Brasileira abriu empresa no Catar e busca parcerias

A gaúcha Luana Ozemela é fundadora e CEO da Development Impact Managers & Advisors, de Doha. Ela visitou a Câmara Árabe e se reuniu com o secretário-geral Tamer Mansour.

Bruna Garcia Fonseca
bruna.garcia@anba.com.br

São Paulo – A empresária brasileira Luana Ozemela vive há dois anos no Catar e há cinco meses fundou a empresa Development Impact Managers & Advisors (Dima) no país. Ela é doutora em Economia e na última quinta-feira (14) visitou a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, onde se reuniu som o secretário-geral Tamer Mansour. Na véspera, ambos participaram do Fórum Brasil África, na capital paulista.

A companhia oferece serviços de facilitação de negócios, como estruturação de projetos, pesquisa e análise, cooperação para o desenvolvimento, investimentos de impacto, educação e treinamento, e indústrias criativas.

A Dima é uma empresa estabelecida no Qatar Financial Centre, centro financeiro em Doha. “Nossa empresa é considerada pela diretoria executiva do Qatar Financial Centre a única empresa liderada por uma mulher brasileira estabelecida lá, e nosso objetivo é prover serviços tanto para empresas brasileiras que querem fazer negócios com o Catar e no Catar, quanto para investidores catarianos que estão buscando oportunidades de investimento no Brasil”, disse Ozemela à ANBA.

“Estamos aqui na Câmara Árabe para nos apresentar, para explorar sinergias, para ver se existe um interesse de contar com um braço do setor privado brasileiro no Catar”, disse Ozemela. A executiva afirmou que a Câmara Árabe é uma entidade muito respeitada no país do Golfo. “Nós trabalhamos muito com a Qatar Chamber (Câmara de Comércio e Indústria do Catar), e eles perguntam se nós trabalhamos com a Câmara Árabe, e nós ainda não tínhamos tido a oportunidade de ter esse contato direto”, contou.

Segundo a executiva de Porto Alegre, a empresa está expandindo o raio de atuação para a América Latina e para os países do Golfo, por existir uma grande demanda. “Nós temos como suprir essa demanda regional. Com o embargo, a locomoção para os países que estão impondo o bloqueio é mais difícil (Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein e Egito), mas existem alguns outros países como Omã e Kuwait, onde nós temos os nossos contatos”, disse.

Ozemela afirmou que é possível expandir os negócios para Dubai, nos Emirados. “Se uma empresa brasileira se aproxima querendo fazer negócios com o Catar, com Dubai, nós temos como criar inteligência de negócios em outros mercados fora do Catar, nos países do Golfo, para isso nós não temos limitações. Obviamente não temos clientes de Dubai, mas temos clientes latino-americanos que querem fazer negócios na região, porque o Catar está muito bem posicionado, no coração do Golfo. Num raio de três mil quilômetros existem 25 economias ao redor do Catar, então mesmo com o bloqueio é um mundo que se abre, que vai muito mais além do Catar geograficamente para empresas brasileiras que querem fazer negócios nessa região”, declarou.

Segundo Ozemela, a empresa oferece vários tipos de serviços para a promoção de exportações e investimentos, que vão desde inteligência de negócios até organizar reuniões entre investidores e empresas.

A Dima tem uma equipe de seis pessoas em Doha que trabalha sob demanda de projetos. “Se temos uma demanda de exposição, por exemplo, um Brasil Expo no Catar, expandimos a equipe conforme os projetos que chegam até nós”, explicou Ozemela.

A empresa oferece serviços de facilitação. Entre eles, a cooperação para o desenvolvimento, para governos latino-americanos que querem fazer parcerias com o Catar, como transferência de conhecimento e projetos bilaterais em comum. “Na questão da cooperação bilateral, nós fazemos a implementação de iniciativas e estruturação de projetos visando desenvolvimento com impacto em ambas economias, ou um grupo de economias interessadas em fazer negócios juntos”, explicou.

História

A brasileira de Porto Alegre estava trabalhando em Washington, nos Estados Unidos, quando conheceu o marido, o nigeriano Ugo Ozemela. Ela trabalhava no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e ele em uma empresa de petróleo norte-americana. Ele foi morar em Doha a trabalho há quatro anos, e ela, há dois, continuando a trabalhar para o BID.

“E recentemente nós desenvolvemos nossa empresa, tem cinco meses, foi um desafio começar a empresa. Já tive negócios no Brasil, abri uma empresa de TI com 18 anos, mas no Catar é diferente, a lei catariana exige uma participação majoritária de um sócio nativo. Até encontrar o caminho das pedras de como estabelecer um negócio em que eu tivesse a liberdade de poder tomar decisões demorou um pouco de tempo”, contou.

Foi por meio de contatos com o Qatar Financial Centre que Ozemela encontrou uma solução. “Eu conheci uma diretora executiva da empresa e ela me falou sobre a possibilidade de abrir uma empresa 100% minha, através de uma zona franca como o Qatar Financial Centre. Foi uma informação direto da fonte, acredito que foi estar no momento certo no lugar certo. Obviamente não foi tão fácil, mas no final das contas foi um processo de muito aprendizado e agora estamos estabelecidos lá com um mundo de oportunidades”, declarou.

Igualdade de gênero

Ozemela é doutora em Economia da Discriminação, que abrange a economia de gênero e racial, e defendeu sua tese na Escócia. “No Catar, temos como cliente uma universidade e preparamos um curso sobre Mulheres em Desenvolvimento e estamos focando nas políticas públicas com esse enfoque de gênero”, contou.

A executiva contou que há mais mulheres no mercado de trabalho no Catar que no Brasil. “Em termos do indicador de participação da mulher no mercado de trabalho, a taxa de participação da mulher no mercado de trabalho no Catar é mais elevada que no Brasil, segundo a estatística média nacional. Mas obviamente que quando a gente separa a mulheres migrantes das mulheres catarianas a taxa é bem distinta. As migrantes têm uma taxa de participação laboral bem mais elevada – esse é o objetivo da migração, mesmo assim a taxa de participação de mulheres catarianas é mais elevada que em outros países do Golfo. Na região é de 25%, e no Catar, é 37%. Então a gente vê uma distinção nesse aspecto”, relatou.

Câmara Árabe

Ozemela disse que a visita ao Brasil está sendo muito bem-sucedida e que está empolgada com uma parceria com a Câmara Árabe. “A visita à Câmara Árabe nos impressionou muito, a infraestrutura, o tamanho da equipe, e a reputação que vocês criaram para si, que atrai tanto as empresas brasileiras querendo fazer negócios no mundo árabe quanto o mundo árabe querendo fazer negócios no Brasil. Para nós é uma honra poder contar com a Câmara Árabe como parceira, vai ser muito promissora, tem muitas ações que podemos implementar juntos”, concluiu. A executiva está no Brasil por uma semana para uma série de compromissos e ainda terá reuniões com clientes e parceiros em potencial.

Além dela e do marido, participaram da reunião o consultor financeiro da Dima, Antonio Santos, e a analista de Relações Institucionais da Câmara Árabe, Danielle Berini. Na foto acima, da esquerda para a direita, Santos, Mansour, Luana e Ugo Ozemela.

Bruna Garcia/ANBA

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