São Paulo – A agência malaia de promoção de comércio, Matrade, realizou nesta terça-feira (23), na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, o “Encontro de negócios Brasil-Malásia” para atrair empresas brasileiras por meio do aumento das trocas comerciais e da participação na feira Mihas, em setembro. A Malásia compartilha com os países árabes o fato de ter uma população majoritariamente islâmica, que demanda produtos e serviços halal, permitidos por essa religião.
Halal são produtos que podem ser consumidos pelos muçulmanos. Não podem, por exemplo, conter traços de carne suína nem álcool. Produtos halal se caracterizam por serem feitos em ambientes com elevados padrões sanitários, de governança e respeito ao bem-estar animal e ambiental. O Brasil é o maior exportador mundial de proteína halal.
Na abertura do encontro, a vice-presidente de Marketing da Câmara Árabe, Silvia Antibas, afirmou que alimentos que têm o selo halal são valorizados até por quem não é muçulmano. “Por isso, para empresas brasileiras interessadas nesse mercado [da Malásia], estudar seriamente a certificação halal não é apenas uma questão regulatória ou comercial. É uma forma de dialogar adequadamente com o consumidor local”, afirmou.
Já o cônsul-comercial da Malásia e comissário de comércio da Matrade em São Paulo, Amirul Azman Ahmad, disse que os dois países estão “separados pela geografia, mas próximos nas trocas comerciais”. País de 35 milhões de habitantes com área similar ao estado de Goiás, a Malásia está localizada no Sudeste asiático e é importante centro de distribuição e reexportação. Integra a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), uma zona de livre comércio formada também por Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Myanmar, Singapura, Tailândia, Vietnã e Timor-Leste. “Por meio da Malásia, as empresas brasileiras acessam todos os países da Asean”, disse Ahmad.

O Brasil é o 19º parceiro comercial da Malásia. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), organizados pela Câmara Árabe, em 2025 o Brasil exportou US$ 3,5 bilhões ao país asiático, em queda de 18% em comparação com 2024. As importações cresceram para 1,2% e somaram US$ 1,5 bilhões. Os principais produtos exportados pelo Brasil foram minério de ferro, açúcar e petróleo bruto. Os principais produtos importados foram circuitos integrados, aparelhos de telefonia, misturas alimentícias de gorduras e computadores.
Do encontro participaram especialistas em produtos e serviços halal, como a pesquisadora do Instituto de África da Universidade de Estudos Globais em Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, Zaynab El Bernoussi. Ela apresentou a palestra “Certificação halal e o crescimento da economia política islâmica” com um perfil das tendências de consumo halal. Bernoussi buscou mostrar que halal é um conceito mais amplo do que a produção de alimentos e que segue a evolução dos costumes da sociedade islâmica. Sênior advisor do Banco do Brasil, Jorge Ferreira dos Santos Filho apresentou os produtos financeiros oferecidos pela instituição para apoiar empresas que desejam exportar.
Feira Mihas amplia oportunidades de negócios na Malásia
Além do mercado interno e da posição geográfica, a Malásia apresentou como porta de entrada ao seu mercado a feira Mihas. Evento multissetorial, é realizado anualmente na capital, Kuala Lumpur. A Câmara Árabe estará na mostra com estande próprio por meio do projeto setorial Halal do Brasil, que promove no exterior os produtos halal feitos no País. A primeira participação ocorreu em 2023 e se repete desde então.
A gerente de Projetos de Internacionalização da Câmara Árabe, Fernanda Dantas, apresentou as oportunidades que o evento oferece às empresas brasileiras e afirmou que ainda há espaço para as companhias que quiserem participar desta edição, entre 23 e 26 de setembro. “Estamos construindo a presença do Brasil e pavimentando a relação em um projeto de posicionar o Brasil muito além de ser um fornecedor de proteína animal”, disse Dantas, lembrando que a feira tem potencial para se vender produtos industrializados e de maior valor agregado.

Empresas brasileiras compartilharam os resultados da sua participação na feira. Uma delas passou a exportar pão de queijo para a Malásia. Outra encontrou clientes para os grãos que comercializa. O assessor comercial da Matrade, Kossi Telou, afirmou que a Malásia é um grande país de “negócios” e cada vez mais comprometido com a exportação de eletroeletrônicos, semicondutores, petroquímicos.
“A cadeia de comércio global sofrerá uma grande mudança nos próximos anos e a região da Asean será fundamental neste processo”, disse Telou em relação ao crescimento de novos países como atores do comércio global. Juntos, os países da Asean são a quinta economia mundial, segundo dados apresentados por Telou. Em 2030, será a quarta. Neste mesmo ano, a economia halal deverá atingir US$ 5 trilhões.
O encontro teve, ainda, demonstração de produtos feitos na Malásia e a assinatura de um memorando de entendimentos entre a fundação Restu e a certificadora Cdial Halal para a difusão dos conceitos islâmicos e halal no Brasil. A Câmara Árabe foi representada no evento, também, pelo diretor Arthur Jafet.
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#Podcast 157 – Conheça o mercado halal da Malásia


