Técnico brasileiro leva time saudita para primeira divisão

O treinador carioca Luís Antônio Zaluar atua no time de futebol Al Okhdood, da Arábia Saudita, desde 2019. No último sábado (03), a equipe venceu uma partida no campeonato nacional saudita e passou para a primeira divisão depois de 30 anos.

Bruna Garcia Fonseca
bruna.garcia@anba.com.br

São Paulo – O técnico de futebol carioca Luís Antônio Zaluar atua no time saudita Al Okhdood (também grafado como Al Akhdoud) desde 2019, e no último sábado (03), a equipe (foto acima) venceu uma partida do campeonato nacional e passou para a primeira divisão depois de trinta anos na segunda divisão.

O time fica na cidade de Najrã, na região Sudoeste da Arábia Saudita, próxima à fronteira com o Iêmen. Zaluar conta com uma comissão técnica brasileira do Rio de Janeiro, formada pelo preparador físico Carlo Flavio Socha, o treinador de goleiros Luciano Almeida e o fisioterapeuta André Amorim.

Zaluar e a equipe saudita em treino

A equipe árabe também tem dois jogadores brasileiros, o centroavante Taylon, de Minas Gerais, e o meio-campo Kaká Mendes, do Ceará, ambos de 27 anos. Os demais jogadores são sauditas. Esta é a primeira experiência para os dois jogadores na Arábia Saudita, mas Zaluar já atuou em nove times do Golfo Árabe desde 1987, com passagens por seis times sauditas (incluindo o atual), dois dos Emirados Árabes e um do Catar.

Incluindo as famílias da comissão técnica e dos jogadores, são treze brasileiros vivendo em Najrã desde julho de 2019, mas houve um hiato no ano passado, no início da pandemia, quando os brasileiros tiveram que retornar ao Brasil. “Quando estourou a pandemia, o campeonato foi interrompido e tivemos que voltar para o Brasil”, disse o técnico à ANBA em entrevista por telefone da Arábia Saudita. Em março de 2020, o embaixador do Brasil na Arábia Saudita, Marcelo Della Nina organizou um voo de repatriamento para 181 brasileiros que viviam no país, e segundo Zaluar, cerca de 160 pessoas repatriadas eram jogadores de futebol e seus familiares.

Da esq. para a dir. Zaluar, Almeida, Taylon, Kaká Mendes, Amorim e Socha

Em maio de 2020, os jogadores e a comissão técnica do Al Okhdood foram convocados a retornar à Arábia Saudita, onde estão desde então. A final do campeonato acontece nesta sexta-feira (08) e o Al Okhdood precisa de um empate para ser o campeão. A partida contra o Bisha FC pode ser conferida neste link, amanhã, às 14h45 pelo horário de Brasília.

Mas o mais importante eles já conquistaram, afirmou Zaluar. “Estamos nesse projeto de duas temporadas desde 2019 e no último sábado conseguimos levar o time para a primeira divisão, que é como sair da Série B para a Série A no campeonato brasileiro. O jogo de amanhã já não é tão importante. O acesso à primeira divisão foi muito mais importante do que ganhar o campeonato”, declarou, lembrando que o Al Okhdood estava rebaixado havia trinta anos.

O embaixador do Brasil na Arábia Saudita, Marcelo Della Nina, foi assistir ao jogo de sábado e acompanhou a importante vitória do time. Segundo Zaluar, esta foi a primeira vez que um embaixador brasileiro visitou a cidade de Najrã. “Nesse episódio do voo de repatriação nós ficamos próximos, o embaixador teve acesso ao nosso trabalho, nosso esforço, e o convidamos para assistir a partida”, contou o técnico.

Segundo Zaluar, os sauditas estão em festa com essa conquista. “Eles estão comemorando até agora, e [os contratantes] estão muito satisfeitos com nosso trabalho, trouxeram a gente para isso, para dar a eles o acesso à primeira divisão”, disse.

O embaixador do Brasil em Riad, Marcelo Della Nina (centro) com Zaluar e sua esposa, Alessandra Zaluar

O técnico e todos os brasileiros em Najrã tomaram a primeira dose da vacina de Oxford em 15 de março, e estão aguardando a segunda dose para poder então retornar ao Brasil, se os contratos não forem renovados para a próxima temporada.

Zaluar conta que viu muita evolução na Arábia Saudita desde a primeira vez que esteve no país, em 1987. O técnico afirmou ser autodidata em árabe, que fala e se comunica bem desde o ano 2000, mas não escreve nem lê, e que para aprender criou um dicionário próprio com mais de cinco mil palavras escrito à mão. “Eles me entendem bem, não tenho problema de comunicação. O inglês eu fiz curso, mas o árabe foi no braço, na raça mesmo”, brincou.

Zaluar disse que o Brasil já teve dezenas de treinadores atuando nos países árabes, mas que há cerca de dez a quinze anos, foram perdendo espaço para treinadores europeus e árabes (egípcios e tunisianos). “A nossa imagem já estava desgastada, e depois do 7 a 1 [na Copa do Mundo no Brasil, em 2014], praticamente não tinha mais nenhum treinador brasileiro vindo para cá. Agora estamos conseguindo, aos poucos, recuperar esse espaço, está sendo uma luta grande nossa, hoje somos quatro treinadores brasileiros na Arábia Saudita”, declarou.

 

Divulgação
Acervo pessoal
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