Brasileiros fecham negócios na Gulfood

São os casos das empresas Ruette Spices, Agro Food e de frigoríficos. Movimentação intensa agrada os exportadores do Brasil. Mostra termina nesta quinta-feira.

Alexandre Rocha
alexandre.rocha@anba.com.br

Dubai – Empresas brasileiras que expõe na Gulfood fecharam negócios com importadores na feira do ramo de alimentos que ocorre em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. É o caso da Ruette Spice, de Campinas, no Interior de São Paulo, que exporta pimenta do reino produzida no Espírito Santo e no Pará. Segundo a gerente de exportação, Cristina Guerreiro, a companhia recebeu encomendas de cerca de 300 toneladas nos três primeiros dias da mostra.

"Esta feira é espetacular, é a melhor que há, melhor até do que a Sial e a Anuga", disse ela nesta quarta-feira (27), referindo-se a duas das maiores feiras do setor, que ocorrem, respectivamente, na França e na Alemanha. "Só vem gente do ramo", afirmou.

Ela informou que, apesar do evento ser realizado em Dubai, fez muitos negócios com importadores do Paquistão e do Egito. Quem compra a pimenta geralmente são indústrias e empresas que embalam o produto para revender no varejo.

Guerreiro destacou que só não vendeu mais porque os estoques da companhia estão baixos e porque muitos compradores estão a espera da safra do Vietnã, em duas semanas, para saber como os preços vão ficar no mercado internacional. "A demanda é bem maior", ressaltou.

Da mesma forma, Fabio Correa Lima, da Agro Food, disse que também fechou negócios. "Temos muitos clientes aqui", declarou. A empresa comercializa café, especiarias e feijão. Os importadores são geralmente atacadistas e indústrias.

Lima contou que participa da Gulfood desde que a mostra começou a ser realizada. "A feira é muito boa, nós já viemos oito ou nove vezes, desde o começo", afirmou.

Na mesma linha, o diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadores de Carne (Abiec), Fernando Sampaio, disse que os frigoríficos fecham negócios na mostra. "A feira é sempre muito boa, o pessoal gosta de vir, sai muito negócio", destacou. "O Oriente Médio é muito importante para nós”, acrescentou. Oito dos dez associados da Abiec estão na Gulfood.

Já a gaúcha Germani, de biscoitos, massas e cereais, expõe no evento pela primeira vez. “Está acima da nossa expectativa”, declarou Julio Reichel, gerente de vendas. A companhia pertence à Agrale, indústria brasileira de veículos.

Ele e a supervisora de comércio exterior, Patrícia Guetthes, procuram distribuidores e dizem ter feito muitos contatos. A aposta é principalmente na exportação de biscoitos. Embora a empresa ainda não venda para a região, fez a lição de casa e conta com embalagens em árabe, além do inglês, francês e espanhol. Eles têm intenção de voltar ao evento no próximo ano.

Quem está na expectativa de receber encomendas é Sabah Al-Sabah, da kuwaitiana Braz Foods, que comercializa a marca Açaí Brasil, produto fornecido pela brasileira Amazônia Energy. "O açaí não era conhecido na região, agora é mais conhecido", afirmou. "Se depender das promessas [dos importadores], não vai mais ter açaí no Pará", brincou Sérgio Nunes, da Amazônia Energy.

O gerente comercial da exportadora de limões Gibran, Ederson Nogueira, declarou que a Gulfood deste ano está melhor que a do ano passado. "[A feira] tem crescido ano a ano", disse.

Segundo ele, a companhia vende limões frescos para região, mas o negócio ainda é pequeno e o principal mercado segue sendo a Europa. Isso porque o limão siciliano é mais utilizado no Oriente Médio e há a concorrência da Índia, cujos preços são mais baixos.

A Gulfood termina nesta quinta-feira (28). São ao todo quatro dias de mostra.

Publicações relacionadas