São Paulo – A Arábia Saudita vem avançando no desenvolvimento de uma matriz energética mais diversificada e sustentável, que inclui a introdução da energia nuclear. O ministro de Energia e ministro da Indústria e Recursos Minerais, príncipe Abdulaziz bin Salman bin Abdulaziz, falou do assunto na 70ª Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, e relatou que estudos identificaram na região de Medina cerca de 114 milhões de toneladas de minério com alta concentração de elementos de terras raras, especialmente pesadas, assim como concentrações promissoras de urânio.
Os materiais foram apontados em estudos de exploração e geológicos no projeto Jabal Sayid. “Isso coloca o projeto entre os locais com recursos de terras raras mais significativos atualmente em desenvolvimento no mundo”, disse. Em 2025, a Arábia Saudita e Estados Unidos assinaram acordo de cooperação em minerais críticos e em segurança das cadeias de suprimentos, e foi feita parceria entre a empresa de mineração saudita Ma’aden e a estadunidense MP Materials para desenvolver capacidades de processamento e separação de elementos de terras raras e produção de urânio associado.
O príncipe disse que o país está trabalhando para maximizar os benefícios derivados de seus recursos naturais e citou entre eles minérios de fosfato, ouro, cobre, zinco, prata, bauxita, magnésio, minério de ferro, chumbo, níquel, minerais de terras raras, metais de transição, urânio, sílica e gesso. Abdulaziz também disse que o Projeto Nacional de Energia Atômica está avançando com programa para explorar recursos de urânio e avaliar oportunidades para uso econômico por meio de várias frentes interconectadas. Ele informou que a primeira envolve a recuperação de urânio associado ao ácido fosfórico produzido em operações de fertilizantes fosfatados no norte da Arábia Saudita.
Ele disse que trabalhos pilotos realizados em cooperação com a empresa francesa Orano apresentaram indicadores econômicos promissores para a recuperação de urânio a partir dessas operações. O ministro disse também que a Arábia Saudita continua seus esforços, por meio da Iniciativa de Levantamento da Cobertura Sedimentar, para explorar minérios de urânio adicionais provenientes de fontes convencionais. Ele afirmou que a introdução da energia nuclear na matriz energética saudita ocorre dentro de estrutura regulatória bem estabelecida e em conformidade com as obrigações internacionais do país.
Além de ministro de duas pastas, o príncipe Abdulaziz bin Salman bin Abdulaziz é também presidente do Conselho de Administração da Cidade Rei Abdullah para Energia Atômica e Renovável e presidente do Conselho de Administração da Comissão Reguladora Nuclear e Radiológica na Arábia Saudita. Abdulaziz abriu sua declaração na conferência em Viena reafirmando o reconhecimento saudita do papel fundamental da AIEA de apoiar os estados-membros, promover os usos pacíficos da energia nuclear e defender os princípios de segurança nuclear, segurança física e salvaguardas.
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