Marrakech – Os grandes nomes da moda mundial ficam marcados pelas suas criações e inovações. Foi assim com Coco Chanel, com Karl Lagerfeld e, não por menos, Yves Saint Laurent. Nascido em Orã, na Argélia, em 1936, Saint Laurent criou vestidos inspirados em trapézios quando ainda era o diretor artístico da Dior, o smoking feminino e a coleção Mondrian, esta apoiada nas formas geométricas do pintor holandês (1872-1944). Em muitos casos, Saint Laurent buscava inspiração em Marrakech, uma das quatro cidades imperiais do Marrocos ao lado de Meknès, Fez e Rabat.

Em sua casa ali, Saint Laurent passava meses ao lado do amigo, sócio e companheiro Pierre Bergé. A “maison” de Saint Laurent fica em meio às quase infinitas árvores e plantas do Jardin Majorelle, este por si só uma obra de arte ao ar livre criado pelo pintor francês Jacques Majorelle (1886-1962).
As histórias de Saint Laurent, Marrakech, Bergé e do Jardin Majorelle se entrelaçam e se revelam antes mesmo que o passeio comece. Museu e jardim são praticamente vizinhos no bairro de Gueliz, projetado pelos franceses e repleto de ruas e alamedas arborizadas. Já na entrada, o jardim revela ao visitante uma flora diversa graças à importação de exemplares de todos os lugares. É uma viagem pelo tempo, pois o jardim demorou mais de 40 anos para ganhar as formas atuais, e pela natureza. Destacam-se plantas aquáticas, como as nenúfares, além de cactos, suculentas, bambus e agaves.
Não foi sempre assim. A partir da morte de Majorelle, o jardim que tanto o inspirou teve sua existência ameaçada. Em 1966, Saint Laurent, que gostava de buscar inspiração para sua alta-costura na alma das cidades, se apaixonou por Marrakech, sempre com Bergé a seu lado. Foram e voltaram diversas vezes, fizeram amigos, se inseriram na sociedade local até que, em 1980, compraram o jardim, o ateliê anexo, restauraram o espaço e criaram a Villa Oasis. Esta passou a ser a sua residência durante alguns meses do ano.

Majorelle, Bergé e Saint Laurent estão em todos os momentos do passeio: o imóvel é pintado de um tom de azul especial, o “azul Majorelle”. Essa cor não pertence a Marrakech. Azul é a cor de Chefchaouen, cidade ao Norte do Marrocos. A cor de Marrakech é o vermelho, uma influência da tonalidade das terras da cidade. A licença para “espalhar” o azul por ali só poderia vir das pinceladas de um artista, como veio de Majorelle.
Outras – e muitas – cores são celebradas neste passeio: o verde das plantas, além do vermelho, do amarelo e de tantas outras que caracterizam a cultura dos berberes, ou amazighs, os povos que vivem no Marrocos desde antes dos árabes. Dentro do Jardin Majorelle está o museu Pierre Bergé de Artes Berberes. Apresenta, onde antes era o ateliê de Majorelle, uma coleção de artefatos e roupas dos berberes.

Ao deixar o Jardin Majorelle e já de volta ao vermelho que ornamenta as edificações de Marrakech, uma curta caminhada leva ao Museu Yves Saint Laurent. Em Paris há um museu em nome do artista. Em Marrakech também. Ali, na entrada, são poucos os visitantes que resistem a tirar uma foto diante das iniciais YSL que se tornaram a marca do artista. Dentro do espaço inaugurado em 2017, o que se vê é uma homenagem e um retrospecto da carreira de Saint Laurent.
Em um auditório, diversos documentários apresentam o processo criativo de Saint Laurent e descrevem como ele influenciou e foi influenciado pelas artes ao seu redor. Criações estão expostas em manequins e coleções são explicadas em quadros e esboços. Sobre a cidade que hoje guarda uma parte da sua história e que tanto influenciou em seu trabalho criativo, Saint Laurent dizia: “Antes de Marrakech, tudo era preto. Esta cidade me ensinou a cor”.
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Viagem feita a convite da Braztoa e do ONMT


