São Paulo – As medidas adotadas pelo Brasil contra a crise financeira internacional, iniciada em setembro de 2008, estão sendo bem sucedidas e colocaram o país na frente dos demais parceiros da América Latina na retomada da economia, tendo um crescimento acima da média mundial. Essa análise constará do próximo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), a ser divulgado entre amanhã (29) e quarta-feira (30), segundo antecipou o diretor adjunto desse organismo, Murilo Portugal.
“O Brasil está liderando a retomada do crescimento na América Latina, graças a força da sua economia, a solidez de seus bancos e as políticas econômicas que foram adotadas para enfrentar a crise. O país vinha implementando boas políticas como o câmbio flutuante, a responsabilidade fiscal e algum controle da inflação”, justificou o dirigente.
O risco atual, segundo ele, seria a possibilidade de uma retração expressiva do comércio mundial, fato que ele não acredita que venha a ocorrer, embora exista a previsão de que o problema do desemprego vá persistir por mais tempo nos países desenvolvidos.
O FMI reviu as previsões de crescimento da economia mundial em 2010 de 2,5% para 3%. Essa estimativa também estará no relatório.
Portugal observou que os dados indicam a retomada do crescimento mundial de forma gradual, o que se deve muito mais à reposição de estoques da indústria do que a reação do consumo. Segundo ele, os bancos ainda não estão com capacidade plena para aumentar seus empréstimos. Diante disso, o executivo recomenda que sejam mantidas as políticas de estímulos fiscais e de apoio ao sistema monetário.
Na previsão dele, o Brasil está em condições mais favoráveis do que o resto do mundo para reagir aos efeitos da crise. “Acho que o Brasil no ano que vem vai crescer mais rápido e mais forte do que a economia mundial.”
Portugal classificou de “muito importante” o consenso definido, na semana passada, durante o encontro dos países do G-20, nos Estados Unidos. Os países emergentes passarão a ter mais influência no FMI, com a transferência de 5% das cotas do organismo.
Ele informou que os aportes de recursos para os países emergentes evoluíram, passando de US$ 14 bilhões, em 2007, para US$ 160 bilhões desde setembro do ano passado. Além disso, foram criadas linhas de crédito para socorrer países com medidas preventivas, como foram os casos do México, Colômbia e Polônia.

