Grife brasileira em Semana de Moda de Riad

Maison Alexandrine, marca de inspiração francesa, fará parte dos desfiles do primeiro evento do gênero na Arábia Saudita.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

Alexandra Fructuoso fundou a Maison Alexandrine

São Paulo –  Começou nesta terça-feira (10) a primeira Semana de Moda Árabe da Arábia Saudita e uma grife brasileira fará parte deste momento inédito. A Maison Alexandrine, marca de luxo de inspiração francesa que tem loja requintada no bairro Jardim Paulistano, na capital paulista, terá cerca de 30 looks na passarela em Riad. O evento vai até sábado (14).

A Maison Alexandrine vai mostrar alta costura, roupas para festa e coquetéis, um vestido de noiva e abayas, estas últimas vestimentas muçulmanas. Todas as peças serão usadas por modelos europeias em um evento que chama a atenção global por ser um desfile de moda em um dos países muçulmanos mais tradicionais do mundo.

Da cidade de Riad, onde está para acompanharl o desfile, a empresária Alexandra Fructuoso, dona da Maison Alexandrine, conversou com a ANBA por telefone na segunda-feira (09) e contou dos preparativos. A grife estará na passarela nesta quarta-feira (11), às 20h30 no horário de Riad (14h30 em Brasília), no Hotel Ritz Carlton.

A possibilidade de participação da Maison Alexandrine surgiu depois que a marca promoveu uma apresentação no final do ano passado na embaixada do Brasil em Riad. O evento foi acompanhado por uma brasileira, Layla Abuzaid, que mora na Arábia Saudita e trabalha para a realeza local. Foi ela quem articulou a participação.

Foram dois dias de apresentações, com a presença da imprensa local e de mulheres sauditas que são referência no país árabe, entre elas princesas. “Elas ficaram muito impressionadas com a qualidade e a beleza das roupas”, afirma Alexandra.

As abayas começaram a ser criadas para uso da própria empresária para as viagens à Arábia Saudita, onde as mulheres precisam cobrir o corpo e os cabelos em público. No desfile estarão abayas azul escuro, preta, verde escuro e nude. Os diferenciais são bordados nas mangas, golas e na parte superior das costas, algumas têm bolsos, outras pences nas costas.

Os convidados de honra do desfile em Riad são Jean-Paul Gaultier e Roberto Cavalli.

Alexandra conta que fez uma pesquisa informal em Dubai com 30 a 50 mulheres, perguntando como deviam ser as abayas. “Eu não queria errar”, afirma a empresária. Elas falaram da necessidade de serem largas, já que são usadas sobre as roupas, da utilização única da cor preta por algumas, entre outras predileções.

A Maison Alexandrine tem um showroom em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, mercado que começou a trabalhar há cerca de um ano. E a experiência contou no desenvolvimento das abayas.  Agora, no entanto, Alexandra avalia que fez uma coleção bem tradicional e que sabe que pode “brincar” mais com a criação nas próximas peças que lançar.

A Maison Alexandrine, que também tem um showroom em Los Angeles, começou seu projeto de expansão ao exterior há cerca de um ano e meio. Alexandra conta que resolveu entrar no Oriente Médio por Dubai por ser uma cidade moderna e uma porta de entrada de fácil acesso. Nas primeiras visitas à região, porém, ela já foi conhecer a Arábia Saudita. O intuito foi abrir um mercado que ela acreditava que seria mais difícil e mais fechado.

As peças da grife fecharam com o gosto da mulher árabe. “Elas sabem se vestir, são mulheres cultas, têm inglês perfeito”, afirma, contando também da experiência em eventos sociais nas casas locais, dos quais foi convidada para participar e presenciou as sauditas com roupas convencionais, super bem arrumadas e cuidadas.

Além de dona da Maison Alexandrine, Alexandra, que nasceu em Portugal e mora no Brasil desde os 19 anos, é também diretora criativa da grife.  Para o desenvolvimento das peças, ela conta com a equipe Alexandrine Pret a Couture (mistura de prêt-à-porter com alta costura) e com os estilistas Dinho Batista, Rapha Mendonça e Rodrigo Rosner.

A Maison Alexandrine é uma loja-ateliê e tem como um dos seus objetivos dar oportunidades para novos talentos brasileiros. Além de abrir suas portas para parceria e criações de estilistas recém-chegados ao mercado, ela mantém uma escola de artesãos voltados para a área de moda.

A grife é inspirada em Madame de Pompadour, francesa que foi uma das grandes mecenas da história e lutou para que o trabalho de artistas e filósofos como Voltaire, Jean-Jacques Rousseau e Denis Diderot ganhassem o mundo. A filha de Pompadour se chamava Alexandrine Le Normant d’Etiolles e também era apaixonada pelas belas artes.

A sede da grife no Jardim Paulistano lembra um pequeno palácio. No Brasil, a marca costuma participar de produções das mais importantes revistas de moda, o que já tem acontecido com a Maison Alexandrine no Oriente Médio. Criações da empresa clicadas na sua luxuosa loja estamparam a capa recentemente da revista Harper’s Bazar Arabia Interiors e Alexandra Fructuoso tem sido frequentemente chamada para entrevistas locais.

Murilo Yamanaka
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