São Paulo – A Universidade Americana de Beirute (American University of Beirute – AUB) está desenvolvendo uma frente de conexões com a América Latina, com foco principal no Brasil. A instituição pretende, na região, se reconectar com alunos egressos, estabelecer relacionamento com a diáspora libanesa e se aproximar dos doadores da universidade, segundo a diretora de Desenvolvimento Institucional da AUB para a América Latina, Caroline Chalouhi Brennan, que leva adiante essa missão.
“Temos muitos ex-alunos em toda a América Latina. No Brasil, temos muitos doutores e muitos políticos”, afirmou Carolina sobre estudantes egressos na universidade. A diretora conta sobre médicos brasileiros com ascendência libanesa que voltaram ao Líbano para descobrir suas raízes e estudaram na AUB, uma universidade famosa e prestigiada no Oriente Médio. “Temos muitos líderes em toda a sociedade, em todos os países, que são formados pela AUB”, afirma Caroline.

Os ex-alunos são chamados de embaixadores da AUB. “Queremos criar e cultivar esse relacionamento, mantê-los próximos das notícias da AUB, porque eles podem falar sobre a AUB para seus amigos, colegas e contatos”, afirma. “Eles são nossos embaixadores e queremos fortalecer esse relacionamento. Não podemos nos esquecer deles, porque estão fazendo o seu trabalho e começaram na AUB”, reforça.
A universidade também pretende estabelecer conexões com a diáspora libanesa em geral. “Temos muitos libaneses no Brasil, mais que no Líbano. Queremos apresentar a AUB para eles, caso queiram vir e se reconectar com suas raízes no Líbano”, afirma Caroline, dizendo que a universidade oferece, por exemplo, aulas de árabe durante o verão que podem ser feitas por pessoas dessas comunidades.
A frente de aproximação com a América Latina da AUB inclui ainda a manutenção do relacionamento com doadores, pessoas que apoiam financeiramente estudantes ou outros projetos na universidade, como pacientes do hospital da AUB. Há doadores na América Latina e em outras regiões, muitas vezes libaneses bem-sucedidos com suas empresas. “Temos doadores em todas as partes do mundo”, relata Caroline.
A utilização do recurso doado costuma acontecer segundo a demanda da pessoa ou entidade que contribui, em um processo totalmente transparente, segundo Caroline. As pessoas podem, por exemplo, criar bolsas de estudos com o nome das suas famílias para oferecer a alunos, bancar uma aula, ou mesmo, o doador pode escolher qual perfil de alunos quer ajudar, se brasileiro, libanês, muçulmano, católico, de história, artes, medicina ou outras definições. Caroline conta de doação recente de US$ 10 milhões, mas os valores para ajudar podem ser bem menores. “Se alguém envia mil dólares, os mil dólares vão para o aluno”, diz.
Nessa aproximação com a América Latina, a universidade já realizou visita recente ao Peru e estão planejadas agendas presenciais em outros países, como Colômbia. O Brasil também deve ser visitado, mas ainda não há uma data definida. Caroline afirma que o país é foco da universidade, mas que a visita está em planejamento já que muitas cidades brasileiras comportam comunidades libanesas. A viagem ao Brasil deve ter a presença do vice-presidente sênior de Desenvolvimento Institucional e de Negócios de AUB, Imad Baalbaki, que supervisiona todas as iniciativas de desenvolvimento da instituição, inclusive América Latina.
De Medicina a Artes
Criada a partir de uma visita de missionários dos Estados Unidos em 1866, a AUB oferece cursos de graduação, mestrado e doutorado em diferentes áreas. A universidade abriga faculdades de Ciências Agrícolas e de Alimentos; de Artes e Ciências: de Ciências da Saúde; de Medicina; de Engenharia e Arquitetura, e escolas de Enfermagem; e Negócios, e está inaugurando escola de Computação e Ciências de Dados. A Universidade Americana de Beirute tem dez brasileiros entre seus estudantes.
A universidade mantém um campus grande em Beirute, além de hospital e centro médico, e possui fazenda para estudos de Agronomia no Vale do Bekaa. A instituição inaugurou um campus em Pafos, no Chipre, o AUB Mediterrâneo, onde começou a receber alunos em 2023. A AUB também possui um escritório administrativo nos Estados Unidos, e baseia sua filosofia educacional, padrões e práticas no modelo norte-americano de ensino superior de artes liberais, segundo informações do seu site.
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