Paris – O comércio internacional de fertilizantes, produtos que são essenciais para as safras agrícolas em todo o mundo, recuou 30% desde o início do ano, com a guerra no Oriente Médio fazendo os preços dispararem e vários países restringirem as exportações, informou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) nesta quinta-feira (18).
Segundo a FAO, muitos agricultores adiaram ou cancelaram compras devido à escassez de oferta causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, que bloqueou o transporte de matérias-primas e gás natural liquefeito (GNL) usados na produção dos fertilizantes. Ao mesmo tempo, alguns dos principais produtores de adubo limitaram as exportações para proteger os mercados internos.
Entre fevereiro e maio, os preços dos fertilizantes subiram, em média, 25%, de acordo com dados da FAO que constam no relatório semestral Perspectivas Alimentares. Como resultado, o volume de comércio caiu para 41 milhões de toneladas nos primeiros quatro meses deste ano, ante 58 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado.
Mesmo que o estreito seja reaberto sob o acordo dos Estados Unidos e Irã, “a recuperação dos preços de nitrogênio, fosfatos e insumos relacionados ao enxofre será lenta e desigual, mantendo os preços historicamente elevados”, alertou a FAO.
Um terço do suprimento mundial de fertilizantes passava pelo Estreito de Ormuz antes da guerra que eclodiu em 28 de fevereiro e autoridades alertaram que os agricultores podem enfrentar escassez durante a safra de verão.
O Brasil, um dos maiores produtores mundiais de alimentos, é dependente da importação de fertilizantes e tem os países árabes entre os seus fornecedores.
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