Alisamento capilar brasileiro é referência no Iraque

Cosméticos são vendidos por diversas marcas brasileiras para o país árabe há cerca de dez anos. Produtos são comercializados em farmácias, salões de beleza e lojas especializadas.

Bruna Garcia Fonseca
bruna.garcia@anba.com.br

São Paulo – O Iraque tem se mostrado um mercado promissor para várias empresas brasileiras de cosméticos. Se no Brasil o país árabe não é conhecido por seu consumo de produtos de beleza, no Iraque as marcas brasileiras são uma referência em alisamento capilar. Foi o que relataram para a ANBA três empresas que atuam na área e vendem bem entre as iraquianas.

Há cerca de dez anos, a Private Cosméticos, a Brazil Cosmetics e a Agilise Cosméticos exportam xampus, condicionadores e produtos para alisamento para o Iraque e outros países árabes. Um dos fatores que as ajudou a cair no gosto das iraquianas foi a produção de fórmulas sem formol, que são mais naturais e agridem menos os fios, exatamente o que o público local aprecia.

Entre as mulheres iraquianas de classe média alta está o grande consumo dos cosméticos do Brasil, segundo as empresas exportadoras. A maioria das iraquianas vai até o salão de beleza para tratar os cabelos, e por isso esse é um grande mercado para as marcas brasileiras, mas também há as que fazem o alisamento em casa e compram os produtos na farmácia.

Para vender no Iraque é preciso que as embalagens dos produtos tenham tradução para o inglês e árabe pelo menos no contrarrótulo. A variedade de idiomas oferecidos foi um ponto a favor de quem conseguiu entrar nesse mercado, segundo os relatos das empresas.

Por causa da pandemia, o mercado iraquiano recuou para os cosméticos brasileiros, já que muitos embarques aéreos não puderam ser feitos e mesmo os marítimos tiveram atrasos. A ANBA entrevistou representantes das três empresas supracitadas, que contaram mais detalhes sobre esse mercado e suas peculiaridades. Veja cada caso abaixo.

Private Cosméticos

Márcio Antônio Espíndola, CEO da Private Cosméticos, disse que exporta linha de cuidados em casa, xampus, condicionadores e alisamentos, produtos livres de sal e parabenos, que são uma exigência desse mercado, segundo ele. “Nosso alisamento é sem formol, já são anos de experiência com esse produto, nós revolucionamos esse mercado”, afirmou. A Private começou a vender para o Iraque em 2012, e 90% de sua produção de produtos capilares é exportada.

Márcio Antônio Espíndola na Beauty World, em Dubai

Espíndola conta que este mercado tem um crescimento constante, mas que adaptações precisaram ser feitas, como embalagens e rótulos em inglês e árabe. “Este mercado exige algo mais glamuroso, preços competitivos e uma embalagem mais premium”, disse.

A Private vende para distribuidores que colocam os produtos em farmácias, lojas especializadas e salões de beleza do Iraque. O carro-chefe é o alisamento Vegan Lizz. “É importante respeitar a cultura e religião dos árabes, e eles gostam muito do relacionamento pessoal, levam isso muito a sério para fechar negócio”, disse Espíndola, que pretende se especializar no mercado árabe. “É o mercado que mais compra [o árabe], os principais países são Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar, Jordânia, Líbia e Iraque”, contou.

Segundo o CEO, as iraquianas que utilizam os produtos são de classe média alta. “O Brasil é referência mundial em cabelos como a França é para perfumes”, afirmou.

Espíndola conta que as feiras de cosméticos e produtos de beleza, como a Beautyworld Middle East, em Dubai, são importantes para o crescimento das vendas e também para o relacionamento com os clientes. “Já participei de 48 feiras no mundo todo, teve um ano que participamos de 30 feiras”, disse.

