Câmara Árabe faz homenagem ao embaixador Paulo Cordeiro

O subsecretário-geral Político do Itamaraty, responsável por Oriente Médio e África, foi escolhido como Personalidade Câmara Árabe deste ano. Cerimônia ocorre no Jockey Club de São Paulo.

Alexandre Rocha
alexandre.rocha@anba.com.br

São Paulo – A Câmara de Comércio Árabe Brasileira vai homenagear na noite desta segunda-feira (31) o embaixador Paulo Cordeiro de Andrade Pinto, subsecretário-geral Político do Itamaraty responsável por Oriente Médio e África, como Personalidade Câmara Árabe deste ano. A cerimônia será realizada no Jockey Club de São Paulo.

Cordeiro ocupa o posto há três anos, desde o início do governo da presidente Dilma Rousseff. “O Brasil tem um relacionamento multifacetado com o mundo árabe, mantemos diálogo com todos os países [da região]”, disse o diplomata à ANBA, destacando que entre as 22 nações que integram a Liga dos Estados Árabes, o País só não trem embaixadas no Iêmen, Bahrein, Somália, Ilhas Comores e Djibuti.

Nestas “boas relações que só têm se aprofundado”, o embaixador citou o “imenso” aumento do comércio nos últimos 10 anos, mas observou que o volume do intercâmbio “ainda está aquém das nossas possibilidades como exportadores de produtos e serviços”.

Como exemplo, ele mencionou países como a Argélia, que mantém há anos um amplo superávit na balança comercial com o Brasil, e outros que são deficitários. “Temos o desafio de procurar fluxos mais equilibrados”, comentou. “Há enorme território a ser conquistado”, afirmou, acrescentando que a Câmara Árabe é um “instrumento muito importante” de projeção comercial do País na região.

Na seara política, Cordeiro destacou viagem que fez em fevereiro a Jerusalém, Ramallah, Gaza e Amã, onde pode avaliar o estágio atual do diálogo entre israelenses e palestinos, relançado recentemente pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry. Em sua opinião, cada um dos “atores” envolvidos no processo tem suas limitações. “Alguns estão muito otimistas, mas os dois maiores interessados veem questões difíceis de resolver”, declarou.

Entre estas questões ele citou o direito de retorno dos refugiados defendido pelos palestinos e o status de Jerusalém, que tanto israelenses como palestinos querem como sua capital. Para o diplomata, há um sentimento de “ansiedade”. “Na Palestina há certa, não vou dizer incredulidade, mas que é muito difícil. Eles estão, porém, entrando de boa fé no processo”, destacou. “Espero que quem promove este processo seja de fato mediador”, acrescentou, referindo-se aos EUA.

A posição do Brasil ele ressaltou que já é bastante conhecida, “a criação de dois estados lado a lado com prosperidade para ambos”. O governo brasileiro reconhece a Palestina como estado independente.

A atuação do embaixador nesta área é justamente um dos motivos que faz a Câmara Árabe homenageá-lo. “O embaixador Paulo Cordeiro tem feito um trabalho incansável em benefício da paz entre Israel e Palestina”, declarou o diretor-geral da entidade, Michel Alaby. Além disso, Alaby destacou que o diplomata dá grande atenção às demandas das embaixadas árabes em Brasília e às visitas ao Brasil de autoridades do Oriente Médio e Norte da África. Em abril, por exemplo, o primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos e emir de Dubai, Mohammed in Rashid Al-Maktoum, estará em Brasília.

“Eu fico honrado, mas apenas faço o meu dever, não é para ser homenageado”, observou o embaixador.

Cordeiro comentou outras questões que afetam o mundo árabe e, direta ou indiretamente, as relações da região com o Brasil, como a Primavera Árabe e o conflito na Síria. “O mundo árabe tem passado por um processo de transformação. A visão que o Ocidente teve da democratização do mundo árabe, do ponto de vista das democracias liberais antigas, só a Tunísia parece estar neste caminho”, disse.

Ele ressaltou que a diplomacia brasileira prefere fazer uma avaliação de longo prazo dos efeitos da Primavera Árabe. “Todos os países [da região] estão mudando”, afirmou.

O diplomata acrescentou que o Oriente Médio “de certa maneira está dentro de nós”, frente ao enorme contingente de imigrantes e descendentes que existe no Brasil e da influência que esta comunidade tem na sociedade brasileira. Para ele, a comunidade “é um vetor” vivo do relacionamento entre brasileiros e árabes.

Cordeiro nasceu em 1953, em Salvador, na Bahia, é formado em História e entrou na carreira diplomática no final dos anos 70. De lá para cá serviu em vários postos no Brasil e no exterior, com destaque para as representações brasileiras junto à ONU em Genebra e em Nova York, este último quando o País ocupou a presidência do Conselho de Segurança, tendo sido responsável por questões de desarmamento; e para os cargos de embaixador no Haiti e no Canadá. Ele é casado e pai de três filhos.

O prêmio Personalidade Câmara Árabe é tradicionalmente entregue no dia 25 de março, data em que se comemora a imigração árabe no Brasil. Este ano, excepcionalmente, a cerimônia vai ocorrer no dia 31 para coincidir com uma corrida de cavalos árabes no Jockey. Os páreos com animais da raça voltaram a ser disputado recentemente no hipódromo da Cidade Jardim. O troféu para o vencedor da prova será também oferecido pela Câmara Árabe. “A ideia era fazer algo diferente este ano e ao mesmo tempo prestigiar o cavalo árabe”, afirmou Alaby.

Agência Brasil

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