São Paulo – A rodada de negócios organizada pelo Projeto Halal do Brasil nesta segunda-feira (24) e na próxima quarta-feira (26) coloca em contato seis importadores árabes e 36 empresas de alimentos e bebidas. Os encontros de negócios são parte da programação do Fórum Econômico Brasil & Países Árabes, que será realizado na terça-feira (25), em São Paulo, pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira.

O Projeto Halal do Brasil promove no exterior os produtos halal, que seguem as regras do islamismo, feitos no Brasil. A rodada de negócios organizada pelo projeto conta com seis empresas árabes: Al Zaeem, do Bahrein, que procura fornecedores de temperos, geleias e molhos; Tanmiah, da Arábia Saudita, em busca de açaí, café e proteína; SKM Tejaree, da Jordânia, que procura fornecedores de queijos, arroz e café; Rezfood, dos Emirados Árabes Unidos; que demanda produtos gourmet; Khayrat Al-Reef, também dos Emirados, deseja comprar snacks e molhos; e LabelVie, do Marrocos, em busca de arroz e geleias.
Diretor-executivo da Rezfood, Damon Afkari afirmou que a empresa tem unidades em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e em Madri, na Espanha. O foco da companhia, uma trading company, é abastecer o mercado do Golfo com produtos premium e exóticos. “O que estamos procurando são produtos novos, com novas embalagens e novas ideias. Se você é diferente dos outros, as portas estarão abertas para você”, disse. “Acredito que o Brasil tem muitos produtos exóticos por causa da distância, que ainda não alcançaram os Emirados”, citando, como exemplo, o fruto açaí e os seus derivados.

Quem também citou o açaí como um atrativo para os negócios foi o diretor-executivo da Khayrat Al-Reef, Ahmed Shokry. Em sua primeira passagem pelo Brasil, gostou das reuniões que teve com fornecedores de biscoitos e waffles e de açaí e derivados. Foi este um dos produtos de que mais gostou, em razão de ser único. Shokry também afirmou que os produtos são competitivos e que espera realizar negócios com empresas brasileiras, mas disse que o tempo de transporte de navio do Brasil para os Emirados Árabes Unidos, onde fica a empresa, são um desafio. Geralmente, o tempo de trânsito é de 33 dias.
“Vou estudar os preços quando retornar e então decidir se os preços são competitivos e se podemos comprar ou não. Mas posso dizer que os preços são muito bons para biscoitos e waffles”. Ele também demonstrou interesse em comprar café de açaí, um produto, disse, que se tiver uma campanha de apresentação no mercado do Golfo, pode trazer bons resultados de venda.
Gerente geral de cadeia de suprimentos da Tanmiah, Faisal Akbar, afirmou que seu interesse principal é na compra de carne de frango bovina congelada para enviar às fábricas da empresa nos Emirados e na Arábia Saudita e lá processá-las e revendê-las.
Água para os Emirados
Entre as empresas brasileiras, a Águas Especiais da Pedra foi representada pelo CEO, Fábio Meaulo, e o COO, Almir Meaulo, também fundadores. A empresa produz e engarrafa no interior de São Paulo água para o mercado premium e se prepara para começar a atuar nos Emirados Árabes Unidos. Sob o nome Bruea Drinks & Foods, a empresa se estabeleceu na zona franca do emirado de Ras Al Khaimar, a Rakez. Obteve a certificação halal e estava em processo de certificação da água quando começou o conflito no Oriente Médio, em fevereiro, o que adiou os planos. O frete marítimo subiu e inviabilizou a exportação neste momento.
Os planos, porém, continuam. O produto, disse Fábio, tem qualidade superior e se encaixa no mercado dos Emirados. A água da empresa é levemente ácida, com baixa mineralização e baixos sólidos totais, o que se reverte em uma água que realça o sabor dos alimentos.
“É uma água singular. O país com o segundo maior aquífero [Brasil] do mundo não tem uma representante global [entre as águas premium]. Por isso, começamos a desenvolver uma água com características e propriedades específicas”, disse Fábio, antes de seguir para mais um encontro na rodada de negócios e apresentar as Águas Especiais da Pedra para uma empresa dos Emirados. “Nossa expectativa é divulgar o produto e estabelecer parcerias que nos ajudem a colocá-lo naquele mercado”.


