Novas exportadoras têm interesse no mercado árabe

Câmara Árabe teve reuniões com empresas que estão entrando no mercado externo, em evento da SP Negócios, e mapeou disposição dos empreendedores de vender para a região.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – Empresas paulistanas que são novas exportadoras ou pretendem exportar em breve têm em seus planos as vendas para os países árabes. Foi o que demonstrou parte dos empresários presentes no 2º SP International Business Day, evento sobre exportação que ocorre nesta segunda-feira (21) até o final da tarde no Palácio do Comércio, da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), na capital paulista. A realização é da  SP Negócios, agência de promoção de exportações e investimentos do município de São Paulo.

O interesse no mercado árabe foi percebido durante reuniões dos empresários com câmaras de comércio, embaixadas e consulados, das quais participa a Câmara de Comércio Árabe Brasileira. As reuniões, chamadas de rodadas de inteligência de mercado, são parte da programação do evento. A SP Negócios casou as demandas das empresas inscritas com os países representados para fazer a agenda de encontros.

Cada câmara ou representação diplomática participante teve um espaço físico para atendimento e o da Câmara Árabe, assim como os de todos presentes, foi bastante procurado. A entidade teve reuniões tanto com representantes de empresas que já começaram a exportar quanto por companhias que querem iniciar na exportação.

Câmara Árabe teve reuniões com empresários

De acordo com a gerente de Inteligência de Mercado da Câmara Árabe, Ana Becker, as empresas que procuraram a entidade no evento sabem o que são os países árabes, mas têm uma imagem muito focada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo ela, nem todos conhecem toda a amplitude e diversidade do mundo árabe, e a potencialidade de alguns países como porta de entrada para outros mercados, caso do Egito para a África.

A Câmara Árabe foi procurada por empresas interessadas no mercado árabe de setores como commodities, fertilizantes, açaí, paisagismo, objetos de decoração, cosméticos, peças para ferrovias, perfumes, entre outros segmentos e produtos. Os representantes dessas empresas mostraram interesse em saber de ações para desbravar o mercado árabe, como participação em missões e em feiras nos países árabes.

De acordo com a assistente comercial da Câmara Árabe, Steffani de Novais, que participou do atendimento no evento da SP Negócios, após as reuniões, os contatos com essas empresas serão retomados. A Câmara Árabe vai apresentar a elas uma gama de ações que podem ser desenvolvidas via entidade para entrada no mercado árabe, como acesso a estudos de mercado e atividades de promoção nos países árabes.

“As empresas aqui estão num momento de expansão, de mostrar o trabalho, e isso pode ser feito nos países árabes”, afirmou Becker. Além da Câmara Árabe, que esteve presente para falar de países árabes, estiveram representados Angola, Canadá, Estados Unidos, Paraguai, Uruguai, Reino Unido, Japão, Costa Rica, China, Índia, Itália, Luxemburgo, Mercosul e México.

Juan Quirós falou na abertura do evento

Atualmente o Brasil tem cerca de 20 mil empresas exportadoras. O número foi mencionado durante o 2º SP International Business Day, que tem justamente o objetivo de aumentar a base exportadora do Brasil, especialmente do município de São Paulo. O evento contou com uma abertura e depois com apresentação simultânea de casos de empresas exportadoras seguidas de mentorias coletivas para companhias iniciantes na área internacional.

“A minha mensagem para vocês é que vocês aproveitem o dia de hoje, o networking é a essência de tudo, eu sempre falo isso para os meus filhos: networking, networking, networking”, afirmou o presidente da SP Negócios, Juan Quirós, na abertura do evento, ressaltando a importância de dar atenção às pessoas. “No dia de amanhã uma dessas pessoas será uma ponte de oportunidade”, disse Quirós.

Logo após a abertura, a diretora da Roca no Brasil, Maria Lucia Besson, contou aos presentes a história da expansão internacional da empresa espanhola. Quando entrou no Brasil, a Roca adquiriu as marcas locais de louças sanitárias Logasa, Celite e Incepa, e tinha planos de eliminá-las para estabelecer apenas a sua marca. Mas após descobrir que a Roca não era conhecida pelo consumidor brasileiro, a companhia revisou a estratégia e manteve as marcas locais, não só no Brasil, mas nos demais países para os quais se expandiu.

Maria Lucia: Roca teve sucesso na estratégia

Maria Lucia apresentou a escolha como uma decisão acertada e que definiu a existência da empresa no Brasil. A companhia produz todo tipo de produto para banheiros, desde revestimentos cerâmicos até porcelanas, metais sanitários, acessórios e outros. As marcas Roca e Laufen, esta última também do grupo, ficaram estabelecidas nos mercados de luxo e super luxo do Brasil, e as demais vendem para o mercado mais popular. A empresa tem hoje 11 fábricas no Brasil e do País exporta para todas as Américas, do Canadá para baixo, além de atender parte da África.

Entre as empresas que apresentaram suas histórias no 2º SP International Business Day esteve também a Itamaraty, fabricante de biscoitos e wafer, e conhecida principalmente pelos “sticks” Look. A gerente de exportação, Nancy Gonzales, falou a um grupo de empresários, em uma das conversas simultâneas seguidas de mentorias, e detalhou as peculiaridades da exportação de biscoitos e massas.

Nancy apresentou vantagens da exportação, como o fato de fortalecer a marca até no mercado interno e a boa receptividade que o Brasil tem nos mercados internacionais em geral. Ela também listou desafios, como as diferentes exigências para ingredientes, a necessidade de diversificação dos mercados para não ficar dependente de um ou poucos, a oscilação da taxa de câmbio e até mesmo o cenário internacional.

Na abertura do evento a SP Negócios assinou acordo de cooperação técnica com o Banco do Brasil para possibilitar o atendimento de empresas, tanto para um apoio pelo Banco do Brasil para as companhias interessadas em informação sobre financiamento para exportação, quanto para a capacitação para exportar pela SP Negócios.

Isaura Daniel/ANBA
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