São Paulo – O investimento em usinas de cana-de-açúcar para produção de etanol e açúcar no Brasil está diminuindo o ritmo e deve andar a passos ainda mais lentos nos próximos anos. De acordo com o presidente da Datagro, Plinio Nastari, há cerca de dois anos eram abertas ao redor de 35 novas usinas ao ano no Brasil. Em 2010 devem começar a operar um total de 12 novas unidades e em 2011 entre nove e dez, segundo o executivo.
Nastari falou durante a Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, que começou nesta segunda-feira (18) e segue nesta terça-feira (19), em São Paulo. A Datagro é uma consultoria do setor sucroalcooleiro e promove o encontro anulamente. Segundo Nastari, o número menor de usinas que deve entrar em operação se deve ao fato do segmento estar mais concentrado. "As decisões de expansão estão mais eficientes", afirma. Ele lembra ainda que a apreciação do real frente ao dólar torna investimentos mais caros.
Apesar disto, os estrangeiros devem continuar apostando na fabricação brasileira de açúcar e etanol e aumentando suas fatias na indústria nacional. Atualmente a participação estrangeira no setor é de 23,3%. E deve passar para 37% em cinco anos, segundo Nastari. "Não temos intervenção do governo, somos um setor competitivo com uma demanda em expansão", afirmou ele, explicando a atração do capital de fora. O aumento da participação internacional deve se dar tanto com expansão de grupos estrangeiros já no país quanto pela entrada de novos grupos.
No encontro desta segunda-feira foram debatidos os cenários para a produção de cana-de-açúcar, etanol e açúcar no país. A atual safra de cana-de-açúcar deverá alcançar 574,88 milhões de toneladas na região Centro-Sul do país, de acordo com estimativas da Datagro, contra uma previsão anterior, feita em setembro, de 578,8 milhões de toneladas. A falta de chuva, entre maio e setembro, foi o principal motivo para a revisão para baixo. A chuva que veio no final do mês de setembro também atrapalhou a moagem.
A produção de açúcar deve ficar em 34,32 milhões de toneladas na safra 2010/2011 e a de etanol em 27,84 bilhões de litros. Os produtores devem privilegiar, nesta safra e também na próxima, a produção de açúcar em vez da de etanol, em função da alta demanda mundial pelo açúcar, que mantém os preços do produto em elevação. Atualmente, por exemplo, há uma fila de 45 navios com açúcar, nos portos brasileiros, aguardando para embarque, disse Nastari. "Com o açúcar remunerando tão melhor do que o álcool, todos estão expandindo a fabricação", afirmou o presidente da Datagro.
De acordo com Nastari, os preços do açúcar vão continuar "sustentáveis" até que se tenha uma visão do que vai acontecer em 2012. A safra de cana-de-açúcar do ano que vem também é incerta, poderá ser 5% maior ou 5% menor do que a 2010/2011, segundo previsões da Datagro. A variação vai depender do clima, principalmente das chuvas que ocorrerem entre outubro deste ano e março do ano que vem. "Se ao final de março continuar chovendo, se chover em abril, aí poderá haver redução ainda maior", explicou Nastari. As previsões climáticas indicam que o fenômeno La Niña, que gera excesso de chuvas no Sudeste, siga até o começo de 2011.
Com a produção de açúcar tão atrativa, a previsão é que o etanol aumente de preços no ano que vem, no mercado interno, chegando ao seu valor limite para se manter competivivo com a gasolina. Também as exportações do etanol devem ficar estáveis ou caírem um pouco no ano que vem sobre este ano em função da prioridade dada aos produtores ao açúcar. Na atual safra, 2010/2011, devem ser exportados 1,72 bilhão de litros de etanol.

