Nas arquibancadas de Abu Dhabi

A experiência de ser um dos poucos gatos pingados a acompanhar a partida entre Al Jazira e Hatta Club, pela Arab Gulf League, a liga local de futebol.

André Barros
andre.barros@anba.com.br

Abu Dhabi – O taxista me deixou na frente do estádio Mohammed Bin Zayed, casa do Al Jazira Club, de Abu Dhabi. A atmosfera não indicava que aconteceria ali um jogo de futebol: não havia aglomeração – aliás, não havia ninguém exceto alguns policiais – e, claro, nenhum ambulante vendendo qualquer tipo de bebida. Caminhei pelo estacionamento à procura da bilheteria e logo fui informado que bastava pegar o ingresso com um dos homens com quem, pouco antes, eu havia recusado conversar, por julgar se tratar de cambistas.

Assento próximo à bateria da torcida do Al Jazira

O bilhete para o jogo entre o time da casa, Al Jazira, e o Hatta Club, de Dubai, válida pela temporada 2017/2018 da Arab Gulf League dos Emirados Árabes, no sábado, 23 de fevereiro, era gratuita. Ingresso na mão, passei pela revista e subi as escadas em direção à arquibancada.

Me acomodei em um assento próximo à “bateria” da torcida do Al Jazira. Na verdade, eram alguns bumbos que sequer estavam sendo tocados, exceto pela empolgação de um ou dois garotos que vez ou outra faziam o instrumento soar. O jogo já havia começado. Poucos minutos depois, Ali Mabkhout aproveitou um cruzamento e abriu o placar para o time da casa, fazendo a alegria dos pouco mais de duzentos torcedores (segundo os cálculos nada oficiais e pouco confiáveis deste repórter) presentes no estádio.

Enquanto os jogadores corriam em busca do gol dentro do campo, grande parte dos espectadores comia amendoins, uma das poucas tradições que me fizeram lembrar das partidas brasileiras. Durante o intervalo, saí para comprar uma água e avistei uma fila que se formava no espaço reservado para as orações. Lembrei novamente do Brasil, mas lá os torcedores costumam se ajoelhar para pedir uma ajudinha divina para seu time do coração.

A partida não atraiu muitos torcedores…

Acredito ter dado azar e pego um jogo pouco atraente do campeonato dos Emirados. Mas, pelo que acompanhei pela televisão nas duas semanas que fiquei entre Dubai e Abu Dhabi, a regra é ter poucos torcedores presentes nos jogos. Outro lance de azar: o estádio do Al Jazira, ao contrário do que pensava quando peguei o taxi em direção à partida, não é aquele em que o Grêmio disputou o Campeonato Mundial de Clubes da FIFA em dezembro do ano passado, o Sheikh Zayed Stadium. Era este que eu tinha mais vontade de conhecer.

Sobre o jogo? O primeiro tempo foi amplamente dominado pelo Al Jazira, time em que joga Romarinho, atacante brasileiro revelado pelo Corinthians e que foi um dos heróis da conquista da Taça Libertadores em 2012. Sua atuação foi discreta – foi substituído no intervalo. O Hatta tem dois brasileiros no elenco: o meio-campista Fernando Gabriel e o atacante Samuel Rosa. Apenas o atacante estava em campo e não impediu a derrota do time de Dubai: um minuto depois de Mohamed Jamal fazer um gol contra e empatar o jogo aos 10 do segundo tempo, Mabkhout fez 2 a 1, placar que seguiu até o fim da partida.

André Barros/ANBA
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