Brasileiras ensinam jiu-jítsu para mulheres sauditas

Roberta Ferreira e Lidiane Ramos Faubel organizam campeonatos femininos e dão aulas do esporte para mulheres e crianças na Arábia Saudita. Alunas são muito dedicadas, segundo as professoras.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – As mulheres sauditas estão aprendendo jiu-jítsu e entre as responsáveis por isso estão duas brasileiras. A fluminense Roberta Ferreira e a baiana Lidiane Ramos Faubel vivem no país árabe, onde dão aulas e trabalham na organização de campeonatos para mulheres da arte marcial. No grupo das praticantes locais do esporte há universitárias, médicas, fisioterapeutas, marqueteiras, cozinheiras, donas de casa, entre muitos outros perfis. (Na foto acima, Roberta com sauditas que praticam jiu-jítsu.) 

Roberta: jiu-jítsu desde a adolescência

Tanto Roberta quanto Lidiane moram em Jeddah com suas famílias. Os maridos também trabalham na área. Roberta, faixa-preta, está na Arábia Saudita há sete meses e se mudou para o país do Oriente Médio após vários anos de trabalho com o jiu-jítsu no exterior. Ela começou a praticar o esporte na adolescência e ainda bem jovem foi morar com o marido, o lutador José Ferreira Silva Junior, nos Estados Unidos, onde treinou e deu aulas.

O passo seguinte foi se mudar para um país árabe, os Emirados Árabes, onde seu marido foi um dos responsáveis pela implantação de projeto local de difusão do jiu-jítsu. Os primeiros anos nos Emirados foram de aulas para crianças e adolescentes, e os últimos de ensino da arte marcial para as mulheres do exército. Com o convite para o marido ajudar a construir um projeto grande de jiu-jítsu na Arábia Saudita, ela também abraçou a ideia.

Enquanto José Ferreira está na direção técnica e é o treinador principal da Federação de Jiu-Jítsu Saudita, Roberta organiza os campeonatos femininos e mistos, para adultos e crianças. Desde que ela chegou no país já aconteceram dois campeonatos para mulheres e um misto. A brasileira também dá aulas, como parte da equipe Ricardo Libório, no centro esportivo Arena, no qual é a treinadora chefe do projeto feminino de jiu-jítsu. As aulas são para mulheres e meninas, mas ela também começou a ensinar alguns meninos a pedido de suas mães.

Lidiane é juíza de campeonatos

Roberta conta que as mulheres treinam com roupas esportivas, mas quando vão a campeonatos algumas usam o hijab com o kimono. Roberta conta que a autorização para lutar sem o hijab depende da família. A brasileira afirma que as mulheres sauditas que praticam o jiu-jítsu são muito dedicadas. “É motivo de muito orgulho para elas ter um campeonato delas”, afirma. Ela conta que há casos em que toda a família pratica o jiu-jítsu: mãe, pai e filhos.

Lidiane é faixa-marrom em jiu-jítsu e está em Jeddah desde março do ano passado. Ela atua como juíza de campeonatos e trabalha com Roberta na organização dos eventos esportivos e dando aulas para mulheres e crianças na Arena. O marido, o holandês Christian Faubel, é competidor e dá aulas também. Lidiane percebe muita dedicação e foco das sauditas no jiu-jítsu e acredita que a ideia de que de que as sauditas são submissas e só cuidam de casa não é verdade. “Elas têm a vida delas, são competidoras, lutam bastante para aprender”, afirma.

Apesar de ter nascido no interior baiano, Lidiane foi morar ainda bebê em Guarulhos, na Grande São Paulo. Depois do fim do primeiro casamento, resolveu aprender jiu-jítsu. Praticou o esporte, competiu em campeonatos e começou a dar aulas. Foi por meio do atual marido, que conheceu no Brasil durante a Copa do Mundo de 2014 e com quem se casou em 2016, que soube de uma oportunidade de trabalho na Arábia Saudita. Os dois resolveram encarar uma nova fase da vida juntos, ao redor do jiu-jítsu, no país árabe.

Brasileiras com alunas crianças e adolescentes

Lidiane conta que no país tem amigas sauditas e estrangeiras, de lugares como Líbano, Cingapura, Iêmen, e que gosta da sua vida local. “Agora me acostumei com a vida daqui. Aqui é muito tranquilo, o que eu mais gosto é a segurança”, afirmou à ANBA por telefone. Segundo Lidiane, existe muito respeito por quem é de fora. A brasileira diz que não se importa de usar a abaya – túnica comprida – por cima das roupas. Com os cabelos, ela anda à mostra.

Roberta, que chegou na Arábia Saudita após vários anos em Abu Dhabi, onde havia muitos estrangeiros vivendo temporariamente, também tece muitos elogios ao povo saudita. Diz que são humildes, amigos, muito humanos e solidários. “As pessoas fazem muitas doações na rua, em dinheiro, comida”, relata. Roberta conta que seus dois filhos – uma menina de 14 anos e um menino de 13 anos – amam a Arábia Saudita.

Além das brasileiras, há outras mulheres ensinando jiu-jítsu na Arábia Saudita, estrangeiras e locais.

Arquivo Pessoal
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Divulgação

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