Salam, a robô que explica a realidade dos refugiados

A partir da narrativa de mulheres sírias reais e com avatar criado por brasileira, a ‘chatbot’ criada pelo Acnur interage com internautas no Facebook.

Thais Sousa
tsousa@anba.com.br

São Paulo – Salam, que em árabe significa ‘paz’, agora é também o nome de uma refugiada síria que tem por missão contar sobre a realidade enfrentada por pessoas nessa mesma situação. O detalhe é que quem cumpre essa tarefa é uma robô. Salam Nuri é o nome da figura criada para interagir com pessoas através do Facebook, levando informações e buscando sensibilizar o público sobre a realidade de quem se encontra em situação de refúgio.

O projeto foi desenvolvido e lançado no final de novembro pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), em parceria com o Facebook e a Universidade de Campinas (Unicamp). “A intenção é que as pessoas entendam a difícil jornada que famílias refugiadas têm que fazer em busca de segurança, muitas vezes percorrendo caminhos desafiadores para fugir de conflitos e perseguições”, conta Natasha Alexander, chefe da unidade de parcerias com o setor privado do Acnur.

A chatbot, nome da tecnologia de inteligências artificiais como Salam, responde a contatos no aplicativo de mensagens da rede social. E a história dela não foi simplesmente inventada. Os tópicos de respostas que a robô dá a cada interação foram criados a partir de depoimentos de mulheres sírias. Ao longo de dois meses o Acnur colheu registros dessas mulheres refugiadas, criando uma narrativa coletiva que, segundo o Alto Comissariado, foi validada em um grupo focal, com participação de cinco dessas refugiadas.

No diálogo, que oferece respostas possíveis a cada contato da robô, Salam conta sobre sua origem, na cidade síria de Daara. “A escolha por Daara foi no sentido de ser uma cidade muito afetada pela guerra e com ela conseguimos exemplificar o trajeto até encontrarem segurança”, conta Alexander.

Já o avatar da personagem foi criado pela aluna do segundo ano de Midialogia da Unicamp, Bárbara Daniel (foto acima). O contato da Acnur com a Unicamp teve início em julho de 2018 e a Universidade promoveu um concurso organizado pela Comissão de Cultura da Cátedra Sérgio Vieira de Mello, que a aluna venceu com a ilustração que representa a chatbot no perfil do Facebook.

São muitas as pessoas que na vida real se deslocam da Síria para o Brasil. Segundo dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) de 2017, o Brasil acolhia, até então, mais de 10 mil refugiados. Deste total, 39% deles eram de sírios, que compunham o maior grupo entre as nacionalidades reconhecidas como refugiadas no Brasil. O Acnur pretende manter Salam ativa ao longo de 2019 para continuar sensibilizando as pessoas para a causa do refúgio e para o próprio trabalho desenvolvido pelo Alto Comissariado.

Unicamp

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