Brasil terá 36 atletas em Olimpíadas Especiais de Abu Dhabi

Equipe brasileira conta com 51 integrantes, entre atletas, técnicos e staff. Grupo já está nos Emirados fazendo atividades pré-jogos. Mubadala patrocina delegação.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – O Brasil terá 36 atletas competindo nas Olimpíadas Especiais de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, que começam nesta quinta-feira (14). Estão no país 51 brasileiros, entre atletas com deficiência intelectual, atletas parceiros (que compõem as equipes, mas não têm deficiência), técnicos, delegados e equipe médica. Na foto acima, dois atletas se preparando para embarcar.

“Para eles é algo super diferente, especial, uma oportunidade única na vida”, disse nesta quarta-feira (13) à ANBA George Henry Castilho Millard, presidente das Olimpíadas Especiais Brasil, braço brasileiro do movimento mundial que apoia o esporte entre pessoas com deficiência intelectual.

Millard teve encontro com os participantes antes da partida para Abu Dhabi e disse que estavam todos ansiosos, fazendo perguntas sobre a língua e vestimentas nos Emirados. “Tem gente que nunca saiu da sua cidade. É isso que a gente chama de oportunidade nas Olimpíadas Especiais”, disse o presidente.

Apesar de as disputas começarem nesta quinta-feira, o grupo de atletas já teve atividades esportivas preparatórias e postou fotos no Facebook sobre elas nesta terça-feira (12). Os brasileiros terão participação nas modalidades águas abertas, atletismo, bocha, futsal, ginástica rítmica, tênis, natação e vôlei de praia.

As Olimpíadas Especiais ocorrem a cada quatro anos. Na última edição, em Los Angeles, nos Estados Unidos, a equipe brasileira conseguiu 38 medalhas, das quais 15 de ouro. Mas Millard explica que a quantidade de medalhas não importa. “Olimpíadas Especiais são sobre inclusão, não sobre competição”, afirma ele.

Diferente das Paralimpíadas, que são voltadas a deficientes físicos e privilegiam o desempenho, as Olimpíadas Especiais têm vários níveis de competição, desde o alto rendimento até outros, nos quais cada atleta vai disputar com quem está em um patamar parecido ao seu. Também pensando na inclusão, os que têm deficiência intelectual formam equipes com quem não tem e competem em grupo.

A equipe brasileira viajou com patrocínio da Mubadala, empresa de investimentos de Abu Dhabi, que soube das dificuldades para viabilizar financeiramente a participação. Havia projeto aprovado desde novembro para captação de recursos por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, mas o processo travou com o início do novo governo, que resolveu rever os projetos e processos, segundo Millard.

Uma das saídas foi um empréstimo das Olimpíadas Especiais Internacional, órgão no qual a Olimpíadas Especiais Brasil é credenciada. Mas Millard conta que haveria dificuldade de pagar. Também foi feita uma vaquinha online, mas ela gerou dinheiro insuficiente. Com isso, a participação que seria de cem pessoas, caiu para cerca de 50. Já com a equipe credenciada, a Mudabala chegou para o patrocínio.

As Olimpíadas Especiais de Abu Dhabi vão receber mais de 7,5 mil atletas de cerca de 190 países. Millard lembra que esse número é o dobro das Paralimpíadas – a última edição teve 3.800 pessoas e está apenas um pouco abaixo das Jogos Olímpicos (tradicionais), que reuniu cerca de 10 mil atletas. Segundo ele, as Olimpíadas Especiais são o maior evento esportivo humanitário do mundo.

As Olimpíadas Especiais Brasil não atuam apenas na organização da participação brasileira nos jogos mundiais da área, mas trabalham em várias frentes pelo fomento ao esporte entre os que têm deficiência intelectual. No ano passado, foram promovidos 140 eventos esportivos. “É um movimento para dar oportunidade para pessoas com deficiência intelectual através do esporte”, define Millard. Cerca de 50 mil pessoas se envolvem com essas atividades no Brasil, segundo ele.

Os brasileiros viajaram para Abu Dhabi em 08 de março e já participaram do Programa Cidade Anfitriã, colocado em prática em cada competição mundial. Por meio dele, uma cidade do país recebe o grupo para programação cultural e envolvimento com a comunidade. Os brasileiros foram recebidos em Dubai. A sede dos jogos é Abu Dhabi, mas atletismo e natação serão disputados em Dubai.

O ex-jogador de futebol brasileiro e atual senador, Romário de Souza Faria, também estará em Abu Dhabi com a equipe brasileira. Ele é um dos embaixadores das Olimpíadas Especiais Brasil e vai representar o grupo de embaixadores do País.

As Olimpíadas Especiais de Abu Dhabi terminam no dia 21 de março.

Marcos André Pinto

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