São Paulo – Em um ambiente intimista composto por cerca de 40 participantes, entre patrocinadores, jogadores e apreciadores de squash, os atletas Ali Farag, de 34 anos, e Ramy Ashour, de 38 anos, conversaram sobre suas carreiras, bastidores e desafios dos jogos no primeiro dia do 1º Squash Experience.
O evento reuniu jogadores e admiradores do esporte ao lado de ex-atletas egípcios importantes para colocar o Brasil no radar do squash mundial e aproximar os brasileiros deste esporte.
Os egípcios Ali e Ramy, que são tetracampeão mundial individual e tricampeão mundial de squash, respectivamente, foram convidados especiais da ação, entre os dias 15 e 16 de junho e organizada pelo Bio por Cento, espaço localizado na zona oeste da cidade de São Paulo.

No dia 15, além de conversarem com os participantes, os ex-jogadores também assistiram ao jogo de estreia do Egito contra a Bélgica na Copa do Mundo da Fifa. Apesar do Egito não ter sido o favorito da partida, os árabes ficaram felizes e orgulhosos ao verem sua seleção empatar com a equipe europeia.
“Temos coisas ótimas para falar sobre o Brasil. O país é bonito, a comida é boa e as pessoas são incríveis, muito gentis e têm sido hospitaleiras conosco. Esse evento tem sido único de várias formas, mas a melhor parte é que posso compartilhá-lo com meu ídolo”, contou Ali Farag.
“Quando eu tinha a idade desses meninos que estão aqui, eu admirava o Ramy e aprendia com ele. Felizmente, não tive a oportunidade de compartilhar muito a quadra com ele, porque ele teria me humilhado, mas agora, sete anos após sua aposentadoria, eu tenho essa chance que é tão única, por isso eu agradeço.”
Muito animado, Ramy falou da importância de participar da ação. “Antes de mais nada, quero dizer que é uma honra para nós estarmos aqui. Vocês fizeram um trabalho incrível para criar esta linda comunidade e acho que esse momento é uma das coisas mais nobres que se pode fazer pelo esporte: educar gerações, atrair pessoas e criar comunidades. Acho isso grandioso. Obrigado por fazerem isso no Brasil, é incrível.”
É uma das coisas mais nobres que se pode fazer pelo esporte: educar gerações, atrair pessoas e criar comunidades
Ramy Ashour
Envolvidos com o esporte desde a infância, os dois foram influenciados pelos seus familiares. Enquanto, Ramy tinha o irmão como referência, Ali se espelhava no pai.
“Comecei a jogar quando tinha seis anos de idade. Meu pai costumava jogar por diversão com seus amigos e eu e meu irmão mais velho costumávamos nos infiltrar nos treinos dele. Foi assim que me apaixonei pelo esporte. Participei de torneios locais no Egito e de torneios internacionais quando mais jovem. Durante a faculdade, participei de torneios profissionais, mas não me dedicava ao esporte em tempo integral. Voltei a me dedicar integralmente ao me formar, aos 22 anos”, relembra Ali.
Muito importante em sua vida, além de ser a carreira principal, o squash foi o responsável por levar o egípcio até o curso de Engenharia Mecânica em Harvard. “Me aposentei no ano passado, mas minha vida girou em torno do squash. Por causa do esporte, conheci minha esposa, que também foi jogadora, entrei na faculdade e conheci pessoas incríveis. Como todo atleta, pensei várias vezes em parar, mas felizmente tive boas pessoas ao meu redor que acreditaram em mim, me incentivaram e convenceram a continuar.”
Também apaixonado pelo jogo, Ramy falou um pouco sobre sua trajetória. “Comecei a jogar aos seis anos e já era obcecado pelo esporte. Aos 10, 11 anos comecei a querer ser profissional e recebi total apoio dos meus pais para jogar, principalmente da minha mãe. Honestamente, além de perder, para mim os meus maiores desafios foram as minhas lesões.”
Aposentado desde 2019, Ramy criou a própria academia de squash onde ocorrem treinamentos com admiradores do esporte. Contando com quatro unidades no Egito, o espaço tem treinadores e um grande programa de treinos em casa.
Nesta terça-feira pela manhã, durante o segundo dia do 1º Squash Experience, os egípcios deram dicas e debateram as técnicas dos membros da Bio por Cento. E no final da ação, os dois ex-atletas vão se enfrentar na quadra de squash.
Esporte no Egito
Considerado como referência no squash, o Egito domina o esporte há décadas e ocupa a maioria das primeiras posições nos rankings globais. “No nosso país o squash é muito importante e somos muito bem-sucedidos nele. Obviamente o futebol é o número um, mas as pessoas estão começando a acompanhar o squash também”, conta Ali.

Segundo Ali, o sucesso do país em formar novos ótimos jogadores todos os anos está na especialização desde a infância. “Nos Estados Unidos, por exemplo, as crianças praticam muitos esportes e depois se especializam quando ficam mais velhos. No Egito, eles se especializam desde muito cedo. Aos 11 anos eu já passava de duas a três horas treinando squash todos os dias.”
A capacidade de resolver problemas, de acordo com Ramy, é o que leva o país árabe aos primeiros lugares nos rankings.
“Temos um histórico grandioso no esporte e assim como os brasileiros, somos bons em esportes. Acho que isso acontece porque somos muito habilidosos e bons em resolver problemas. Na quadra, se você for muito sistemático e repetir o mesmo movimento várias vezes, não estará fazendo nada de diferente. O jogo precisa ser muito natural e cada golpe deve ser diferente do outro. Não existe um padrão consistente e acho que os egípcios são muito bons nisso.”
Para que o Brasil, assim como o Egito, comece a gerar interesse nas futuras gerações desde a infância, Ali aconselha: “No squash, desde o início, a parte mais importante para ser ensinada não é a técnica, mas as crianças precisam ser ensinadas a amar o jogo. Ao longo da carreira de qualquer atleta, há momentos em que absolutamente odiamos o squash. O Ramy não gostou das lesões e das derrotas que teve. Eu não gostei de deixar a minha família para trás e ir jogar em eventos. Mas o que nos levou adiante foi a paixão pelo jogo.”
Leia também:
Os destaques árabes na Copa
Reportagem de Rebecca Vettore, em colaboração com a ANBA


