Finanças islâmicas abrem oportunidade para vender mais

Em palestra promovida pela Câmara Árabe, a gerente para América Latina do National Bank of Abu Dhabi, Angela Martins, afirmou que transações que seguem as regras do Islã podem ampliar negócios.

Marcos Carrieri
marcos@anba.com.br

São Paulo – As finanças islâmicas somam atualmente US$ 1,5 trilhão e irão dobrar de volume até 2018. Essa expansão e as características desse mercado oferecem oportunidades de investimento para exportadores e importadores brasileiros, afirmou nesta quinta-feira (27), a gerente regional pra América Latina do National Bank of Abu Dhabi (NBAD), Angela Martins. Ela apresentou o workshop “O mercado financeiro islâmico”, organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira aos seus associados em São Paulo.

No encontro, Martins apresentou as principais características das finanças islâmicas, as modalidades de financiamento mais comuns, as diferenças em relação às finanças ocidentais e as oportunidades que elas oferecem a pessoas e empresas. Esta prática financeira segue as regras do Alcorão. Nela não é permitido, por exemplo, cobrar juros sobre um empréstimo. 

Uma das formas mais comuns de investimento é feita por meio da murabaha. Por meio dela, uma empresa ou pessoa que deseja comprar um bem, mas não tem o dinheiro suficiente, recorre a um investidor. Este, por sua vez, compra o bem à vista e vende ao interessado a prazo, por um valor maior. Nesta negociação não são cobrados juros.

“Essa transação pode ser feita com um exportador brasileiro. Ele vende o produto à vista a um credor islâmico, que o revende à prazo ao comprador árabe”, disse Martins. “A intenção desse negócio é que não haja especulação”, afirmou.

Segundo a gerente do NBAD, os principais centros de finanças islâmicas são países do Golfo e nações islâmicas da Ásia que não são árabes. É o caso da Malásia. Além destes, o Reino Unido, a França, a Austrália, a Rússia e a China são centros financeiros islâmicos. O banco central do Reino Unido, por exemplo, já fez emissão de sukuks, que são títulos islâmicos, medida também adotada pelo norte-americano Merril Lynch. “É muito provável que mais países irão participar desta indústria. Temos que nos preparar para também atuar nesta área”, afirmou a executiva.

Martins observou que o Brasil já tem capacidade de atender o mercado halal de alimentos, pois é um dos principais exportadores de carne para os países do Golfo. Além disso, observou, o Brasil irá em breve expandir seu portfólio de produtos halal entre os cosméticos e os farmacêuticos. “Esse conhecimento do mercado halal já é suficiente para se aproximar das finanças islâmicas”, disse.

Do workshop promovido pela Câmara Árabe participaram aproximadamente 60 pessoas de empresas associadas à instituição. Foram representadas no evento, tradings, fabricantes de alimentos, escritórios de advocacia e bancos de investimento e varejo. “É um assunto novo e temos que entender melhor como funcionam as finanças islâmicas. Hoje tivemos a oportunidade de aprofundar nosso conhecimento”, afirmou o diretor geral da Câmara Árabe, Michel Alaby.

Sérgio Tomisaki/Câmara Árabe

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