São Paulo – O primeiro painel da 5ª edição do Fórum Econômico Brasil & Países Árabes, da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, teve como tema “Energia, geopolítica e oportunidade industrial” e seis debatedores, conduzidos pelo moderador Justin Alexander, diretor da Khalij Economics e Economista especializado no Conselho de Cooperação do Golfo (GCC). A tônica do debate se deu em torno da preocupação com os impactos dos conflitos no Oriente Médio na economia global e a busca por soluções alternativas, além de oportunidades de negócios entre o Brasil e os países árabes.

Na palestra de abertura, Hussein Kalout, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), destacou a sólida tradição diplomática do Brasil e seu posicionamento em relação ao conflito no Irã, considerando que o país, como décima economia mundial, é uma potência econômica relevante. “No que diz respeito ao Oriente Médio e ao conflito, eu vejo uma transformação irreversível nas questões securitárias e na forma como os países da região veem os Estados Unidos e o Irã”, disse. “O direito internacional perdeu sua essência, vulnerabilizando quem mais depende dele.”
Kalout abordou o impacto do conflito na economia (em torno de meio trilhão de dólares, podendo chegar até dois trilhões e meio), e como isso afeta todo o mundo, como na disparada de preço do barril de petróleo. “Não vejo cenário de conclusão de guerra e a confiança mútua vai demorar a ser reconquistada”, disse o palestrante. Enquanto isso, segundo ele, os países árabes precisam buscar alternativas securitária e econômica.

Dania Arayssi, chefe de Programa e Analista Sênior do New Lines Institute for Strategy and Policy, dos Estados Unidos, citou justamente uma estratégia alternativa que está ocorrendo no Oriente Médio por conta do conflito: o projeto Four Seas, que traça diferentes rotas nos mares Negro, Mediterrâneo, Cáspio e do Golfo. Ela também disse que o objetivo do seu trabalho é engajar Iraque, Síria, Jordânia e Líbano na produção e exportação de petróleo. “O Líbano, por exemplo, tem refinarias no Norte que estão desativadas, existe hoje uma conversa para que elas sejam reativadas”, disse.
Mohamed Ali Chihi, diretor-executivo do Global Institute for Strategic Research (GISR), ao comentar as consequências do conflito para os demais países da região lembrou que “não podemos dar o direito a um país fechar um corredor comercial tão importante”, se referindo ao fechamento do Canal de Ormuz. “Esperamos ter uma solução de longo prazo, e que seja pacífica”, disse. Citou o Catar como um país famoso pela capacidade de mediação e enfatizou que os árabes precisam estar na mesa de negociação, e não só como espectadores.
Comércio bilateral
Juliana Candido, especialista Sênior em Estudos e Relatórios Tributários do Departamento de Finanças do governo de Dubai, e Frederico Lamego de Teixeira Soares, assessor Especial para Assuntos Internacionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), focaram mais nas múltiplas possibilidades de negócios entre Brasil e países árabes. Juliana falou sobre a redução de impostos dos Emirados Árabes Unidos como um atrativo para empresas brasileiras que querem se estabelecer na região. “O governo está alinhado com as práticas internacionais, mas pretende deixar baixos os impostos justamente para ser um hub internacional”, disse.

Já Frederico citou três setores que poderiam render promissoras parcerias entre árabes e brasileiros: minerais críticos, defesa e energia. Sobre a primeira, citou o projeto MagBras, consórcio de mais de 20 empresas, em torno dos minérios raros. Já em relação à defesa, disse que as empresas brasileiras têm dificuldade em fazer negócios com os árabes. “Nossas empresas estão dispostas até a fazer plantas locais, trocar conhecimento, uma situação ganha-ganha e até uma alternativa aos países árabes para as questões geopolíticas, como a atual.”
Por fim, Drine Okba, gerente de vendas do Groupe Chimique Tunisien (GCT), da Tunísia, falou sobre as oportunidades para os brasileiros no setor de fertilizantes, lembrando que seu país tem uma das maiores reservas de fosfato do mundo. “Estamos investindo para aumentar a capacidade para nove milhões de toneladas de fosfato, e expandindo para além dos nossos parceiros históricos”, anunciou. E finalizou: “Estamos abertos a parcerias, venham conhecer a Tunísia!”.
O fórum promovido pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira tem como patrocinadores Fambras Halal, International Halal Academy, Vale, DP World, Cdial Halal, First Abu Dhabi Bank, MBRF Global Foods Company, Qatar Airways e MZAH Group Investment. São apoiadores institucionais Liga Árabe, União das Câmaras Árabes e Federação das Indústrias do Estado da Bahia. É parceira a Cacilda Aragão Tours.
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