Com a pandemia e sem os eventos presenciais, o empresário disse que está há três meses sem exportar para o Iraque. “Estávamos numa crescente e tivemos que parar por causa da pandemia. Todo mundo está passando dificuldade na entrega de mercadorias, ficamos três meses sem exportar, todo o sistema ficou muito lento. Não tinha porque eles manterem a compra com os salões fechados. Possivelmente agora a partir de agosto acredito que abra mais as fronteiras e haja uma retomada de compras crescente porque eles não devem ter mais estoque e as lojas já estão abrindo”, explicou. Alguns embarques por via marítima vão direto para o Iraque. Os produtos que vão por transporte aéreo param em Dubai e de lá são redistribuídos.

Brazil Cosmetics

O CEO da Brazil Cosmetics, Paulo Amorim, contou que seu principal produto de exportação em todo o mundo, e também no Iraque, é o alisamento. Em março, ele disse em entrevista à ANBA que abriria um escritório em Dubai até junho, para facilitar os negócios na região. Mas por causa da pandemia, a abertura foi adiada. “Vamos esperar passar a pandemia, muitos investidores estão com medo, achamos melhor esperar e ir com segurança”, disse. Os principais países para onde a Brazil Cosmetics vende por meio de um distribuidor em Dubai são Iraque, Irã e Índia. “O único problema com o Iraque é que não temos uma forma direta de negociação, então eles compram do nosso distribuidor exclusivo em Dubai, e de lá pode sair por via aérea ou marítima”, informou.

Paulo Amorim (dir.) com seu representante de vendas para o Iraque

Amorim conta que no primeiro trimestre deste ano, as exportações para o Iraque tiveram crescimento, mas que teve que fechar por algum tempo por causa da pandemia e agora está retornando com as vendas. “Estabilizou, mas ainda não está da maneira como esperávamos”, disse.

O empresário conta que seus produtos também são encontrados em salões de beleza, lojas de cosméticos e farmácias, e que há dois perfis de consumo no Iraque. “Em Bagdá, as mulheres já compram o alisamento em lojas e fazem sozinhas. Geralmente é uma mulher da família que sabe fazer e faz na família toda”, conta Amorim. Já em Basra, a venda é feita diretamente para profissionais e salões de beleza.

Há seis anos exportando para o Iraque, os principais produtos vendidos são o alisamento Amazon Flowers, xampus, condicionadores, e a linha Ipanema Bio Restore. “Também já fizemos duas private labels para eles”, contou. Amorim afirma que a clientela tem um perfil de classe média alta, e que para este mercado, o contrarrótulo dos produtos, onde ficam o modo de usar e os ingredientes, tem oito idiomas, entre eles inglês e árabe.

Agilise Cosméticos

O gerente de operações da Agilise Cosméticos, Caio Lopes, contou que sua empresa também tem como carro-chefe o produto para alisamento no Iraque. “O cosmético brasileiro já é famoso no mundo inteiro, e o alisamento também, porque temos todos os tipos de cabelo no Brasil, é um produto que funciona em todo o mundo”, disse. Na foto acima, o técnico internacional Robson Ribeiro na feira Beautyworld Middle East em Dubai.

Os produtos capilares da Agilise vendidos no Iraque são cuidados para casa, xampus, linhas para cuidado com química e pós-química e a linha de alisamento Unika. “Somos considerados o produto número 1 em alisamento no Iraque”, afirma.

Seus produtos são voltados para o cabeleireiro, vendidos em salões de beleza e perfumarias profissionais. Não são vendidos em farmácia. Lopes afirma que seus produtos atingem quase todas as faixas sociais no Iraque. Os rótulos são em inglês e português, e os contrarrótulos, em inglês e árabe.

“De novembro de 2018 a novembro de 2019, enviamos cerca de 15 toneladas em produtos. De novembro do ano passado até agora, foram 32 toneladas, vendemos quase o dobro”, declarou. Ele afirma que mesmo com a pandemia, continuou embarcando os produtos. “Aqui no Brasil demoramos para entrar na quarentena, então quando o Brasil fechou, os outros países já estavam reabrindo”, disse.

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