São Paulo – Três especialistas com vivências no processo de internacionalização de empresas compartilharam sua visão da atuação no exterior nesta quinta-feira (29) no encontro “Café da manhã com associados – Internacionalizando para o mundo árabe: entenda o mercado antes de exportar”, promovido pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira em sua sede, em São Paulo. Do encontro participaram o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil (2003-2007) e chairman do LIDE Global, Luiz Fernando Furlan, a proprietária da Al Ward Arabic Perfumes Store, Julia de Biase, e o Export Manager da M.Dias Branco, Leandro Mota.
Furlan, que também foi presidente do Conselho de Administração da Sadia, hoje uma marca da MBRF, compartilhou com as cerca de 70 pessoas convidadas sua experiência à frente da empresa e do ministério. Furlan afirmou que as exportações de frango do Brasil para os países árabes começaram em 1975 em decorrência de um excesso de demanda do produto no mercado nacional.

A partir de então, houve diversos processos de profissionalização e capacitação da mão de obra nacional para vender ao exterior carne de frango e muitos outros produtos. Ele se recorda que, quando assumiu o ministério, em 2003, o Brasil exportava US$ 60 bilhões por ano. Sua meta era chegar a US$ 100 bilhões em quatro anos, valor, que, com diversas ações de promoção no exterior, chegou a US$ 160 bilhões. Contou que da primeira missão comercial daquele governo a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, participaram 92 empresas brasileiras, que levaram amostras de seus produtos. “Todas fizeram negócios ao final dos encontros”, disse.
Furlan avaliou que o Brasil ainda é um país fechado ao comércio exterior e citou, como um dos motivos, o fato de que atuar em mercado externo é mais desafiador do que atuar no interno e demanda conhecimento do mercado-alvo para vender. Para isso, disse, é fundamental que as empresas enviem seus funcionários para feiras no exterior para conhecer seus concorrentes e as tecnologias do setor em que atuam.
Leandro Mota, da M. Dias Branco, disse que as empresas que desejam se internacionalizar precisam se preparar e olhar para o longo prazo. “É importante sair da oportunidade e olhar para a intencionalidade de exportar”, disse, explicando que as empresas devem olhar o mercado externo menos como um negócio de curto prazo e mais como um modelo de negócios de longo prazo.
“É preciso ser proativo, estudar o próprio portfólio, conhecer os mercados e estruturar a empresa para exportar”, afirmou. A M. Dias Branco é dona de marcas como Piraquê e Adria. É preciso desmistificar a ideia de que se o Brasil nos conhece, então o mercado internacional também nos conhece”, afirmou.
Julia De Biase é representante no Brasil da fornecedora de tâmaras Al Foah, dos Emirados Árabes Unidos, e dona da loja Al Ward de perfumes árabes. Sua experiência com o mundo árabe começou por perfumes importados do Bahrein e, depois, se estendeu para outras regiões do Golfo. Ela afirmou que, ao realizar negócios com árabes, é preciso ser paciente e investir no relacionamento de longo prazo, pois os empresários árabes gostam de conhecer seus parceiros comerciais.
Ela disse também que, entre mercados, é preciso olhar para oportunidades além do Golfo. “O Egito está crescendo demais, tem grandes oportunidades, especialmente com os acordos de livre-comércio [com o Mercosul]. Virão muitas novidades para o Brasil, Uruguai, Paraguai e Bolívia”, disse, sobre projetos futuros de suas empresas.
Os três apresentaram suas experiências, após breve palestra de Furlan, em um painel mediado pela Head de Consultoria Internacional da Câmara Árabe e do CCAB Lab, Karen Mizuta. O gerente de Inteligência de Mercado da instituição, Marcus Vinicius, apresentou dados do comércio exterior entre Brasil e países árabes que mostrou um incremento da parceria comercial nos últimos dez anos, com aumento, especialmente, das vendas do Brasil de milho e soja.
A Câmara Árabe foi representada, no encontro, pelo presidente, William Adib Dib Junior, que abriu o encontro, pelo tesoureiro, Mohamad Abdouni Neto, pelo ex-presidente Osmar Chohfi, e pelos diretores estatutários Sami Roumieh, William Atui, Alessandra Frisso e Eduardo Dama. O evento também foi prestigiado pelo cônsul-geral do Catar em São Paulo, Almuhannad Ali Al-Hammadi, e pelo assistente consular do Catar, Elian Al-Noor.


