres para Mauritânia. Agora, como eles já conhecem os produtos nordestinos, estão fechando cada vez mais vendas”, diz o pernambucano.
Futuro das exportações
Atualmente, a DEP Export negocia novas remessas de ovos para a Mauritânia mês a mês. A próxima está prevista para maio. Os produtos chegam ao consumidor mauritano por meio de uma distribuidora local, parceira da empresa brasileira.
“Sem dúvidas, a ideia da gente é expandir o mercado, não só com ovos, mas com outros produtos avícolas de Pernambuco e de outros estados do Nordeste. Temos excelentes empresas de frango de corte por aqui, por isso, no futuro próximo, queremos vender essa base para outros países árabes, além da Mauritânia”, conta Diógenes.
Apesar de o Brasil já contar com muitas exportadoras de carne de frango para o Oriente Médio e o Norte da África, o médico-veterinário diz que o Nordeste está preparado para vencer a concorrência nacional.
“A DEP foi criada exatamente para que a gente conseguisse desbravar a exportação de produtos avícolas da nossa região. Em março, o primeiro negócio foi feito, com exportação, pela primeira vez, de ovos de Pernambuco para a Mauritânia. Agora queremos expandir as vendas de frangos. E acredito que o Nordeste vai se diferenciar pela qualidade dos seus produtos”, explica o brasileiro.
“As empresas da região se qualificaram bastante nos últimos anos, mas, acima disso, o custo de produção melhorou muito. Até um tempo atrás, a gente tinha um custo de produção muito mais alto do que o Sul do País, mas agora temos mais competitividade.”
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Reportagem de Rebecca Vettore, em colaboração com a ANBA


