Câmara Árabe apresenta pesquisa em congresso Esomar, em SP

Associação internacional que representa a indústria de pesquisas e dados selecionou trabalho sobre a imagem do Brasil nos países árabes e vice-versa, da Câmara Árabe, realizada pela H2R Pesquisas Avançadas.

Bruna Garcia Fonseca
bruna.garcia@anba.com.br

São Paulo – A pesquisa “Relações de Negócios e Investimentos entre Brasil e Países Árabes”, encomendada pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, foi selecionada para ser apresentada no congresso sobre pesquisas, dados e inovação, o Esomar Latin America 2019, nesta segunda-feira (08), em São Paulo. O evento da European Society of Marketing Research (Sociedade Europeia de Pesquisa de Marketing), uma associação global que representa a indústria de pesquisas, dados e inovação, vai até esta terça-feira (09), no hotel Tivoli Mofarrej.

Apresentada pelo CEO da Câmara Árabe, Tamer Mansour, e pela diretora da H2R Pesquisas Avançadas, Alessandra Frisso, a pesquisa trata da imagem do Brasil nos países árabes e vice-versa. A H2R fez uma parceria com a Asfour Research Network, sediada em Dubai, para realizar a pesquisa em cinco países árabes: Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Jordânia, Egito e Argélia. “Conseguimos uma amostra das três regiões árabes, o Norte da África, o Golfo Árabe e o Levante”, explicou Frisso na apresentação. A pesquisa no mundo árabe foi feita de forma presencial, em inglês e árabe. “No caso da Arábia Saudita, por exemplo, para conseguirmos entrevistar mulheres tivemos que levar mulheres pesquisadoras”, contou.

Alessandra Frisso, da H2R, e Tamer Mansour, da Câmara Árabe

Frisso disse que um aspecto que chamou a atenção na pesquisa foi o fato de os árabes não terem a imagem do carnaval quando pensam em Brasil. “O carnaval, que é vendido como sinônimo de brasilidade, quase não foi mencionado entre os entrevistados árabes, muito provavelmente por não fazer parte de sua cultura uma festa como essa; o que mais se relacionou com a imagem do Brasil entre eles foi o futebol e o café”, pontuou.

Na outra mão, os brasileiros, quando pensam em mundo árabe, pensam principalmente nos conflitos na Síria, mas também nas riquezas do emirado de Dubai. “O brasileiro tem uma mentalidade ocidental, se guia muito pelo ponto de vista americano e europeu, pelos noticiários”, colocou Frisso. Segundo a diretora, algo que também chamou a atenção na pesquisa foi a forma amistosa como os povos árabe e brasileiro se veem mutuamente. “Eles têm uma simpatia mútua, são países que não têm rejeição um com o outro, não têm preconceito, e acolhem uns aos outros”, ressaltou.

A pesquisa foi encomendada pela Câmara Árabe para o Fórum Econômico Brasil Países Árabes, realizado em abril do ano passado, com uma amostra de 1338 entrevistados. Para Tamer Mansour, o documento foi de extrema importância e pautou o planejamento estratégico da Câmara Árabe para os próximos dez anos.

“A pesquisa casou perfeitamente com as nossas necessidades na preparação do fórum, e foi além, se tornou uma base para o nosso planejamento e para a nossa estratégia de comunicação, e mostrou que o Brasil e os países árabes têm uma relação muito positiva e promissora”, declarou Mansour.

Para Joaquim Bretcha, presidente da Esomar, a pesquisa foi selecionada para agregar ainda mais conhecimento a um evento que é especializado em América Latina. “Tivemos um número recorde de pesquisas inscritas, o comitê teve dificuldade na seleção; as pesquisas selecionadas são todas muito boas, e especificamente sobre a pesquisa da Câmara Árabe, o fato de trazer uma região diferente para o painel é sempre enriquecedor”, afirmou.

Joaquim Bretcha, presidente da Esomar

“Esse tipo de pesquisa já aceita que o mundo é multipolar, e essa colaboração sul-sul, Brasil e países árabes, é algo que reflete muito bem o futuro dos intercâmbios culturais e comerciais, e a evolução das pesquisas; cada vez vamos ver mais essas iniciativas que mudam um pouco o padrão habitual desse tipo de congresso”, disse o coordenador do comitê de seleção do evento, Diego Casaravilla.

Alfonso Regalado, produtor criativo de eventos da Esomar, disse que o Brasil foi selecionado para sediar o evento por ser um país que tem cultura, cor, gastronomia, e o mais importante, um ambiente de negócios favorável para representar a América Latina.

Sobre a pesquisa entre Brasil e países árabes, Regalado afirmou que não é muito comum encontrar uma pesquisa que reúna dois blocos tão diferentes. “Muitas vezes o mundo árabe é mal interpretado, e ficamos fascinados com o projeto, achamos muito interessante ter uma pesquisa que mostrasse essa ponte entre as duas regiões, porque estamos em um momento em que é muito importante unir as diferentes partes do mundo”, declarou.

Para o presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun, este é um reconhecimento da qualidade da pesquisa e dos esforços da Câmara Árabe. “O fato de ter sido selecionado para um evento tão importante como esse diz muito sobre a qualidade e representatividade da nossa pesquisa”, afirmou.

“A Esomar está presente em mais de 60 países e faz uma curadoria e todo um posicionamento de pesquisa de mercado, temos todo um alinhamento de código de ética, de boas práticas, e o congresso é de extrema relevância. Foi uma conquista, foi muito importante, e o Marketing da Câmara Árabe que nos auxiliou nesse processo, especialmente a Juliana Burza (coordenadora de Marketing), que nos deu todo o apoio”, ressaltou Frisso. A H2R é uma empresa associada à Câmara Árabe.

Bruna Garcia/ANBA
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