Omar Nasser, da Fiep*
Curitiba – O Paraná espera bater um novo recorde na produção de grãos na safra 2007/2008: 31,4 milhões de toneladas. O número é 4,7% superior ao recorde anterior, de 30 milhões de toneladas, conquistado na safra 2002/2003, e supera em 6,8% a safra 2006/2007, quando foram colhidas 29,6 milhões de toneladas. Além disso, consolida o estado como um dos grandes produtores de grãos do país, com participação de 26% na produção nacional, estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 139,6 milhões de toneladas.
Como resultado da valorização de algumas commodities agrícolas no mercado internacional, como a soja, a renda no campo também deverá atingir números inéditos. O Valor Bruto da Produção (VBP), que corresponde ao faturamento bruto obtido pelo produtor rural com a venda dos grãos, poderá chegar a R$ 34,5 bilhões.
O valor recorde previsto para a safra 2007/2008 incorpora a safra de verão, estimada em 21,6 milhões de toneladas de grãos, a segunda safra de milho e feijão, de 6,8 milhões de toneladas, e a chegada da safra de inverno, que deverá acrescentar outros 3 milhões de toneladas ao total. “O clima bom e o mercado aquecido animam a colheita da safra de verão e incentivam o produtor a usar mais tecnologia”, avaliam os técnicos da Secretaria da Agricultura do Paraná.
De acordo com o órgão, a colheita da safra de soja, de 12 milhões de toneladas, corresponde a um recorde na produção do grão no Paraná. Cerca de 10,4% da produção já está colhida e o volume é 1,9% maior do que em 2007. O mercado está aquecido e o produtor está recebendo, em média, R$ 47,00 por saca. O valor é 57% superior ao do ano passado. Com isso, apenas a soja deverá injetar R$ 6 bilhões em faturamento bruto no campo.
Etanol
A colheita do milho da safra normal deverá atingir 9 milhões de toneladas, aumento de quase 5% em relação à safra passada. Como na soja, o mercado está aquecido. O preço médio recebido pelo produtor este ano atingiu R$ 21,45 por saca, o melhor desde o planto real. A decisão dos Estados Unidos de utilizar o milho para a fabricação de etanol favorece a sustentação dos preços internacionais do grão.
Apesar do momento otimista para o cultivo e comercialização de produtos agrícolas, o setor manifesta preocupação com a escalada do preço dos fertilizantes. Isso deve elevar os custos de produção e reduzir a rentabilidade no campo. De acordo com os técnicos da Secretaria da Agricultura do Paraná, entre fevereiro de 2007 e fevereiro desse ano o preço médio dos fertilizantes no estado aumentou 48%. Algumas formulações, no entanto, subiram mais de 50%.
*Federação das Indústrias do Estado do Paraná

