Com linha internacional, Kidy prioriza mercado árabe

Marca brasileira de calçados infantis lançou modelos criados no Brasil, mas produzidos na China. Empresa expõe na Couromoda e recebe importadores de países árabes.

Thais Sousa
tsousa@anba.com.br

São Paulo – A marca de calçados infantis Kidy está apostando em uma nova linha para expandir suas vendas externas. O “Kidy International” é o novo projeto que a empresa está divulgando durante a feira Couromoda, que vai até esta quarta-feira (15), em São Paulo.

Em seu estande na mostra, a Kidy recebeu visitas de seu distribuidor na Líbia, a Al Heda, e de dois lojistas da região, além de um representante de marca saudita. A empresa tem no Oriente Médio sua segunda região mais importante em exportações, mas está voltando suas atenções ainda mais para este mercado. “O Oriente Médio, na minha relação de trabalho, agora é o mais importante. Porque eu preciso conquistar o espaço desse projeto e fazer com que a marca seja fidelizada. E eles têm muita procura. Eu quero juntar a fome com a vontade de comer”, afirmou Rodrigo Nunes (foto acima), gerente de exportação da marca, à ANBA nesta terça-feira (14).

O projeto Kidy International é fruto de uma joint-venture com uma marca chinesa, consolidada no ano passado com apoio da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (Investe SP). Os sapatos têm tecnologia brasileira e são desenhados por um estilista do País, mas a produção é feita em Xangai. “Todos os meus clientes do Oriente Médio querem olhar isso. O ‘made in Brazil’ é importante e queremos que o ‘desenhado pelo Brasil’ também seja”, explicou Nunes.

A possibilidade da nova empreitada “roubar” espaço dos produtos feitos em solo brasileiro existe e, até por isso, a maior atenção que o gerente tem dedicado à região. “Eu estou até um pouco com uma preocupação sadia deles trocarem o produto feito pelo Brasil por pelo ‘International’. Claro, vai ser Kidy ainda, tem o nosso toque de qualidade ainda, é desenhado por brasileiro, mas é um produto muito mais internacional”, pontuou o gerente.

O gerente costuma bater ponto no país que é seu principal parceiro, os Emirados Árabes Unidos. São quatro vezes por ano que o executivo visita Dubai e Abu Dhabi. E é a partir dali que países como Omã e Bahrein são abastecidos por um distribuidor da Kidy na região.

Para Nunes, o apelo cosmopolita dos modelos é o que explica a busca dos parceiros árabes pela nova linha. “É um design totalmente diferente e estilizado, não conversa com a linha brasileira. É muito internacional”, destacou ele.

Nos Emirados, a empresa trabalha com produtos de maior valor agregado. “Nosso principal lojista em Dubai, o grupo Shoes for Us, pegou nossos produtos de conceito mais premium e colocou em um local diferenciado na loja. O público que procurava produtos com mais glamour encontrava os nossos. Fomos rotulados por isso e decidimos navegar nessa onda. Como já sabia dessa segmentação, passei a nem levar os produtos mais baratos para lá”, explicou Nunes.

De 2016 a 2019, as exportações da empresa cresceram de 20 a 30% ao ano. No período, o Oriente Médio representou 10% do crescimento. A expectativa para 2020 é que o crescimento se mantenha, mas Nunes avalia que o momento exige cautela. “Até 2019 a gente cresceu porque tínhamos estabilidade econômica muito segura. O Mercosul não passava por nenhum movimento de oscilação grande. Hoje, não. O dólar estava a 4,25 agora está a 4,05. Como você garante que vai crescer 30%? Existe trabalho e planejamento para isso, mas não dá para falar, seria muito arriscado”, explicou o gerente de exportações.

A mesma postura é adotada pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Em coletiva de imprensa na Couromoda, nesta terça, a entidade divulgou expectativa de crescimento do setor como um todo de 2% a 2,5% em 2020. “O fato é que, para não ter que rever a estimativa de crescimento, ainda mais para baixo, estamos sendo um pouco mais conservadores nas projeções”, afirmou Caetano Bianco Neto, presidente do Conselho Deliberativo da Abicalçados. No início de 2019, a meta de crescimento do setor era de 3,4%, número que foi revisto para entre 1,1% e 1,8% no último trimestre do ano.

Thais Sousa/ ANBA

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