São Paulo – Empresas e instituições setoriais do Rio Grande do Norte participam nesta semana de uma missão ao Egito, para contatos e parcerias com empresários locais e para conhecer os sistemas de plantio e irrigação empregados no país, que tem clima com características semelhantes àquelas encontradas no semiárido brasileiro. A viagem é organizada pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Norte (Sebrae-RN) e com a Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (Faern).

De acordo com o consultor sênior de Negócios Internacionais da Câmara Árabe, Gustavo Fasanaro, o principal objetivo da viagem é estabelecer um “benchmarking agrícola”, uma oportunidade de as empresas brasileiras conhecerem os sistemas de irrigação empregados pelos produtores egípcios. Muitas empresas utilizam a água do Rio Nilo para produzir variadas culturas de frutas e legumes, como cítricos, morangos, batatas e alho, entre outros.
“A missão é uma ótima oportunidade também de networking, aproximando líderes do setor agrícola e aproximando o empresariado egípcio de iniciativas que, eventualmente, o estado do RN pode apoiar”, afirmou Fasanaro. Ele disse que um empresário local demonstrou interesse em investir no Brasil.
“Também vale a pena destacar o acordo de livre-comércio entre Mercosul e Egito. Neste mês de setembro, o acordo chegou na última etapa de desgravamento da tarifa aduaneira, o que significa que a tarifa de importação chegou a zero entre Brasil e Egito. Um dos principais objetivos da missão é mostrar e aproximar o setor empresarial brasileiro do Egito e levar conhecimento a esse respeito”, afirmou.
O acordo comercial entre o Egito e o Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, entrou em vigor em 2017 com redução gradual das taxas de importação no decorrer dos anos, até chegar a zero em setembro. Desde que passou a vigorar, as trocas comerciais entre o Egito e o Brasil cresceram.
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) organizados pela Inteligência de Mercado da Câmara Árabe, em 2017, o Brasil exportou US$ 2,4 bilhões ao Egito e importou US$ 155,4 milhões. Açúcar, carne bovina e milho eram os principais produtos exportados pelo Brasil, enquanto fertilizantes lideravam as vendas egípcias. Em 2025, o Brasil exportou US$ 3,7 bilhões e importou US$ 1,3 bilhão. Milho, açúcar e minério lideraram as vendas do Brasil ao país árabe, que, por sua vez, ampliou as vendas de fertilizantes e derivados de petróleo.
O presidente da Faern, José Álvares Vieira, afirmou que o Egito “é uma verdadeira porta de oportunidades para o Brasil em todos os segmentos”. “É uma experiência valiosa para sabermos como e para quem vamos negociar futuras exportações e importações. Temos empresários aqui que estão visualizando oportunidades de importação, já que a taxa de impostos para o Brasil é zero. Isso mostra o grande potencial de relação comercial”, disse.
Ele observou que um sistema de irrigação bastante utilizado, especialmente por pequenos agricultores do Egito, é o de inundação, em que uma lâmina de água cobre o terreno de plantio. No Brasil, disse, outros métodos são empregados, como pivô central, gotejamento e microaspersão, que consomem menos água.
A agenda da missão contemplou um encontro com o embaixador do Brasil no Egito, Paulino Franco de Carvalho Neto, visitas a centros de distribuição de alimentos, pequenos, médios e grandes produtores e ao escritório da Câmara Árabe no Cairo. Da viagem participam, também, o diretor da Câmara Árabe no Cairo, Michael Gamal Kaddes, o secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte, Guilherme Moraes Saldanha, e representantes do Sebrae de Alagoas e das empresas Grupo Saldanha, Vilac Citrus, Viva Agrícola, Pereira & Silva Agrícola e Pioneira Agrícola.


