Empresários paulistas tentam conquistar mercado de Dubai

Evento promovido pelo escritório internacional da Câmara Árabe em Dubai reuniu executivos do agronegócio para seminário sobre oportunidades nos Emirados Árabes e networking.

Bruna Garcia Fonseca
bruna.garcia@anba.com.br

Dubai – Empresários do agronegócio paulista estão otimistas com os possíveis frutos que a missão aos Emirados Árabes realizada junto ao governador do estado pode render. Na tarde desta terça-feira (11), o escritório internacional da Câmara de Comércio Árabe Brasileira promoveu o encontro “Agronegócio: Parceria estratégica entre Brasil e Emirados Árabes Unidos” em sua sede no Jumeirah Lake Towers, em Dubai. O evento reuniu cerca de 60 pessoas, entre executivos brasileiros e árabes e representantes do governo do estado de São Paulo e de entidades locais.

A ANBA conversou com Ricardo Ermírio de Moraes, presidente e fundador da Natural One, empresa de sucos fundada há oito anos, presente em todos os estados brasileiros e em 13 países da Ásia, América do Sul, África e Oriente Médio. Entre os países árabes, a marca já tem representação no Catar. “Estamos no Catar há seis meses e está dando muito certo”, disse.

Ele está participando da missão para fazer reuniões e abrir novos mercados na região. “Vim fazer networking e abrir o mercado dos Emirados, tenho várias reuniões com empresas locais, operadoras de varejo que já têm a solução refrigerada, assim fica mais fácil encaixar o nosso produto, com uma empresa de iogurte, por exemplo, mantendo a nossa marca”, explicou Moraes.

O rótulo internacional é em inglês, mas de acordo com o executivo, se conseguirem ampliar o volume de vendas ao mercado árabe, podem lançar futuramente as garrafas com o idioma local.

“Nosso produto tem uma aceitação natural, somos uma marca brasileira internacional com boas condições e isso agrega valor porque na exportação, quando você sai da commodity para a marca, a mesma tonelada multiplica o valor por três. Então gera muito valor para a cadeia toda. Temos feito um trabalho muito forte com São Paulo, de tornar o estado uma plataforma sustentável de longo prazo para produtos de qualidade”, declarou. Moraes é herdeiro do grupo Votorantim e trabalhou na empresa paulista Citrosuco. A fábrica da Natural One fica em Jarinu, interior paulista.

O gerente comercial da Energy, Gustavo Nogueira, disse que a companhia brasileira de açúcar já tem representação no Catar e nos Emirados Árabes, entre os 60 países para os quais a empresa exporta açúcar, arroz, fubá e leite em pó.

“Dubai é um hub de açúcar, exportamos para cá, alguns outros países da região têm restrições. Vendo pacotes de um quilo, 50 quilos, e private label, marcas próprias, ou a minha marca, Energy. Esse é um valor nosso, somos adaptáveis, temos essa flexibilidade para levar valor agregado”, disse Nogueira.

Além de participar da missão com o objetivo de fazer reuniões, networking e ampliar os negócios, Nogueira também participará da Gulfood, feira de alimentos que ocorre em Dubai na semana que vem. “Teremos um estande no pavilhão da Apex-Brasil”, contou. A Apex-Brasil é a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos.

O associado à Câmara Árabe, Davi Sierra também esteve presente no seminário. Ele é o diretor de novos negócios da Key Trade, que exporta produtos como sucos, café, açúcar, carne de frango e bovina. O empresário disse à ANBA que está abrindo uma empresa nova com sede em Dubai, a IBG Trade.

Seminário

O evento voltado ao agronegócio contou com apresentações do secretário de Agricultura do estado de São Paulo, Gustavo Junqueira, do conselheiro do Ministério de Mudanças Climáticas e Meio Ambiente dos Emirados, Majid Sultan Al Qassimi, do diretor da Glasgow Consulting, Vishal Pandey, do sócio-gerente da Prime Group of Companies, Mohamed Saleh Badri.

Al Qassimi falou sobre agronegócio e segurança alimentar nos Emirados e como o país busca diversificar sua economia e enfrentar os desafios climáticos, continuando a desenvolver novas alternativas. Ele também pontuou que o país é um dos maiores produtores de tâmaras do mundo.

Pandey apresentou dados sobre as tecnologias voltadas ao agro e sobre o mercado de commodities no país árabe. Badri falou sobre as oportunidades da indústria halal no setor alimentício, de cosméticos e farmacêuticos, turismo e moda.

A abertura e o encerramento foram feitos pelo chefe do escritório da Câmara Árabe em Dubai, Rafael Solimeo, que aproveitou a ocasião para convidar os empresários a participar do Fórum econômico Brasil & Países Árabes, que ocorrerá em 14 de abril, em São Paulo.

Missão Emirados

O secretário Gustavo Junqueira disse à ANBA que, com a missão, vem percebendo que o Brasil é visto como uma potência no agronegócio e um país com produtos de alta qualidade, nos Emirados Árabes e na região como um todo. “O Brasil ainda é um país muito pequeno em termos de negócios e tem uma oportunidade enorme, em parceria com os Emirados, de fazer essa expansão para vários mercados, seja exportando matéria-prima, seja exportando tecnologia, que é o que a gente está trabalhando agora, passar para o nível da genética, bioprodutos, em setores desde proteína animal até produtos acabados como sucos e comidas prontas, leite, derivados de leite. Agora é trabalhar nesse fortalecimento”, declarou.

O presidente da InvesteSP, Wilson Mello, participou como ouvinte do seminário. Segundo ele, os objetivos da missão estão sendo cumpridos e o balanço está sendo positivo. “Apresentamos as oportunidades de investimentos na área de desestatização, concessões e parcerias público-privadas no estado de São Paulo, conversamos com os fundos soberanos e autoridades dos Emirados, inauguramos o escritório e já está funcionando bem, e estamos mostrando para as empresas que ainda não exportam para essa região que é possível, e para as que já exportam estamos possibilitando que elas exportem mais”, declarou à ANBA.

À noite, o governador João Doria falou à ANBA sobre a parceria com a Câmara Árabe e fez um balanço da missão até esta terça-feira. “Nós queremos fortalecer essa relação, é importante. As câmaras daqui são muito organizadas, têm esse espírito muito realizador, são muito representativas na relação governo e setor privado com busca de resultados, e é o que nós gostamos, conversar o suficiente para poder executar. E vai ser importante, a Câmara Árabe vai nos ajudar também a balizar a nossa visita futura à Arábia Saudita, que nós desejamos [ainda sem data]”, disse Doria.

Segundo ele, também está sendo estudada abordagem para visita ao Catar.  “O fundo soberano do Catar [Qatar Investment Authority] também é muito importante, muito representativo e está em busca de investimentos na América Latina e principalmente no Brasil, e nós queremos ser os primeiros a apresentar propostas lá”, declarou. A viagem ao Catar está prevista para setembro, segundo a agenda do governador.

A missão até agora, segundo Doria, está acima da expectativa. “Esse mundo dos negócios ainda é um mundo de confiança, de você apresentar marcos jurídicos claros, propostas claras, olho no olho, entendimentos que possam ser respeitados. Nós ainda temos três anos de governo e isso ajuda também porque os interlocutores sabem que vão falar com a mesma pessoa por esse período”, avaliou.

Bruna Garcia/ANBA
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