Recém-lançada, Editora Tabla foca em títulos árabes

A ANBA conversou com a fundadora da editora, Laura di Pietro, que junto com Ana Cartaxo criou a Tabla e a partir deste mês começa a lançar títulos de ficção de autores árabes, turcos e iranianos com traduções diretas ao português.

Bruna Garcia Fonseca
bruna.garcia@anba.com.br

São Paulo – Uma editora brasileira voltada para autores e títulos das culturas do Oriente Médio e Norte da África. Esta é a recém-lançada Editora Tabla, que neste mês começa a vender dois títulos árabes em sua estreia. Criado em 2016 pela diretora editorial Laura di Pietro e pela diretora de arte Ana Cartaxo, o projeto tomou forma e agora começa a comercializar os títulos, principalmente de autores árabes, mas também de turcos e iranianos. A editora é voltada a obras de ficção, poesias, romances e livros infantis, todos com tradução direta para o português brasileiro. Na foto acima, Laura (esq.) e Ana (dir.).

A ANBA conversou por telefone com Laura di Pietro, que também é fundadora da editora Roça Nova, sobre a criação da nova editora e a cultura árabe. Laura disse que há alguns anos vem contando com o apoio de Michel Sleiman e Safa Jubran, grandes tradutores do árabe para o português, que ajudaram a concretizar o projeto. “Eles vestiram a camisa e abraçaram esse projeto, é um trabalho coletivo, uma parceria”, disse Laura. Ela conta que a curadoria é feita por ela e Ana Cartaxo e também pelos tradutores.

Capa do livro do palestino Mahmud Darwich

Laura foi convidada a participar da Feira Internacional do Livro de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, em 2011. “Foi aí que começamos a ter uma clareza muito grande pra fazermos esse projeto, conhecemos editores árabes e fizemos bons contatos”, disse. Ela conta que ganharam uma bolsa e que retornaram ano passado ao evento no emirado para fechar contrato com diversos editores.

“Uma cultura sem tradução, ou sem tradução suficiente, é como uma casa sem janelas”, lembrou Laura de uma frase de Bodour Bint Sultan Al Qasimi, filha do emir de Sharjah e presidente da Fundação Kalimat para o Empoderamento de Crianças, além de fundadora e presidente da Associação de Editoras dos Emirados.

A Tabla conta ainda com o apadrinhamento do célebre autor brasileiro de origem libanesa Milton Hatoum. “Michel [Sleiman] e Safa [Jubran] são muito amigos dele, nos apresentaram e hoje somos amigos e ele vem nos ajudando e dando muito apoio a esse novo projeto”, disse Laura. Ela afirma que já tem um catálogo bem consolidado até 2024, mas que alguns títulos tiveram seu lançamento adiado para o ano que vem por conta da pandemia de covid-19.

Para este ano a previsão é de lançamento de dez títulos, sendo três infanto-juvenis e sete adultos, entre julho e dezembro. Este mês, o livro de poesia “Poema dos Árabes”, de Chânfara, poeta pré-islâmico da Península Árabe, com tradução de Michel Sleiman, e a prosa poética “Da presença da ausência”, do palestino Mahmud Darwich, com tradução de Marco Calil. Eles podem ser adquiridos em pré-venda pelo site da editora.

Poema dos Árabes também será lançado ainda este mês e já está em pré-venda

Tabla significa ‘tambor’ em árabe. Laura conta que o propósito da editora é fazer ressoar as culturas por meio da literatura, construindo pontes culturais, apresentando títulos de forma autêntica e fugindo de estereótipos.

Nem Laura nem Ana Cartaxo têm origens árabes, mas Ana já morou por quatro anos no Marrocos, em Rabat, e Laura afirma que as duas têm uma ligação muito forte com a cultura árabe, por viagens, literatura, arte e arquitetura. “Sempre fomos encantadas e muito envolvidas com o mundo árabe, temos uma admiração pelo lado cultural e toda a herança que nós recebemos desse mundo, eles têm um refinamento no melhor sentido da palavra, uma hospitalidade, uma conexão profunda”, disse.

Laura já visitou os Emirados Árabes e a Jordânia e conta que sonha visitar a Palestina. “Se existe outra vida, eu nasci ali”, afirma. Além do encantamento, Laura conta que observou um nicho de mercado que não estava preenchido. “Não tinha nenhuma editora voltada somente para esta região, então pensamos que seria muito bacana representarmos essa cultura tão importante inclusive para a língua portuguesa”, concluiu.

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