Degustação de café difunde cultura árabe em Belo Horizonte

Ali El Khatib, superintendente do Instituto Brasil Árabe de Inovação e Eventos, promoveu a história e tradição árabes durante Semana Internacional do Café.

Thais Sousa
tsousa@anba.com.br

Belo Horizonte – Uma degustação de cafés árabes durante a Semana Internacional do Café atraiu dezenas de pessoas nesta quinta-feira (21). O evento é o maior do Brasil voltado para o setor de cafés especiais e aconteceu na capital mineira. A degustação (foto acima) foi realizada por Ali El Khatib, superintendente do Instituto Brasil Árabe de Inovação e Eventos.

Para El Khatib, a bebida promove a conexão entre a história brasileira e a cultura e tradição árabe. “É a valorização de uma cultura milenar. E a cultura árabe fortalecida pela mulher, que é algo que não se fala muito. É o resgate das raízes árabes”, pontuou.

O preparo de café árabe é um dos únicos nos quais o pó de café é aquecido junto com a água e não passa por nenhum tipo de filtro. No método, um recipiente com areia é aquecido e, dentro dele, se coloca o utensílio com a mistura.

Ali El Khatib levou degustação de café árabe a Semana Internacional do Café

Para fazer a bebida dos visitantes da feira, El Khatib trouxe grãos brasileiros torrados em diferentes países árabes. “Síria, Palestina, Tunísia e Líbano. Cada um tem seu próprio tipo de moagem e torra, porque cada um tem seu jeito preferido de tomar”, explicou.

El Khatib se dedica há mais de três décadas a ações voltadas para a promoção da cultura árabe no Brasil. Ele acredita que eventos como esse trazem um público diverso e ajudam a levar conhecimento sobre a comunidade. “Trabalhamos com a Câmara de Comércio Árabe Brasileira desde 1982. No início não era sobre café, mas nos eventos a hora do café de 15 minutos ia para meia hora. Isso aconteceu com o tempo, então fomos percebendo o potencial do café e hoje temos trabalhos que visam a saúde como a Corrida do Café, em Campinas”, lembrou ele.

Em Belo Horizonte, o superintendente abordou a história do café, que tem no mundo árabe importantes passagens, como sua difusão através do porto de Moca, no Iêmen. Para auxiliá-lo na degustação, El Khatib convidou Imane El Khal, mineira de origem marroquina.

Acompanharam o evento consumidores e cafeicultores do Brasil e de países como a Colômbia. “O café é identidade do povo brasileiro e faz parte da cultura árabe. Isso fortalece a união dos povos”, concluiu El Khatib.

Alexandre Rezende/NITRO
Alexandre Rezende / NITRO

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