São Paulo – Uma forma de aprender na qual o aluno cria, a partir das provocações do professor, sua própria narrativa sobre um determinado conteúdo. E, depois, vê essa história se transformar em uma divertida animação narrada por ele mesmo. É essa a premissa básica da metodologia da empresa de Criança Para Criança (DCPC), criada em 2015 a partir de uma ideia caseira e simpática: a de um pai que queria animar um desenho feito pelo filho. Onze anos depois, a empresa tem uma filial na Finlândia e estará na grande curricular da Escola Internacional do Catar no segundo semestre.
“A presença no Oriente Médio era um desejo nosso, pois sabemos que a região está investindo bastante em educação, mas só deu certo porque a diretora da escola participou de uma feira na Finlândia onde fizemos uma apresentação e, depois, porque fomos a eventos no Catar”, conta Gilberto Barroso, criador da DCPC e hoje responsável pela internacionalização da empresa. Recentemente, ele participou de um grande evento de educação no Egito, o que está abrindo portas também nesse país.

Hoje, graças à base na Finlândia, a empresa está em outros países europeus, como Espanha, Alemanha, Dinamarca e Ucrânia. Internacionalizar era um desejo dos sócios que sabiam que a metodologia podia ser aplicada em qualquer lugar do mundo. “Claro que temos que adaptar às realidades locais, traduzir para o idioma, fazer adaptações, mas estar fora do Brasil é a prova de que o que inventamos é universal”, diz Gilberto, que há três anos vive na Finlândia. Para ele, a internacionalização trouxe uma riqueza de conhecimentos sem precedentes.
A ida para a Finlândia foi o primeiro passo. E só aconteceu porque, anos atrás, Gilberto fez uma apresentação no país sobre a DCPC e o governo local ficou encantado, e perguntou se eles não poderiam abrir a empresa lá e fornecer a metodologia para as escolas finlandesas – lembrando que a Finlândia é uma referência mundial em educação. “É um grande reconhecimento da qualidade do nosso trabalho, sem dúvida”, diz o empresário. “Mas não foi fácil, é um país superexigente, eles fazem muitos testes antes de aprovar o que será colocado em suas escolas.”
Outro reconhecimento notável foi o Edtech Impact, um selo para soluções tecnológicas em educação, na qual 200 mil empresas do mundo todo já foram avaliadas. Segundo Gilberto, o responsável pela Edtech disse que a DCPC certamente era uma das três melhores que eles já tinham avaliado. “Temos o reconhecimento, agora precisamos fazer mais o trabalho de prospecção”, avalia o sócio.
O começo de tudo
Gilberto trabalhava no setor de TV paga quando seu amigo e futuro sócio teve a ideia de transformar o desenho do filho em animação. O que parecia ser uma boa frente de conteúdo para canal de criança, área que ele conhecia bem, acabou virando uma estratégia educativa quando eles contaram sobre a ideia para a diretora da escola dos filhos de ambos. “Ela achou que seria genial como uma ferramenta de educação”, recorda-se.

Logo, os donos da escola, sócios de um grupo escolar, se associaram como investidores do DCPC, que rapidamente se espalhou por escolas públicas e particulares do Brasil. “Hoje, o centro da educação é o conteúdo, e nós colocamos a criança como o centro, esse é o nosso diferencial”, afirma Gilberto. “Quando ele cria a história a partir do que o professor falou, desenha e depois narra essa história, ele se torna protagonista e fixa o conteúdo com muito mais facilidade em vez da velha e ruim decoreba.”
O empresário diz que a estratégia funciona até para as ciências mais duras, como matemática e física. Mas sabendo que os professores dessas áreas teriam mais dificuldade de colocar a metodologia em prática, a empresa criou uma ferramenta de capacitação que usa IA para auxiliar o professor na construção desse tipo de aula. Outra frente que ajuda os educadores é a Enciclokids, uma plataforma de streaming onde estão reunidos os mais de 5 mil vídeos já feitos em escolas do mundo todo. “Quando o professor assiste um desses vídeos, pode se inspirar para criar seu próprio projeto.”
Além de atender todas as disciplinas, o método DCPC contempla alunos de 5 a 18 anos, embora grande parte do público esteja entre 8 e 14 anos.
Saiba mais:
Site De Criança para Criança
Reportagem de Débora Rubin, em colaboração com a ANBA


